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Diogo
Mainardi Na falta de assunto, Caetano
"O
fato é que Caetano não gosta de VEJA. Mas ama Moby, Mangabeira
Unger e Mainardi. Não sei se devo me sentir lisonjeado. Moby é
aquele músico que pediu perdão a Chávez. Mangabeira é
aquele candidato da Igreja Universal que convidou José Dirceu a
dar aulas em Harvard" Caetano
Veloso mandou um artigo para um blog, falando mal de VEJA. Ele falou mal de VEJA
porque VEJA falou mal do Moby. Quase no fim do artigo, ele fez um comentário
a meu respeito. Não é a primeira vez que isso acontece. Todo ano
Caetano Veloso me dá uma canja. Já faz parte do meu folclore pessoal.
Exatamente da mesma maneira que roubar já faz parte do folclore do PT,
como afirmou o recém-eleito presidente do partido, Ricardo Berzoini. No
ano passado, Caetano Veloso me chamou de "abacaxi com caroço". Até
hoje não entendi o significado do apelido. Agora, no artigo para o blog,
ele declarou: "A glória de Mainardi contra Lula é merecida. Mainardi,
com seu cinismo que só serve para desembaraçar a cabeça de
quaisquer preocupações (ou inspirações) maiores, terminou
citando sempre dados majoritariamente comprováveis".
A primeira parte do comentário de Caetano Veloso eu entendo: "A glória
de Mainardi contra Lula é merecida". É verdade. Ele tem inteira
razão. Façam como ele: aplaudam-me. Reverenciem-me. Eu mereço.
Fico me jactando o tempo todo. Fico repetindo, dia e noite, há quatro meses,
que sou o maioral, que sou o bambambã, que sou o sabichão. Meus
familiares já não me suportam. Meus colegas de VEJA também
não. Atualmente, todos os colunistas, de toda a imprensa, atribuem-se o
mérito de ter alertado os leitores sobre a desonestidade de Lula e do PT.
Eu quero que saibam que guardo no arquivo do computador as provas do adesismo
de cada um deles. Os únicos que não caíram no golpe da quadrilha
lulista foram as "contrafações paulistas de Paulo Francis", como
diria Caetano Veloso. A segunda parte
do comentário de Caetano Veloso a meu respeito é bem mais enigmática.
Leiam-na novamente. Analisem-na com atenção. Que cinismo? Que desembaraço?
Que cabeça? Que preocupações (ou inspirações)
maiores? Que dados majoritários? Não tenho certeza, mas acho que
a intenção de Caetano Veloso era elogiar-me. Se o interpretei corretamente,
ele pretendia dizer que sou um bufão, mas um bufão que sempre diz
um monte de verdades. O fato é que Caetano Veloso não gosta de VEJA.
Mas ama Moby, Mangabeira Unger e Mainardi. Não sei se devo me sentir lisonjeado.
Moby é aquele músico que pediu perdão ao ditador venezuelano
Hugo Chávez pela eleição de George W. Bush. Mangabeira Unger
é aquele candidato presidencial que, recentemente, se filiou ao partido
da Igreja Universal e convidou José Dirceu a dar aulas em Harvard. Mainardi
é aquele humorista que quer derrubar Lula.
Mandei uma mensagem a Caetano Veloso. Perguntei-lhe o que de pior ele teria a
dizer sobre Lula. Se ele responder, publico aqui, na semana que vem, caso falte
um assunto melhor, como aconteceu nesta semana. |