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Iraque
Descida
ao inferno
Ocaso
de Chalabi, aposta de Bush
para o lugar de Saddam, atesta o
fiasco americano no Iraque

José
Eduardo Barella
AP
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| Fotos
de vítimas de míssil americano que atingiu festa de casamento
no Iraque: uma guerra de imagens |
A invasão
do Iraque é uma descida ao inferno em muitos sentidos. A
soldadesca americana desembarcou no país acreditando ser
o mocinho da história. Esperava ser recebida como libertadora
por um povo agradecido. A realidade é diferente. A Casa Branca
parece não ter levado em conta as tensões sociais,
étnicas e religiosas que esperavam suas tropas no Iraque.
Em lugar do estabelecimento automático de um regime democrático
que serviria de modelo para o Oriente Médio, há caos,
resistência armada e soldados que se comportam de forma torpe.
O conflito no Iraque é uma guerra de imagens, mais do que
de armas. As fotos dos abusos na prisão de Abu Ghraib são
um choque para a opinião pública americana e também
para a árabe. A imagem dos americanos ficou ainda mais prejudicada
na semana passada, depois que um helicóptero militar disparou
um míssil contra uma festa de casamento num vilarejo remoto,
perto da fronteira com a Síria. Morreram 45 pessoas, muitas
delas mulheres e crianças. Como é comum no mundo árabe,
os convidados festejavam com disparos para o ar. Os militares, que
desconhecem os costumes locais, acharam que estavam sendo atacados.
AFP
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| Foto
de Chalabi danificada na invasão de sua casa |
A descida ao inferno de Ahmed Chalabi, o milionário iraquiano
que já foi a alternativa preferida do Pentágono para
assumir o poder no Iraque, seguiu a trajetória percorrida
pela intervenção americana no Iraque. Tanto um quanto
outro geraram expectativas exageradas, com resultados desastrosos.
Antes da invasão, Chalabi iludiu a Casa Branca com relatórios
equivocados ou falsos de desertores sobre as armas de destruição
em massa de Saddam. E garantiu que não haveria resistência
por parte da população iraquiana à ocupação
militar. Ele estava de olho, obviamente, nas vantagens que obteria
com a derrubada do ditador. Mesmo assim, ao planejar a queda de
Saddam, o Pentágono preferiu dar crédito às
informações do exilado em vez de seguir os relatórios
menos otimistas dos serviços de informação.
Nos
últimos quatro meses, ele passou de salvador da pátria
a bode expiatório dos erros estratégicos americanos
no Iraque. Na quarta-feira passada, soldados americanos e policiais
iraquianos invadiram sua casa, reviraram gavetas, destruíram
móveis e prenderam quinze colaboradores do milionário
sob a acusação de envolvimento com fraude e seqüestro.
Como o Pentágono pode dar tal crédito a um mentiroso?
De 1998 para cá, o governo americano passou 40 milhões
de dólares ao Congresso Nacional Iraquiano, a organização
de Chalabi. Apesar de suas mentiras terem sido desmascaradas, ele
só caiu em desgraça depois de começar a criticar
publicamente a Casa Branca. Para piorar, ele foi procurar o apoio
dos aiatolás do Irã, os piores inimigos dos Estados
Unidos na região.
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