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Música
O
fã-investidor
Como
o Marillion financiou seu novo
disco
com o dinheiro dos admiradores

Sérgio
Martins
LFI
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| O
vocalista da banda: bons nos negócios |
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Numa futura história do rock, é provável que
o Marillion não chegue a ganhar sequer uma nota de rodapé.
O quarteto inglês nunca foi original musicalmente. Ele surgiu
no começo dos anos 80 tocando rock progressivo um
estilo que já estava em coma e ainda hoje continua
nessa trilha. O grupo, no entanto, já fez por merecer um
verbete na história dos negócios musicais. Ele inventou
um curioso sistema para financiar seu trabalho. Funciona assim:
por meio da internet, os fãs da banda compram antecipadamente,
e por um preço levemente acima da tabela, um disco que só
ficará pronto dali a vários meses. Com o dinheiro
na mão, os músicos passam então a cuidar da
gravação, do marketing e da distribuição
do CD. O Marillion lançou a idéia em meados do ano
passado. Seus admiradores toparam bancá-lo e, no começo
deste mês, ele entregou às lojas o seu novo álbum,
Marbles. Como prêmio por sua confiança, os fãs-investidores
receberam uma edição especial do disco, com um CD
extra e um livreto de fotos. O Marillion, por sua vez, multiplicou
várias vezes os seus ganhos com direitos autorais, já
que não precisou contar com os serviços de uma grande
gravadora. Além disso, como boa parte da tiragem já
estava vendida antes mesmo de o disco existir, Marbles foi
parar no topo da parada inglesa. O grupo não sentia esse
gostinho desde 1985, quando a balada Kayleigh se transformou
num sucesso.
Em
tempos bicudos para o mercado fonográfico, os medalhões
pop têm se virado como podem para garantir seus rendimentos.
Há sete anos, o cantor inglês David Bowie inventou
um sistema de venda de ações de seu repertório.
Enquanto suas músicas antigas tocarem nas rádios e
as coletâneas de sucessos forem bem nas lojas, as ações
se manterão valorizadas. O americano Prince, por seu turno,
criou uma venda casada de ingressos de sua nova turnê e de
exemplares de seu novo disco, Musicology. A estratégia
levou o CD ao terceiro posto na parada americana, mas parte do público
chiou. Alguns casais que foram aos shows, por exemplo, reclamaram
de ter de ficar com dois discos quando um só lhes bastava
(e é claro que o preço do álbum está
embutido no preço do ingresso). Diante desses dois exemplos,
o modelo criado pelo Marillion chama atenção pela
simplicidade e também por estar apoiado nos laços
que já existem entre os artistas e seus fãs: quem
adora a banda compra uma espécie de cota na produção
de seu novo disco. "O que tem de artista veterano pedindo conselho
para a gente não está escrito. Eles adoraram", diz
o tecladista do Marillion, Mark Kelly.
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