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Tales
Alvarenga
A
grande conspiração
"Pacto
nacional é
como terapia de casal.
Quando o marido convida a mulher para
salvar o casamento no consultório do
psicólogo, é porque o casamento já
acabou"
A dupla
formada pelo presidente Lula e pelo vice José Alencar lembra
a história do tenor vaiado ao fim de seu número. Aproxima-se
do microfone e previne: "Vocês me acharam ruim? Não
perdem por esperar. Aguardem o barítono". Quando o barítono
José Alencar entra em cena, o país fica aliviado de
ter na Presidência o tenor Luiz Inácio Lula da Silva,
que é mau cantor, mas não consegue ser tão
ruim como Alencar.
Na
semana passada, o PL, partido do vice, lançou um manifesto
à nação dizendo que o Brasil atravessa a mais
grave crise social de sua história. "No passado, crises sociais
provocadas pelo alto desemprego resultaram em opções
dramáticas dos povos. Alguns seguiram o caminho fascista
e nazista", afirma o documento. Alencar, que participou da composição
do manifesto, acha que chegou o momento de o governo optar por uma
política de crescimento, que deveria incluir controle de
capitais ou seja, barrar a fuga dos dólares daqueles
que investem no Brasil e que, presumivelmente, ficariam apavorados
com as medidas pregadas pelo vice e tentariam escapar com o dinheiro.
Alencar
é radical. Detesta a política de rigor com as contas
públicas aplicada pelo ministro Antonio Palocci, da Fazenda.
Quer que o governo baixe os juros, mesmo que Palocci considere isso
uma aventura perigosa neste momento. Alencar quer também
que o governo pare com essa história de economizar e gaste
dinheiro para fazer o Brasil crescer. O vice está de tal
forma irritado que, depois da divulgação do manifesto,
foi mais longe ainda numa entrevista. "O Brasil tem sido vítima
da sabotagem de uma coisa que se convencionou chamar de mercado",
disse ele. Pelo que se vê, Alencar não quer se livrar
apenas de Palocci. Ele quer também acabar com o mercado.
O que não faria um barítono desses caso viesse a ocupar
a Presidência em caráter definitivo?
Dias
antes, durante jantar com empresários em São Paulo,
o ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil, propôs
um pacto nacional contra uma crise mundial que, segundo ele, vem
por aí. Para Dirceu, a política econômica ortodoxa
do ministro Antonio Palocci não é suficiente para
enfrentar essa crise. Ninguém sabe se vai haver uma crise
internacional, nem sequer José Dirceu. Mesmo que venha a
crise, um membro do governo não deve sair por aí anunciando
desastres antes que eles aconteçam.
Falar
em pacto nacional também é inconveniente. Não
há nenhum motivo detectável para propor essa operação.
Mesmo que houvesse, ela não funcionaria. Muitos pactos foram
tentados no Brasil e todos acabaram em ridículo. Pacto nacional
é como terapia de casal. Quando o marido convida a mulher
para salvar o casamento no consultório do psicólogo,
é porque o casamento já acabou.
Minha
suspeita é que existe uma conspiração a favor
de Lula entre seus auxiliares. Barítono, soprano, contralto
e todos os integrantes do coro podem estar desafinando de propósito
para que o tenor Lula, por efeito de comparação, fique
parecendo mais competente. Essa hipótese explica os desentendimentos
entre os membros do governo e também as trapalhadas que eles
aprontam. É difícil acreditar que sejam tão
amadores a ponto de brigar tanto e de errar com tamanha eficiência.
Deve ser tudo fingimento, para realçar o desempenho do chefão.
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