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Brasil O Tribunal Superior Eleitoral afasta
o governador
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, na semana passada, o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, do PSDB. Por unanimidade, o tribunal considerou que o tucano usou um programa de renda mínima para comprar votos para sua reeleição, em 2006. A operação foi realizada por meio da Fundação de Ação Comunitária, um órgão do estado que distribuiu durante a campanha eleitoral 35 000 cheques de valores que iam de 100 reais a 36 500 reais. O total alcançou 3,5 milhões de reais. Até o chefe da Casa Civil de Cássio, João Fernandes da Silva, recebeu uma parte do dinheiro. O maior beneficiário foi um professor, Rômulo de Araújo Lima, para quem o governo paraibano transferiu 56 500 reais. Tanto um como o outro fizeram doações para a campanha do tucano. Não se sabe se foi esse motivo que levou o governador a conferir ao professor Araújo Lima uma medalha estadual de honra ao mérito. O processo contra Cunha Lima arrastou-se por 25 meses. Começou ainda antes que ele fosse reempossado. O governador foi condenado em todas as instâncias. Só se mantinha no cargo graças a uma liminar conquistada no TSE. O tucano ainda pode levar o processo ao Supremo Tribunal Federal, coisa que seus advogados garantem que farão. "Vamos recorrer mais uma vez", diz o advogado Luciano Pires, que participa de sua defesa. Apesar da insistência, as chances de ele voltar ao cargo são remotíssimas, como reconhecem seus assessores em conversas privadas. Três dos onze ministros do Supremo participaram do julgamento no TSE. São necessários, portanto, apenas mais três para confirmar definitivamente a cassação. Por isso, os assessores de Cunha Lima o aconselham a desistir do processo e a tentar a eleição para o Senado em 2010. Ele poderia concorrer porque o TSE o tornou inelegível por apenas três anos a partir do delito. Ou seja, até 2009. Como o tribunal também cassou, pelo mesmo motivo, o mandato do vice-governador do estado, José Lacerda Neto, do DEM, Cunha Lima deverá ser substituído pelo candidato que derrotou na eleição de 2006. Nas urnas, o senador José Maranhão, do PMDB, que já governou o estado por duas vezes, ficou a menos de 3 pontos porcentuais de Cunha Lima. Ele será empossado assim que a decisão do TSE for publicada no Diário Oficial da União. Maranhão está tão entusiasmado que vem alardeando alguns dos nomes que deverão compor sua equipe. Entre eles, o do ex-presidente do Banco do Brasil Lafaiete Coutinho Torres, aquele que comandou a tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Ele está cotado para ser o secretário da Fazenda da Paraíba. Assim não dá.
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