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Saúde
O
prazer da gordura
Seu
cérebro não está nem aí com
sua saúde. Ele gosta mesmo é de
hambúrguer com batata frita

Paula
Neiva
Cientistas
da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram responder
à pergunta que há muito intriga os gulosos: por que
tudo o que engorda é bom? A resposta está no cérebro.
Os cientistas descobriram que os alimentos ricos em gordura agem
na mesma região cerebral ativada por estímulos prazerosos,
como um carinho ou a inalação de um perfume: o córtex
cingulado. Efeito semelhante acontece quando se consomem doces.
O artigo foi publicado recentemente no Journal of Neuroscience,
prestigiosa revista científica americana. "Essas informações
podem ajudar na produção de alimentos mais saudáveis",
diz o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo, um dos autores
do estudo. Ou seja, com base nesses conhecimentos, a indústria
de alimentos poderá vir a criar, por exemplo, um sorvete
com pouquíssima gordura, mas que estimule o cérebro
da mesma forma que um sorvete tradicional. Ao desvendar os mecanismos
acionados pela ingestão de alimentos gordurosos, também
pode-se chegar à criação de um medicamento
que substitua os efeitos causados por esse tipo de comida no cérebro.
Para
compreender a ação da gordura no córtex cerebral,
os cientistas recorreram a exames de ressonância magnética
funcional. Os voluntários beberam várias amostras
de líquidos inodoros e incolores. Uma delas continha um óleo
vegetal e só essa amostra foi capaz de ativar a região
cerebral relacionada aos estímulos prazerosos. A explicação
mais razoável para justificar o fato de a gordura causar
prazer é a de que o cérebro desenvolveu mecanismos
para aumentar o consumo de comidas calóricas. Isso porque,
na pré-história, caloria era sinônimo de sobrevivência
(e, do ponto de vista cerebral, continua sendo). A descoberta pode
ajudar a entender ainda por que algumas pessoas sentem uma necessidade
maior de consumir comida gordurosa do que outras. Nelas, o córtex
cingulado seria mais ativado pela gordura.
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| Spurlock:
11 quilos a mais depois de um mês à base de fast food |
Os
estudos sobre como a gordura é assimilada pelo organismo
viraram prioridade em muitos centros de pesquisa. Afinal de contas,
a obesidade é uma preocupação de saúde
pública e não apenas no Primeiro Mundo. Tanto
que passou a ser tratada como epidemia. No Brasil, estima-se que
haja em torno de 20 milhões de obesos. Nos Estados Unidos,
onde a epidemia atinge 30% da população adulta, iniciou-se
uma guerra contra os fast foods, apontados como um dos maiores vilões.
Vieram à tona, por causa dessa cruzada, números impressionantes.
Estima-se, por exemplo, que somente 20% dos freqüentadores
de lanchonetes respondam por 60% das vendas no setor. Eles são
os "heavy users" (consumidores pesados, a mesma terminologia aplicada
a usuários de drogas). Para provar os efeitos deletérios
da gordura, o americano Morgan Spurlock passou trinta dias alimentando-se
exclusivamente de refeições vendidas em fast foods.
Ganhou 11 quilos e teve seus níveis de colesterol incrivelmente
alterados. O resultado pode ser comprovado no documentário
Super Size Me, dirigido e protagonizado por Spurlock. O filme
se tornou uma espécie de Sexta-Feira 13 para os "heavy
users".
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