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Venezuela
"O
Estado sou eu"
Chávez
agora quer cassar a cidadania
de jornalistas que criticam seu governo
AP
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| Chávez:
campanha para intimidar a oposição e impedir o plebiscito para
encurtar seu mandato |
Irritado
com críticas a sua atuação, o presidente pretende
expulsar o jornalista do país. Não, não se
está falando de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua
frustrada tentativa de cassar o visto do correspondente estrangeiro
que escreveu sobre seus, como diz o Palácio do Planalto,
"hábitos sociais". O presidente em questão é
o venezuelano Hugo Chávez. De modo bem diferente de seu colega
brasileiro, ele não quer punir um repórter estrangeiro
incômodo e, sim, cassar a nacionalidade de jornalistas venezuelanos
que lhe fazem oposição. O pedido de retirada da cidadania
já foi aprovado pela Assembléia Nacional, onde o truculento
presidente tem folgada maioria, e encaminhado à Justiça.
Como nasceram no exterior e se naturalizaram venezuelanos, os dois
jornalistas ameaçados podem ser expulsos do país.
O plano original de Chávez era incluir no pacote dois venezuelanos
natos o popular comentarista político Napoleón
Bravo e o empresário Gustavo Cisneros, dono da rede de TV
Venevision, a maior da Venezuela , mas ele acabou dissuadido
diante da dificuldade de retirar a cidadania de pessoas nascidas
no país.
AP
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| Em
campanha: todo o poder a Chávez |
O motivo alegado pelo governo é "traição à
pátria" assim, como se o governante e a pátria
fossem uma mesma entidade. A acusação, escreveu um
jornal venezuelano, só faria sentido se Hugo Chávez
fosse o rei francês Luís XIV, aquele que dizia "o Estado
sou eu". O presidente parece empenhado em elevar a tensão
política e intimidar a oposição. Nesta semana,
os venezuelanos deverão confirmar suas assinaturas no abaixo-assinado
que pede a convocação de um plebiscito para encurtar
o mandato do presidente. Se a oposição obtiver o mínimo
de 2,4 milhões de assinaturas, o plebiscito será em
agosto. Há um mês, Chávez conseguiu aprovar
uma lei na Assembléia Nacional que aumenta o número
de juízes da Suprema Corte de Justiça. Com a possibilidade
de nomear novos juízes, ele praticamente assegurou as vitórias
do governo em decisões judiciais de última instância.
Um
confuso episódio envolvendo um grupo de 100 colombianos detidos
numa propriedade rural na periferia de Caracas, no início
do mês, também serviu de pretexto para Chávez
fustigar a oposição. O governo venezuelano alega que
os detidos eram mercenários contratados por oposicionistas
para derrubar o governo. Não foram encontradas armas com
o grupo e o próprio governo admitiu que muitos dos supostos
mercenários eram agricultores recrutados na fronteira com
a promessa de emprego. O episódio ainda está sob investigação,
mas Chávez rapidamente denunciou uma "conspiração
internacional" envolvendo os governos da Colômbia e dos Estados
Unidos. Logo em seguida, a polícia venezuelana invadiu residências
de vários oposicionistas em busca de provas, incluindo a
do ex-presidente Carlos Andrés Perez. Na semana passada,
insistindo na tese conspiratória, o presidente venezuelano
empenhou-se na criação de milícias populares
para defender seu governo. Trata-se da mesma iniciativa adotada
por Fidel Castro nos primeiros anos da Revolução Cubana.
Chávez parece ter buscado inspiração em quem
tem experiência para se eternizar no poder.
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