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Edição 1 719 - 26 de setembro de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

POLÍTICA

Ministério técnico

FHC desistiu de vez de mexer no ministério no fim do ano. Mudará o que tiver de mudar em abril, quando os candidatos às eleições terão de se desincompatibilizar. A tendência é que os ministros sejam substituídos por seus secretários executivos. Será a hora e a vez de gente desconhecida do grande público, como Barjas Negri. Quem? Trata-se do braço direito de José Serra na Saúde.

 

ECONOMIA

O BC (quase) independente vem aí

Assim que outubro chegar, Aécio Neves põe em votação na Câmara um projeto que vai fazer a oposição chiar alto, muito alto. Se for aprovado, abre caminho para um dos sonhos de FHC neste fim de governo: nomear a diretoria do Banco Central para um mandato fixo. A oposição, PT à frente, explode de urticárias só de ouvir falar na possibilidade – que lhe tiraria, se vencer as eleições de 2002, a chance de nomear seu próprio alto comando do BC.

A portas fechadas

Um fechadíssimo encontro reuniu num convento do Rio de Janeiro empresários e executivos pesos pesados (como João Roberto Marinho e Philippe Reichstul), o ministro Pedro Malan e um seleto grupo de professores e ex-professores ilustres da PUC carioca. A idéia era discutir o Brasil após 2002. Falou-se de tudo, embora nada tenha vazado para o público externo. No fim das contas, além do pessimismo de André Lara Resende com a economia do país, o que chamou a atenção foi a preocupação com as empresas endividadas em dólar num momento em que a moeda americana não dá sinais de que vá parar de subir.

Ironias da guerra americana

O shopping paulistano Iguatemi registrou no dia 15 seu melhor sábado num mês de setembro, nos últimos quatro anos. Não, a economia não está decolando. A explicação do fenômeno: a classe média alta, o grosso dos consumidores do Iguatemi, está cancelando suas viagens ao exterior nos próximos meses e resolveu gastar por aqui mesmo. Os shoppings com perfil mais popular, entretanto, continuam na maré vazante.

 

A volta de Calmon de Sá

Ana Araujo
Calmon de Sá: agora, ele sorri

Ângelo Calmon de Sá quer começar a negociar com o BC o fim da liquidação do Econômico. Ele ainda deve 1,5 bilhão de reais ao BC, mas a conta tem caído entre 100 e 200 milhões de reais por mês sobretudo por causa da desvalorização da moeda. O BC também está interessado em encerrar o caso. Para isso, falta apenas um encontro com os liquidantes das agências do Econômico lá fora. O BC quer saber se ainda há motivos para continuar a busca por dinheiro do ex-banqueiro no exterior.

 

FUTEBOL

A vitória da TV

Definitivamente, o torcedor não tem mais a menor paciência para ir aos estádios de futebol. Concluída na semana passada, uma extensa pesquisa de opinião sobre o futebol brasileiro, feita pelo instituto Vox Populi para a CBF, revela os números da preguiça. De cada dez brasileiros, sete preferem ver os jogos de seus times pela TV. Mais: 56% não têm a menor vontade de pisar num estádio.

O número 1

A mesma pesquisa confirmou o Flamengo como o time de maior torcida do país: 18% dos brasileiros são rubro-negros, contra 13% que se disseram corintianos e 8% que torcem pelo Palmeiras.

 

JUDICIÁRIO

Justiça perdulária

O Judiciário paulista anda pedindo mais dinheirinho ao governador Geraldo Alckmin. Beleza. Pode ser que precise mesmo. O problema é quando se comparam seus gastos com outras despesas fundamentais. A Justiça consumiu 1,9 bilhão de reais no primeiro semestre. É mais do que São Paulo gastou com segurança pública e saúde juntas.

 

GENTE

Bin Laden atinge Welch

Osama bin Laden mirou no WTC mas também acertou, ainda que de raspão, em Jack Welch. O pontapé inicial do megalançamento da autobiografia de Welch seria no dia 11, de manhã, em Nova York. Claro que no dia seguinte os jornais americanos ignoraram o evento – tinham assuntos mais importantes para tratar. Resultado: a Warner, que pagou 7 milhões de dólares pelo livro e fez uma tiragem recorde de 1 milhão de exemplares, está com um mico nas mãos. No Brasil, a obra já está na terceira edição.

Nu, não

Há vários anos, Roberto Carlos recusa-se a cantar Quero que Tudo Vá para o Inferno por questões religiosas. O índex do rei ganhou mais um item desde a semana passada. Ele vetou a inclusão da canção Vou Ficar Nu para Chamar Sua Atenção, escrita por ele em 1970, no novo disco de Simone. Não quer que a música volte a ser cantada por ninguém – nem por ele próprio.

 

Colaborou Felipe Patury

 
 
   
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