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Franquias
O
poder das marcas
é a chave do negócio
As
grandes redes ignoram os altos e baixos
da economia, continuam vendendo franquias
e as brasileiras se expandem no exterior

José
Edward
Raul Junior
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| O
Boticário: demanda por franquias em alta e faturamento de 1,3
bilhão de reais |
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O sonho dos brasileiros de ter um negócio próprio
faz o setor de franquias crescer muito mais rápido que a
média da economia. Em 2002, mesmo com toda a crise, o mercado
de franquias cresceu 12% oito vezes mais que a economia como
um todo. É esse avanço em meio à crise que
explica o sorriso no rosto da maior parte dos franqueadores. O desempenho
fez do Brasil o terceiro país do mundo em número de
franquias, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão.
O faturamento chegou a 28 bilhões de reais, o equivalente
ao PIB do Paraguai. A aparente imunidade aos solavancos econômicos
é resultado do espírito empreendedor de milhares de
pessoas, do funcionalismo público e da iniciativa privada,
que cansaram de ser empregados e buscaram uma marca conhecida para
abrir um negócio e se tornar patrões. Os franqueadores
fornecem toda a assistência técnica para abrir a empresa
e rígidas regras de conduta. Apesar de a vida de franqueado
estar longe de ser classificada como fácil, a demanda continua
alta.
Uma
característica da franquia no Brasil é a predominância
de marcas genuinamente nacionais, que respondem por cerca de 90%
das 650 redes em atuação no país. Das dez maiores
franquias privadas, oito são brasileiras como O Boticário,
especializada em perfumaria e cosméticos, e a escola de idiomas
Wizard. Em casos como o da Localiza, locadora de veículos,
o sucesso no Brasil acabou pavimentando o caminho para a expansão
internacional. Atualmente, dez grandes redes brasileiras somam cerca
de 700 pontos-de-venda em países da América Latina,
Europa, Ásia e Oriente Médio. O Boticário,
a maior rede nacional, com faturamento de 1,3 bilhão de reais,
tem 2.200 lojas e quiosques espalhados
por cidades do Brasil, Portugal, Japão e de cinco países
da América Latina. "No início, eu dava graças
a Deus quando alguém se interessava em ser franqueado da
rede. Agora, temos até de ser mais seletivos, pois não
damos conta da demanda", diz o bioquímico Miguel Krigsner,
diretor-presidente e um dos fundadores de O Boticário.
Divulgação
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| No
Habib's, um programa tenta salvar os franqueados que estão mal
financeiramente |
Os
donos da Localiza se orgulham ao contar a história dos seis
Fusca de segunda mão que usaram para inaugurar a empresa
em 1973 em Belo Horizonte. Nos anos 90, a maior locadora de veículos
da América Latina investiu cerca de 6 milhões de dólares
na internacionalização da marca. Na Argentina, focou
em cidades do interior do país, desprezadas pelas grandes
redes internacionais de aluguel de carros. Com as investidas no
exterior, o faturamento da empresa acabou acompanhando a expansão.
Nos últimos cinco anos, saltou de 223 milhões para
480 milhões de reais. Além da internacionalização,
a Localiza aperfeiçoou o apoio aos franqueados. Apenas nos
últimos cinco anos, investiu 12 milhões de reais em
treinamento e workshops. O Habib's possui uma espécie de
UTI com especialistas para franqueados em dificuldades. "Em quinze
anos apenas uma das franquias da rede não sobreviveu", garante
o presidente do Habib's, Alberto Saraiva. "Assim mesmo porque os
sócios brigaram e não conseguimos reconciliá-los",
completa.
Raul Junior
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| Salas
de aula do Wizard: curso de idiomas com metodologia para todas
as idades |
Uma
das vantagens das franquias estrangeiras no Brasil é que
o sentimento antiamericano não se traduz em ações
violentas ou de boicote. Em países muçulmanos e mesmo
em algumas cidades da Europa, as vendas de redes dos Estados Unidos,
como McDonald's e KFC, sofrem a pressão do choque de civilizações
provocado pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
Um simples hambúrguer é visto como o símbolo
do imperialismo do Pentágono. A cada bombardeio no Iraque,
o ódio de parte da população é direcionado
às marcas americanas. Uma das raras exceções
é a Indonésia, o país islâmico mais populoso
do mundo. De acordo com uma pesquisa de opinião recente,
15% dos indonésios têm uma visão positiva dos
Estados Unidos. Há três anos, o porcentual era de 75%.
Apesar disso, as vendas da rede KFC aumentam 20% na Indonésia
no período do Ramadã, o mês santo em que os
muçulmanos se dedicam às orações e ao
jejum durante o dia. Isso é assim porque os indonésios
tendem a fazer a distinção entre o governo de George
W. Bush e as empresas americanas.
No
Brasil, os casos de insucesso de franquias e de donos de marca têm
outras causas. A Pizza Hut fracassou em sua primeira tentativa de
se expandir no Brasil. A estratégia não atingiu os
objetivos, em parte, por causa da excessiva concentração
em São Paulo. A rede chegou a ter 46 lojas em um perímetro
que comportava no máximo trinta. Recentemente, a matriz americana
da Pizza Hut retomou as rédeas da marca numa tentativa de
melhorar a operação. "No caso da KFC, o problema foi
a inadequação de seu principal produto ao público
nacional pedaços de frango frito para comer com as
mãos", diz Marcelo Cherto, consultor do setor. A KFC está
ensaiando uma volta ao mercado brasileiro com uma nova versão.
O frango será servido em pratos e com talheres ou como sanduíche,
acompanhado de batata frita. O McDonald's, a maior franquia mundial
do ramo de alimentação, tem enfrentado problemas no
Brasil. "A rede compra os terrenos, constrói a loja e subloca
para os franqueados com um acréscimo no valor original do
aluguel de até 500%", diz Janete Veloso, presidente da Associação
de Franqueados Independentes do McDonald's. É esse grupo
de 36 franqueados brasileiros que está brigando na Justiça
para diminuir o valor do aluguel da marca.

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