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Turismo
O
chique do sertão
Pinturas
rupestres, animais exóticos
e até banho de represa: é o roteiro
da caatinga

Ariel Kostman
Eduardo Bagnoli
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Giovani Sergio
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imponente Pedra do Capacete e o sagüi (à dir.):
atrações do interior da Paraíba |
As
praias do Nordeste há muito se tornaram um destino favorito
de brasileiros em férias. A novidade é que se começa
agora a explorar na região outro tipo de turismo, levando
visitantes a um punhado de atrações encravadas no
agreste. Que ninguém se assuste: não é preciso
dormir em barracas ou andar várias horas com a mochila nas
costas para percorrer roteiros ainda pouco conhecidos como o sertão
do Cariri, na Paraíba, o Vale do Catimbau, em Pernambuco,
e o Lago de Xingó, em Sergipe. As excursões, que em
geral duram uma semana, são organizadas por agências
de viagens locais ou nacionais, a hospedagem é feita em hotéis
com os requisitos básicos de conforto e as refeições,
baseadas na culinária local, são caprichadas. "É
um ecoturismo light", define a paulistana Cristina Cestari, que
conheceu o Cariri com um grupo que incluía pessoas de 30
a 65 anos. "As caminhadas são leves e as paisagens, lindas",
ela relata.
Um
dos primeiros a organizar excursões ao sertão paraibano
de forma sistemática foi o geólogo Eduardo Bagnoli,
no fim dos anos 90. Empolgado com as imponentes formações
rochosas em meio à vegetação de caatinga, ele
criou uma pequena agência e começou a levar turistas,
a partir de Natal, no Estado vizinho do Rio Grande do Norte, para
conhecer as pedras do Capacete e do Ingá e o Lajedo do Pai
Mateus, uma elevação rochosa de 1 quilômetro
de comprimento cujo formato lembra uma imensa tigela invertida e
sobre a qual estão dispostos cerca de 100 imensos blocos
de granito. Levados por guias locais, os turistas podem conhecer
a paisagem da caatinga, com seus facheiros (espécie de cactos)
que atingem mais de 12 metros de altura, além de outras plantas
nativas, como quixabeiras, mulungus e mandacarus. Os visitantes
aprendem como seria sobreviver num ambiente inóspito obtendo
água e alimentos das plantas. Dependendo da quantidade de
chuva, formam-se pequenas piscinas naturais junto às pedras.
Com sorte, podem-se observar grupos de sagüis.
Álvaro Villela
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Eduardo Bagnoli
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cânion do Xingó, em Sergipe, e a Pedra do Ingá, no Cariri: a
beleza do Nordeste não é feita só de praias |
Ainda
no roteiro paraibano, na cidade de Areia fica o Museu da Rapadura,
que exibe a história do ciclo econômico da cana-de-açúcar.
Na região, os turistas se hospedam num hotel-fazenda com
piscina e ar-condicionado nos quartos. Lá é preparado
o bode no buraco, um cabrito ensopado em panela de ferro e colocado
sobre brasas depositadas sob o chão. "Dos cerca de 2.000
turistas que já levei ao Cariri, mais de 90% são estrangeiros,
principalmente europeus", diz Bagnoli, que hoje mantém um
acordo com a operadora de viagens da TAM. O pacote de sete noites,
incluindo três dias no sertão paraibano e quatro no
litoral potiguar, em Natal e na Praia da Pipa, custa 2.998
reais (partindo de São Paulo).
Outra
opção para quem quer conhecer a caatinga é
o roteiro chamado de Sertão Pernambucano. Dura cinco noites,
passa por cachoeiras, pelo Pico do Papagaio o ponto mais
alto de Pernambuco, com 1.200 metros
de altura, que é escalado em parte por uma trilha
e pelo local onde nasceu Lampião. Em Serra Talhada, visita-se
o Museu do Cangaço, com fotografias, objetos e documentos
sobre o tema. À noite, os turistas assistem a apresentações
de um grupo de xaxado e de um trio de forró. No último
dia, a atração é o passeio pelo Vale do Catimbau,
um parque arqueológico com grutas, cavernas, inscrições
rupestres e cemitérios indígenas. A partir do Recife,
custa 1.595 reais por pessoa.
Partindo-se
de Aracaju, há um pacote que inclui passeios na região
de Canindé de São Francisco, onde fica o Lago de Xingó.
O lago resultou da construção de uma usina hidrelétrica
que inundou uma área de 65 quilômetros quadrados. O
ponto alto do programa é um passeio de escuna ou catamarã
pelos cânions de até 50 metros de altura formados pelas
águas do Rio São Francisco. Outras atrações
da região são o Museu de Arqueologia de Xingó,
que conta a história da ocupação da região
há 9 000 anos, e o Parque Temático da Caatinga, com
trilhas ecológicas que permitem conhecer a flora e a fauna
do sertão. O pacote de sete noites, partindo de São
Paulo, sai por 978 reais. "As pessoas sempre querem conhecer lugares
novos", diz Cleyton Armelin, diretor comercial da agência
de viagens CVC. "Por isso, criamos uma gerência comercial
específica para buscar novos destinos dentro do Brasil",
ele completa. Quem quiser se aventurar, que prepare o chapéu
de couro e o gibão.
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