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Claudio
de Moura Castro
Duelo de titãs"Linus
Torvalds enfrenta o
gigante Bill No início dos anos 70, um estudante de Harvard depara, em uma revista de eletrônica, com a foto do primeiro microcomputador. Inflama-se sua antiga paixão, e nasce o desafio de inventar um sistema operacional para tal máquina. Telefona para o inventor e comunica que já tinha o sistema pronto e iria visitá-lo. Ambos estavam blefando, pois o computador havia se incendiado (a foto era só da casca), e o sistema operacional, Bill Gates, o estudante, tampouco o havia feito. Mas, como dá tudo certo, esse caso foi um marco histórico.
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Mais adiante, dois garotos californianos, hippies de carteirinha, inventam
o Apple na garagem de um deles. Steve Jobs e Steve Wozniak criam o primeiro
computador pessoal com algum uso prático. As possibilidades técnicas
demonstradas pelos primeiros computadores pessoais se materializam em
um que resolve os problemas das pessoas em contraste com os monstros
mainframes, enormes servos das empresas.
A IBM se assusta com as aventuras da garotada e contrata Bill Gates para fazer o sistema operacional de seu primeiro Personal Computer (PC). Mais sabido que as velhas raposas da IBM, Gates retém os direitos de seu DOS e abre o sistema para outros fabricantes. Com isso, passa uma rasteira na colossal IBM, criando um império em torno de seus sistemas operacionais e da indústria de aplicativos.
Em 1984, com o Macintosh, voltam os dois Steve à luta, com um salto técnico, interface gráfica genial e grande sensibilidade estética no gabinete e nas telas. Somente no fim dos anos 90 o Windows se aproximaria do Mac em conveniência e facilidade. Mas, enquanto a Microsoft entrava nas empresas pelas mãos da IBM e pela competência do marketing, os hippies da Apple demonstravam extraordinária incúria administrativa, perdendo espaço para um produto inferior (fácil demonstrar, pois ao avançar o Windows aproxima-se do Mac).
Sobrevivia no imaginário popular o mito dos jovens destrambelhados, fazendo computadores em garagens. Gates, Jobs e Wozniak foram os heróis de uma geração. Mas mito é mito, e a realidade virou uma Microsoft dominante, aguerrida, competente e impiedosa em suas práticas comerciais. Uma empresa que transformava em carroças as maravilhas de três anos atrás e criava incompatibilidades nas versões novas de seus programas, conquistando um monopólio que freava a concorrência.
Reaparece, então, com roupas novas, outro ícone da cultura americana: a brutalidade da concorrência, cujo auge se dá no início do século XX. Um bom exemplo era Rockefeller, que levou à falência os produtores de petróleo da Pensilvânia ao recusar-lhes transporte em sua estrada de ferro.
Parecia que os inventores de garagem haviam virado relíquias de um passado romântico. Só que aí um estudante finlandês, um certo Linus Torvalds, cria um novo sistema operacional. O Linux põe a descoberto as maiores vulnerabilidades do Windows: as exigências descomunais de velocidade e memória e a instabilidade (o inevitável crash). Autos andam meses sem defeito, televisores anos e geladeiras décadas. Computadores não andam dias sem travar ou cometer atos execráveis. Mas o Linux não "dá pau", e, em vez de ser vendido, é um sistema aberto e de domínio público. Ainda tem arestas, e mexer em suas entranhas é tarefa inglória. Mas os grilos vão desaparecendo, e o produto vai sendo polido. Como servidores, já abocanharam 60% do mercado.
Linus Torvalds enfrenta o gigante Bill Gates, o garotão que no passado encarou a IBM. A juventude "plugada" torce por seu novo herói, e o culto do Linux se propaga. Mas o gigante não é tolo e usa todos os seus talentos para proteger seu mercado. O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, coleguinha de Bill em Harvard, desembarca no Brasil para uma megavenda de seus produtos às nossas escolas. Com o Linux rondando e até um projeto de "computador popular", não é hora para brincadeira. A Microsoft joga pesado. Tropeçamos na licitação? Alguém "barbeirou"? Não consegui saber. O importante é que o jogo não terminou, apesar de 1 a 0 para a Microsoft, pois abocanhou o mercado das escolas.
Claudio
de Moura Castro é economista (claudiomc@attglobal.net)
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