Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Saúde
Os superprotetores

Uma nova linha de filtros solares promete
blindar as camadas mais profundas da pele


Anna Paula Buchalla


J. Miranda
Novos bloqueadores: varredura contra os radicais livres, que envelhecem e causam tumores


A eficácia dos protetores solares criou um paradoxo: quem usa filtro acaba exagerando no tempo de exposição ao sol e, por isso, corre mais risco de desenvolver câncer de pele. Como é praticamente impossível convencer a turma do bronzeado a evitar abusos, a indústria cosmética busca aumentar a eficácia dos protetores. Para este verão, os fabricantes concentraram suas pesquisas numa linha a que chamam de imunoproteção. A fim de impedir que camadas mais profundas da pele sejam danificadas pela radiação solar, os novos filtros contam com substâncias varredoras de radicais livres, as moléculas tóxicas que danificam o DNA da célula e aceleram o envelhecimento. Essas substâncias são vitaminas C e E, flavonóides e antiinflamatórios. A importância de preservar o DNA é que isso ajuda a diminuir o risco de formação de tumores. Os primeiros frutos dessa tendência começam a chegar ao mercado. A linha Golden Plus, do Boticário, foi desenvolvida num laboratório alemão. O espanhol Heliocare, comercializado no Brasil, promete uma proteção ainda maior contra os raios ultravioleta do tipo A (há também os do tipo B). Para combater os radicais livres, sua fórmula conta com polipodium leucotomos, o extrato de uma planta pesquisado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Segundo os médicos, o câncer de pele, que só neste ano deve fazer quase 100.000 vítimas no Brasil, pode ser evitado com medidas simples: o uso de um filtro solar e a exposição ao sol apenas até as 10 da manhã e depois das 4 da tarde. Mas nem assim se está a salvo. Recentemente, cientistas ingleses concluíram que algumas das marcas mais populares de protetor solar, todas com fator de proteção maior do que 20, não detêm os raios ultravioleta do tipo A como deveriam. Os cremes atuais evitam queimaduras, mas reduzem apenas à metade os radicais livres criados por esses raios na pele. Um protetor eficaz teria de bloquear 95%. Ou seja, se um banhista não vira mais um pimentão por estar protegido dos raios ultravioleta do tipo B – emitidos entre 10 da manhã e 4 da tarde –, ele pode estar sendo invisivelmente atacado pelos raios do tipo A, que incidem justamente no horário recomendado pelos dermatologistas, entre 7 e 10 da manhã. A conclusão dos pesquisadores ingleses, publicada numa das mais prestigiosas revistas de dermatologia do mundo, o Journal of Investigative Dermatology: a melhor medida de proteção contra os raios ultravioleta de qualquer tipo continua a ser o infalível kit camiseta, óculos e boné. Em resumo, praia ou piscina boa é a que não deixa ninguém bronzeado. Uma conclusão inglesa, com certeza.

 
 
 
 
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