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Cinema
A
volta por cima
Bom
e barato, o western Pacto de Justiça
pode reanimar a carreira de Kevin Costner

Isabela
Boscov
Chris Large
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| Duvall,
Annette e Costner: um homem tem de fazer aquilo que um homem
tem de fazer |
Seguindo
com toda a força ao fundo desde Waterworld, de 1995,
Kevin Costner não se tornou só um astro em declínio:
virou uma espécie de praga, da qual estúdios e produtores
relutam em se aproximar, por medo de que o fracasso seja contagioso.
Num panorama como esse, Pacto de Justiça (Open
Range, Estados Unidos, 2003), que ele estrela e dirige e que
estréia nesta sexta-feira no país, não chega
a ser uma ressurreição. Mas é pelo menos um
indício de que ainda há vida na carreira de Costner,
que aqui retorna ao nicho que o consagrou o faroeste à
moda antiga, adepto, como Dança com Lobos, da filosofia
de que um homem tem de fazer aquilo que um homem tem de fazer.
Costner
e Robert Duvall são remanescentes da velha-guarda: caubóis
sem rancho, que levam seu gado para pastar em pradarias ainda sem
dono. Como a marcha ao Oeste não pára, essas se tornam
cada vez mais raras. E vaqueiros como os dois se tornam também
cada vez mais malquistos pelos novos latifundiários, que
desejam engolir tanta terra quanto possível, por meios nem
sempre legais. Quando os jovens parceiros da dupla são mortalmente
feridos a mando do dono de uma cidadezinha, Costner e Duvall saem
de sua paz para fazer o que julgam decente: acertar as contas com
o fazendeiro. De um em um, os caubóis vão ganhando
a adesão dos moradores (e moradoras, como Annette Bening,
para a qual Costner lança olhares compridos), que encontram
nos recém-chegados o apoio necessário para se levantar
contra a tirania.
Costner
é um democrata, mas é antes, e acima de tudo, um patriota.
O paralelo com a ação americana no Iraque, portanto,
é inevitável, e não exatamente benéfico
para Pacto de Justiça da mesma forma que a
defesa do recurso à justiça por conta própria,
sempre que houver sinais de que a lei vai tardar, ou falhar, ou
ambas as coisas. Feitas essas ressalvas, é preciso admitir
que Costner tem a têmpera certa para o western. Sua escolha
das locações, essenciais para a história, é
das mais inspiradas. E aos poucos ele consegue tirar o filme daquele
tom solene que sempre foi seu maior defeito, conduzindo-o para um
clímax admirável: um tiroteio complexo e prolongado
nas ruas poeirentas de uma cidade perdida no nada, que mal-e-mal
merece esse nome. A outra boa notícia é que, embora
tenha cara de superprodução, Pacto de Justiça
custou comparativamente pouco 26 milhões de dólares,
já cobertos pela bilheteria. Mais um filme bom e barato como
esse, e quem sabe Costner termine por se livrar de sua má
reputação.
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