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Música
Silêncio
na rede
Por
que baixar músicas pela internet
é uma aventura para
o brasileiro

Sérgio
Martins
Reginaldo Teixeira
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| A
apresentadora Diana
Bouth: ela ouve
no site e vai
atrás do CD |
Imagine
um brasileiro que, cansado de sua coleção de CDs,
resolva testar uma novidade: gravar uma música em seu computador
através da internet. A idéia lhe ocorreu ao saber
do sucesso do iTunes, o revolucionário site de venda de canções
criado pela Apple, fabricante dos computadores Macintosh. Lançado
em abril de 2003, em seus primeiros doze meses de funcionamento
o serviço vendeu 70 milhões de músicas nos
Estados Unidos. O internauta acessa o site e opta por uma faixa
do último disco do grupo OutKast, um dos mais procurados
pelos usuários do iTunes. Descobre então que é
impossível concluir a compra. Por causa do acordo entre a
Apple e as gravadoras que abastecem o site, só pode usar
o serviço quem mora nos Estados Unidos. Sem desanimar, o
internauta migra para o maior site brasileiro do gênero, o
iMusica, abastecido de canções das gravadoras BMG
e EMI. A BMG lança os discos do OutKast, e ele volta à
carga. Sem sorte, mais uma vez: o site brasileiro enfrenta várias
restrições para comercializar as criações
de artistas internacionais lançados por suas parceiras. O
internauta opta então por um artista nacional, o ministro
da Cultura Gilberto Gil. Mas aí descobre que só quatro
músicas do veterano estão disponíveis. Eis
aí um dos maiores problemas da venda de músicas on-line
no Brasil: a oferta limitada. São 60 000 faixas no iMusica
contra 700 000 no iTunes.
Se
o internauta comprar uma das canções de Gil, estará
se reunindo a uma minoria. De acordo com o QualiBest, um instituto
de pesquisa on-line, apenas 32% dos usuários brasileiros
de internet aceitam a idéia de pagar para "baixar" uma música.
E, desse grupo já restrito, somente 18% de fato realizam
a operação. Sua segunda alternativa é fugir
dos serviços pagos e explorar sites como o KaZaA, que oferecem
uma infinidade de músicas de graça e promovem a troca
de arquivos entre seus usuários. Mas atenção:
quem se aventura no KaZaA corre o risco de ver seu micro invadido
por anúncios indesejados e até coisas piores, como
vírus e programas espiões.
Desde
que o iTunes passou a operar, os Estados Unidos inauguraram um segundo
período na história da música na internet.
O primeiro período, que ainda não se esgotou totalmente,
foi de guerra entre serviços como o KaZaA e as grandes gravadoras,
que consideram que nesses sites seus produtos são pirateados.
Agora, as gravadoras se mostram dispostas a disponibilizar parcelas
cada vez maiores de seus catálogos na rede, enquanto um número
cada vez maior de usuários se dispõe a pagar pelas
músicas. O Brasil, no entanto, se mantém à
margem desse processo. Assim como não mergulhou fundo no
primeiro período (aqui, a pirataria que preocupa ainda é
a dos CDs), o país se mantém em compasso de espera
diante do segundo. "Todo mundo está aguardando para ver o
que acontece", diz Paulo Rosa, diretor-geral da Associação
Brasileira dos Produtores de Discos. Em outras palavras, as gravadoras
brasileiras não estão muito ansiosas para jogar os
trabalhos de seus principais artistas na rede. Quando o assunto
é música, portanto, o único internauta brasileiro
que tem boas chances de sair satisfeito de suas incursões
pela rede é aquele que se interessa pela cena alternativa.
A gravadora paulistana Trama, por exemplo, lançou um site
que divulga de graça artistas independentes. "Temos mais
de 1.300 nomes cadastrados", diz Carlos Eduardo Miranda, diretor
do projeto. Outra opção é fazer como a apresentadora
do Sportv Diana Bouth, que acessa rádios on-line dos Estados
Unidos para se inteirar das novidades na área do hip hop.
"Eu promovo festas de hip hop, e a internet me permite ficar antenada",
diz ela. Nessas rádios, só se podem ouvir as músicas.
Quando descobre alguma coisa de que realmente gosta, Diana compra
o CD.
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