Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Medicina
O doutor lipo

Inventor da técnica de aspirar
gorduras profetiza: no futuro,
todas as mulheres farão


Bel Moherdaui


Reginaldo Teixeira
O artista e a pioneira: Illouz e Maria Edith, voluntária na primeira lipo


Yves-Gérard Illouz, um cirurgião plástico francês de 64 anos, é praticamente um herói desconhecido: foi ele que, em 1977, inventou a técnica de lipoaspiração, que revolucionou a cirurgia estética e, por sua comparativa simplicidade, virou a tábua de salvação para homens e mulheres que querem perder gorduras localizadas (e quem não quer?). Sem o doutor Illouz, imaginem só, não existiria, ou demoraria mais a existir, a cirurgia campeã entre as plásticas no Brasil – 160.000 só em 2003, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – e no mundo. De passagem pelo Brasil, onde veio participar do 40º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, em Fortaleza, Illouz reencontrou-se no Rio de Janeiro com a primeira brasileira a fazer uma lipo, a pesquisadora carioca Maria Edith Pessanha, aspirada por ele em 1980, quando veio ao país para apresentar a nova técnica. Maria Edith, que na época removeu gordura do joelho e do culote, diz que nunca mais precisou repetir o procedimento. Mas Illouz tem certeza de que, justamente pelo fato de a técnica ser tão bem-sucedida, pacientes de lipo jamais faltarão. "No futuro, todas as mulheres vão se submeter à lipoaspiração", prevê.


Foi também em um congresso em Fortaleza que o cirurgião francês apresentou a técnica pioneira aos médicos brasileiros, há 23 anos. "Os mais novos acreditaram em mim e ficaram bem animados; já os mais velhos acharam que eu era louco", recorda-se. Para convencê-los da eficácia do método, o médico, que tinha trazido o equipamento básico na bagagem, propôs fazer uma demonstração. E assim a primeira lipoaspiração brasileira afinou, em um hospital do Rio de Janeiro, as medidas de Maria Edith – que por acaso esteve em um jantar em homenagem a Illouz, ouviu que ele queria uma voluntária e se ofereceu. "Quando a gente é jovem, quer ficar bonita de todo jeito, nem mede muito as conseqüências", justifica agora. O cirurgião conta que sua técnica revolucionária surgiu do desejo de agradar a uma atriz francesa que namorava na época – todo galante, não revela o nome da musa da lipo. "Ela adorava decotes, mas tinha um nódulo de gordura nas costas. Depois de muito pensar em um jeito de remover aquilo sem deixar cicatriz, tive a idéia de colocar uma cânula e sugar a gordura", relata. Namorada lipoaspirada e feliz, mesmo assim o médico não se deu conta imediatamente da vastidão de usos de seu método. "Ainda demorei um ano para perceber que podia lipoaspirar gordura em várias partes do corpo", lembra. Quando percebeu, fez-se a luz. "Outros médicos já haviam tentado, mas Illouz detém o mérito de haver aprimorado a técnica existente e ser seu grande difusor", elogia Ivo Pitanguy, o papa da plástica no Brasil – que estava no congresso de Fortaleza em 1980 e, de lá para cá, nunca mais parou de aspirar gordurinhas indesejáveis.

 
 
 
 
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