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Oriente
Médio
Sem
rumo em Gaza
Israel
ataca e mata dezenas de
palestinos no território. Mas não
deveria estar se retirando de lá?
AP
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| Polícia
retira colonos judeus à força de assentamento
irregular na Cisjordânia e crianças feridas na
ofensiva em Gaza: caos em toda parte |
Nem
os israelenses entendem o que acontece em Israel. O primeiro-ministro
Ariel Sharon anunciou a intenção de retirar os colonos
e as tropas israelenses da Faixa de Gaza, plano que tem o apoio
do presidente americano George W. Bush, da União Européia,
da Rússia, das Nações Unidas e, implicitamente,
do líder palestino Iasser Arafat. Apesar de estar teoricamente
de saída, na semana passada seu Exército se embrenhou
em uma operação devastadora em campos de refugiados
na fronteira de Gaza com o Egito. O resultado foram milhares de
desabrigados e dezenas de mortos, na maioria civis. Dias antes,
Israel tinha perdido treze soldados em veículos destruídos
por explosivos instalados por palestinos. Se a ocupação
da Faixa de Gaza, território que Israel tomou na guerra de
1967, está com os dias contados, em nome de que está
morrendo tanta gente?
Uma
explicação é que, com dificuldade para vender
seu plano de retirada de Gaza aos membros de seu próprio
partido, o Likud, Sharon quisesse fazer uma exibição
de força, como quem diz: "Nós vamos sair, mas não
pensem que isso significa que fomos derrotados". A regra do olho
por olho, dente por dente, que vigora no conflito entre árabes
e judeus, dá mostras de ter chegado a um nível insuportável.
Há duas semanas, 150.000 israelenses foram às ruas
em Tel-Aviv para apoiar a retirada de Gaza, onde moram 7.000 colonos
judeus e 1,3 milhão de palestinos. O número de colonos
é pequeno demais para justificar o custo financeiro e político
da ocupação militar na região.
As
principais lideranças internacionais concordam que a solução
do conflito está na criação de um Estado palestino
independente nos territórios ocupados. O mais difícil
é convencer Israel a sair da Cisjordânia, onde vivem
230.000 colonos. Na semana passada, a tentativa de soldados israelenses
de destruir um assentamento ilegal na região acabou em quebra-pau.
O plano de Sharon prevê a manutenção das principais
colônias judaicas da área, para desgosto dos palestinos.
A retirada de Gaza também sofre entraves. O primeiro-ministro
teme que, assim que completar a retirada de Gaza, a região
se torne uma base para que militantes árabes lancem ofensivas
contra Israel. Por isso, a estratégia de Sharon é
manter uma estreita faixa de segurança na fronteira entre
o Egito e o território palestino. Isso inclui desalojar as
pessoas que moram perto da fronteira e cortar o contrabando de armas
por túneis subterrâneos.
Israel
tem o direito de se defender dos propósitos bélicos
dos extremistas árabes, que adorariam riscar o Estado judeu
do mapa do Oriente Médio. O difícil é entender
o que isso tem a ver com as atrocidades cometidas em Gaza na semana
passada. A destruição das moradias próximas
à fronteira é um pesadelo que se repete para famílias
que perderam suas casas no que hoje é o território
israelense, com a criação do Estado de Israel, há
56 anos, e foram obrigadas a se refugiar na Faixa de Gaza. Na semana
passada, 2 000 dos 140 000 habitantes de Rafah estavam desabrigados.
Revoltadas, 3 000 pessoas iniciaram uma manifestação
que foi dispersada pelos israelenses com tiros de canhão,
um míssil disparado por um helicóptero e rajadas de
metralhadora. Morreram dez pessoas, incluindo crianças. Os
porta-vozes do Exército de Israel disseram que os disparos
não foram direcionados contra a multidão. Pouco importa.
O fato é que, quando se faz uma operação militar
em meio a uma área residencial densamente povoada, como é
Rafah, o resultado só pode ser desastroso.
As
duas expressões mais usadas pelos comandantes israelenses
para explicar a intervenção em Rafah eram "homens
armados" e "túneis de contrabando". Os homens armados eram
militantes árabes que se misturavam aos manifestantes pacíficos
carregando fuzis. As armas chegaram ali pelos túneis que
atravessam, por baixo da terra, a fronteira do Egito com Gaza. Esses
túneis não são utilizados apenas para traficar
armas. Eles têm uma função econômica importante
para os moradores de Gaza. Ali se contrabandeiam remédios,
comida, cigarros e material de higiene, produtos que, se fossem
comprados em Gaza, seriam muito mais caros. É uma espécie
de Ponte da Amizade do Oriente Médio.
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