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Transporte
Mais dinheiro em ferrovias
Com
atraso centenário, o Brasil
começa a investir em estradas de ferro
Divulgação
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| Trem
da Vale do Rio Doce: transporte pela metade do preço
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As
ferrovias brasileiras começaram a ser construídas
na década de 1930 para transportar o café de Minas
Gerais e o açúcar do Nordeste. O eixo da economia
mudou, os investimentos na malha ferroviária diminuíram
e a rede se tornou obsoleta. Com as estradas em pandarecos, o interesse
pelos trens está voltando, por enquanto para transporte de
cargas. Neste ano, pela primeira vez, o país vai investir
mais em ferrovias que em rodovias. Só para a compra de locomotivas
e vagões serão gastos 3,3 bilhões de reais.
As doze empresas que operam o sistema já compraram 83 locomotivas
e 3.200 vagões. Outros 6.400
vagões foram encomendados para o ano que vem. A única
fábrica nacional que atua no setor não está
dando conta do recado. Para complementar, muitos vagões serão
trazidos da China de navio, em uma complexa operação
de logística.
Nessa
fase inicial de retomada dos investimentos ferroviários,
parte significativa dos investimentos está sendo dirigida
para a recuperação de ferrovias existentes, poucos
trechos serão criados. Muitas das linhas atuais foram construídas
há 100 anos, com todas as limitações tecnológicas
daquele tempo. Elas têm muitas curvas e poucos túneis,
passam dentro das cidades e, pelo traçado, não permitem
que os trens desenvolvam boa velocidade. Só em Curitiba a
ferrovia cruza as ruas da cidade em 36 pontos. Apenas 10% da malha
opera em boas condições. Os trens de turismo ainda
não entraram na lista de prioridades dos investidores, por
enquanto as empresas estão interessadas no transporte de
cargas. Em todo o mundo, o transporte de passageiros é uma
operação complicada, e em boa parte dos casos costuma
dar prejuízo. Há alguns anos uma empresa voltou a
operar um trem de passageiros chique que ligava São Paulo
ao Rio de Janeiro. Em várias viagens, a composição
circulou quase vazia. Acabou desativada.
Hoje
o Brasil é um exemplo de atraso ferroviário. Tem menos
linhas que México, Argentina e China. O investimento em ferrovia
se justifica do ponto de vista ambiental, pois os trens funcionam
como alternativa aos caminhões. Além disso, as ferrovias
reduzem significativamente o custo do frete, o que em alguns setores
pode ser decisivo. No caso do minério de ferro, o custo do
transporte chega a quase metade do preço do produto. O renascimento
das ferrovias teve início em 1996, quando as estradas de
ferro começaram a ser privatizadas, mas poucos investimentos
foram feitos até o ano passado. Sob a administração
da iniciativa privada, a participação das ferrovias
no transporte nacional saltou de 19% para 23% até agora.
Segundo os especialistas, o ideal é que o Brasil ferroviário
represente 40% do transporte nacional. Essa é a meta.
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