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Cinema
Barril
de pólvora
Documentário
transforma a
vinicultura em tema explosivo
Divulgação
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| Vinicultor
francês da Borgonha: sob ameaça da Califórnia
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As
vinícolas do Vale do Napa, na Califórnia, estão
desfigurando não só o caráter de seu produto,
mas também o paladar dos consumidores, por difundir a "McDonaldização"
de uma arte milenar: é com esse tipo de denúncia que
o documentário Mondovino, exibido na semana
passada no Festival de Cannes, vem provocando polvorosa não
só entre críticos de cinema, mas também entre
conhecedores de vinho uma porção do público
que não costuma dar muita bola para as agitações
que tomam conta da Riviera Francesa em maio. O diretor de Mondovino,
o americano Jonathan Nossiter, diz que partiu de uma idéia
modesta. Sua intenção era apenas registrar o modo
de vida peculiar das famílias de vinicultores que trabalham
em pequenas propriedades, de forma artesanal, transmitindo seus
conhecimentos de geração em geração
para produzir bebidas preciosas. Rapidamente, porém, ele
se deu conta de que tinha uma matéria mais relevante a tratar
o desaparecimento de uma cultura a cada dia mais acuada pela
globalização e pela homogeneização que
essa impõe. Não à toa, a direção
do festival na última hora retirou o filme de uma mostra
paralela para colocá-lo entre os títulos em competição.
Para
demonstrar sua tese, Nossiter visitou vinhedos em diversos países,
e naturalmente percorreu o interior da França, onde a vinicultura
ainda subsiste nos velhos moldes. Mas tratou de contrastá-la
com as "fábricas" da Califórnia, que segundo ele despejam
no mercado bebidas sem nenhuma personalidade e, através de
sua força econômica, vêm formando conglomerados
igualmente impessoais na Austrália, na Itália e em
outros países. Nas palavras do diretor, seu filme trata na
verdade do que acontece "quando umas poucas pessoas concentram poder
em excesso". Nossiter dá à sua reportagem ares de
teoria conspiratória, e mexe em alguns vespeiros. Fariam
parte desse complô contra o bom vinho, ainda que involuntariamente,
enólogos influentes, cuja avaliação é
o que basta para celebrizar ou enterrar um rótulo. Por causa
desse tom político, Mondovino imediatamente ganhou
comparações com outro documentário polêmico,
Tiros em Columbine, que discorre sobre a obsessão
americana por armas de fogo. É um exagero, claro, mas tem
sua razão de ser: também Mondovino fala de
uma questão de vida ou morte no caso, não de
vidas humanas, mas de uma das mais belas invenções
da humanidade e a única outra coisa no mundo, segundo Nossiter,
tão complexa quanto o próprio homem.
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