|
|
Televisão
A
bola lá fora
O
esforço para vender o campeonato
brasileiro a emissoras estrangeiras

Ricardo
Valladares
O futebol
brasileiro tem vivido uma ironia: é um dos mais celebrados
e um dos menos vistos do mundo. Enquanto a Liga Inglesa tem seus
jogos transmitidos para 146 países, o Campeonato Brasileiro
encontrou apenas 46 compradores em 2003 (veja
quadro). Enquanto a Itália ganhou 60 milhões
de dólares com esse negócio, o Brasil faturou 2 milhões.
Mas essa situação deve mudar no ano que vem. A previsão
é que 113 países assistam aos jogos nacionais, e o
faturamento dobre. Por trás desse pulo estão os investimentos
da empresa de marketing esportivo SportPromotion. "As pessoas adoram
nossos jogadores e nossa seleção, mas convencer canais
estrangeiros de que vale a pena exibir nossos campeonatos é
um trabalho árduo", diz Paulo Roberto Bastos, presidente
da empresa.
Quem
detém os direitos de televisão dos principais campeonatos
brasileiros é o Clube dos Treze, que congrega alguns dos
times mais tradicionais do país. Até o fim de 2002,
a entidade tinha um acordo com a Rede Globo para as transações
no exterior. Nessa altura, a SportPromotion entrou em cena com uma
proposta tentadora: pagaria 500.000 dólares
ao Clube dos Treze, investiria 1,5 milhão de dólares
no negócio e faria um grande esforço de "relações
públicas". Levou o contrato. O grosso do investimento da
SportPromotion diz respeito à gravação dos
jogos e sua transmissão via satélite. Em 2003, funcionou
um esquema misto. A maior parte das imagens vistas lá fora
foi captada pela Rede Globo. Mas a SportPromotion tem uma parceria
com a produtora TeleImage, que vem aperfeiçoando um sistema
de gravação de jogos que contemple as preferências
dos torcedores estrangeiros. O sistema envolve vinte pessoas, entre
as quais dois intérpretes que narram as partidas em inglês
britânico.
Não
se deve subestimar a importância do esforço de relações
públicas. O triunfo da seleção na Copa do Mundo
de 2002 pôs o futebol brasileiro novamente em evidência,
mas isso não basta. Ao contrário de clubes europeus
como o Real Madrid, os times brasileiros não se "globalizaram",
não têm fãs espalhados pelo mundo. Para piorar,
os campeonatos nacionais têm fama (justa) de ser bagunçados.
"As regras mudam muito, o que confunde os espectadores e irrita
os canais estrangeiros", diz Mauro Holzmann, diretor executivo do
Clube dos Treze. Reverter essa má fama é essencial.
Montagem sobre fotos de
Renato Oizzutto/divulgação

|
|