Edição 1855 . 26 de maio de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
O prazer da gordura

Seu cérebro não está nem aí com
sua saúde. Ele gosta mesmo é de
hambúrguer com batata frita


Paula Neiva

EXCLUSIVO ON-LINE
Em Profundidade: Dietas e Obesidade

Cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram responder à pergunta que há muito intriga os gulosos: por que tudo o que engorda é bom? A resposta está no cérebro. Os cientistas descobriram que os alimentos ricos em gordura agem na mesma região cerebral ativada por estímulos prazerosos, como um carinho ou a inalação de um perfume: o córtex cingulado. Efeito semelhante acontece quando se consomem doces. O artigo foi publicado recentemente no Journal of Neuroscience, prestigiosa revista científica americana. "Essas informações podem ajudar na produção de alimentos mais saudáveis", diz o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo, um dos autores do estudo. Ou seja, com base nesses conhecimentos, a indústria de alimentos poderá vir a criar, por exemplo, um sorvete com pouquíssima gordura, mas que estimule o cérebro da mesma forma que um sorvete tradicional. Ao desvendar os mecanismos acionados pela ingestão de alimentos gordurosos, também pode-se chegar à criação de um medicamento que substitua os efeitos causados por esse tipo de comida no cérebro.

Para compreender a ação da gordura no córtex cerebral, os cientistas recorreram a exames de ressonância magnética funcional. Os voluntários beberam várias amostras de líquidos inodoros e incolores. Uma delas continha um óleo vegetal – e só essa amostra foi capaz de ativar a região cerebral relacionada aos estímulos prazerosos. A explicação mais razoável para justificar o fato de a gordura causar prazer é a de que o cérebro desenvolveu mecanismos para aumentar o consumo de comidas calóricas. Isso porque, na pré-história, caloria era sinônimo de sobrevivência (e, do ponto de vista cerebral, continua sendo). A descoberta pode ajudar a entender ainda por que algumas pessoas sentem uma necessidade maior de consumir comida gordurosa do que outras. Nelas, o córtex cingulado seria mais ativado pela gordura.

Spurlock: 11 quilos a mais depois de um mês à base de fast food

Os estudos sobre como a gordura é assimilada pelo organismo viraram prioridade em muitos centros de pesquisa. Afinal de contas, a obesidade é uma preocupação de saúde pública – e não apenas no Primeiro Mundo. Tanto que passou a ser tratada como epidemia. No Brasil, estima-se que haja em torno de 20 milhões de obesos. Nos Estados Unidos, onde a epidemia atinge 30% da população adulta, iniciou-se uma guerra contra os fast foods, apontados como um dos maiores vilões. Vieram à tona, por causa dessa cruzada, números impressionantes. Estima-se, por exemplo, que somente 20% dos freqüentadores de lanchonetes respondam por 60% das vendas no setor. Eles são os "heavy users" (consumidores pesados, a mesma terminologia aplicada a usuários de drogas). Para provar os efeitos deletérios da gordura, o americano Morgan Spurlock passou trinta dias alimentando-se exclusivamente de refeições vendidas em fast foods. Ganhou 11 quilos e teve seus níveis de colesterol incrivelmente alterados. O resultado pode ser comprovado no documentário Super Size Me, dirigido e protagonizado por Spurlock. O filme se tornou uma espécie de Sexta-Feira 13 para os "heavy users".

 
 
 
 
topo voltar