Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Transporte
Mais dinheiro em ferrovias

Com atraso centenário, o Brasil
começa a investir em estradas de ferro



Divulgação
Trem da Vale do Rio Doce: transporte pela metade do preço

As ferrovias brasileiras começaram a ser construídas na década de 1930 para transportar o café de Minas Gerais e o açúcar do Nordeste. O eixo da economia mudou, os investimentos na malha ferroviária diminuíram e a rede se tornou obsoleta. Com as estradas em pandarecos, o interesse pelos trens está voltando, por enquanto para transporte de cargas. Neste ano, pela primeira vez, o país vai investir mais em ferrovias que em rodovias. Só para a compra de locomotivas e vagões serão gastos 3,3 bilhões de reais. As doze empresas que operam o sistema já compraram 83 locomotivas e 3.200 vagões. Outros 6.400 vagões foram encomendados para o ano que vem. A única fábrica nacional que atua no setor não está dando conta do recado. Para complementar, muitos vagões serão trazidos da China de navio, em uma complexa operação de logística.

Nessa fase inicial de retomada dos investimentos ferroviários, parte significativa dos investimentos está sendo dirigida para a recuperação de ferrovias existentes, poucos trechos serão criados. Muitas das linhas atuais foram construídas há 100 anos, com todas as limitações tecnológicas daquele tempo. Elas têm muitas curvas e poucos túneis, passam dentro das cidades e, pelo traçado, não permitem que os trens desenvolvam boa velocidade. Só em Curitiba a ferrovia cruza as ruas da cidade em 36 pontos. Apenas 10% da malha opera em boas condições. Os trens de turismo ainda não entraram na lista de prioridades dos investidores, por enquanto as empresas estão interessadas no transporte de cargas. Em todo o mundo, o transporte de passageiros é uma operação complicada, e em boa parte dos casos costuma dar prejuízo. Há alguns anos uma empresa voltou a operar um trem de passageiros chique que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro. Em várias viagens, a composição circulou quase vazia. Acabou desativada.

Hoje o Brasil é um exemplo de atraso ferroviário. Tem menos linhas que México, Argentina e China. O investimento em ferrovia se justifica do ponto de vista ambiental, pois os trens funcionam como alternativa aos caminhões. Além disso, as ferrovias reduzem significativamente o custo do frete, o que em alguns setores pode ser decisivo. No caso do minério de ferro, o custo do transporte chega a quase metade do preço do produto. O renascimento das ferrovias teve início em 1996, quando as estradas de ferro começaram a ser privatizadas, mas poucos investimentos foram feitos até o ano passado. Sob a administração da iniciativa privada, a participação das ferrovias no transporte nacional saltou de 19% para 23% até agora. Segundo os especialistas, o ideal é que o Brasil ferroviário represente 40% do transporte nacional. Essa é a meta.

 
 
 
 
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