Edição 1855 . 26 de maio de 2004

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Moda
Quentinhos e coloridos

Neste começo de inverno, cachecol
é obrigatório. Flores de tecido, também.
Às vezes, os dois juntos


Bel Moherdaui

 
Fotos Pedro Rubens
Enfeite-se: com seda, crochê, lurex, lã (com ou sem paetês) e com pétalas de brim amassado e molhado

O frio que chegou na última semana a boa parte do país tirou dos armários os tradicionais suéteres e casacos escuros. Desta vez, porém, dois complementos estão quebrando a mesmice do visual feminino: flores de tecido e, principalmente, cachecóis. Acessório essencial nas cidades de clima gelado, neste ano o cachecol reina absoluto nos trópicos, de preferência colorido (listrado, mesclado, estampado ou de uma cor só) e geralmente longo, muito longo – cerca de 2 metros de comprimento. "Você pode dar algumas voltas ou deixar uma ponta comprida, chegando até a coxa", sugere Claudia Zemel, diretora de produto da grife paulista Les Filós, que oferece sete variações (por enquanto). Se o frio não for tanto, entra em cena uma adaptação: o cachecol com camiseta ou até com regata. "O cachecol aquece, mas também enfeita", diz o estilista Marcelo Sommer, que, na sua versão para o pescoço dos modernos, pontilhou uma faixa de crochê com aplicações de hibiscos, antúrios e costelas-de-adão.

Além da lã, eventualmente bordada com paetês, há cachecóis de malha de tear, de tricô, de lurex e até de seda – o da Mixed, dourado, enorme, com babados suficientes para transformá-lo quase num jabô, custa 420 reais. Os broches de flores também vêm em tecidos variados – crochê, organza, brim, tweed –, no que seus criadores definem como uma "releitura moderna" da camélia eternizada por mademoiselle Coco Chanel. Na Permanente, segunda grife da estilista carioca Andrea Saletto, a flor, molhada e amassada para ficar "desconstruída", é o curinga da coleção – nos trinta pontos-de-venda, Andrea calcula que já foram comercializados 500 broches, a 62 reais cada um. Fenômeno parecido, em muito maior quantidade de cifrões, aconteceu com as camélias aramadas com strass da paulista Lita Mortari. Produzidas artesanalmente na Itália, as 100 peças (590 reais a grande) sumiram das lojas. "As flores de tecido começaram a acontecer na Europa há três anos, mas a brasileira, que nunca usou muito broche, ignorou. Desde março último, porém, a situação mudou", festeja Ana Carolina Alves, representante da grife britânica Accessorize no Brasil, que tem vinte peças com flores na loja.

 
 
 
 
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