Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Televisão
A bola lá fora

O esforço para vender o campeonato
brasileiro a emissoras estrangeiras


Ricardo Valladares

O futebol brasileiro tem vivido uma ironia: é um dos mais celebrados e um dos menos vistos do mundo. Enquanto a Liga Inglesa tem seus jogos transmitidos para 146 países, o Campeonato Brasileiro encontrou apenas 46 compradores em 2003 (veja quadro). Enquanto a Itália ganhou 60 milhões de dólares com esse negócio, o Brasil faturou 2 milhões. Mas essa situação deve mudar no ano que vem. A previsão é que 113 países assistam aos jogos nacionais, e o faturamento dobre. Por trás desse pulo estão os investimentos da empresa de marketing esportivo SportPromotion. "As pessoas adoram nossos jogadores e nossa seleção, mas convencer canais estrangeiros de que vale a pena exibir nossos campeonatos é um trabalho árduo", diz Paulo Roberto Bastos, presidente da empresa.

Quem detém os direitos de televisão dos principais campeonatos brasileiros é o Clube dos Treze, que congrega alguns dos times mais tradicionais do país. Até o fim de 2002, a entidade tinha um acordo com a Rede Globo para as transações no exterior. Nessa altura, a SportPromotion entrou em cena com uma proposta tentadora: pagaria 500.000 dólares ao Clube dos Treze, investiria 1,5 milhão de dólares no negócio e faria um grande esforço de "relações públicas". Levou o contrato. O grosso do investimento da SportPromotion diz respeito à gravação dos jogos e sua transmissão via satélite. Em 2003, funcionou um esquema misto. A maior parte das imagens vistas lá fora foi captada pela Rede Globo. Mas a SportPromotion tem uma parceria com a produtora TeleImage, que vem aperfeiçoando um sistema de gravação de jogos que contemple as preferências dos torcedores estrangeiros. O sistema envolve vinte pessoas, entre as quais dois intérpretes que narram as partidas em inglês britânico.

Não se deve subestimar a importância do esforço de relações públicas. O triunfo da seleção na Copa do Mundo de 2002 pôs o futebol brasileiro novamente em evidência, mas isso não basta. Ao contrário de clubes europeus como o Real Madrid, os times brasileiros não se "globalizaram", não têm fãs espalhados pelo mundo. Para piorar, os campeonatos nacionais têm fama (justa) de ser bagunçados. "As regras mudam muito, o que confunde os espectadores e irrita os canais estrangeiros", diz Mauro Holzmann, diretor executivo do Clube dos Treze. Reverter essa má fama é essencial.

Montagem sobre fotos de Renato Oizzutto/divulgação

 

 

 
 
 
 
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