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Presidência
A
última do Alencar
O
vice-presidente e o PL insistem
no terrorismo populista contra
a política econômica
O
que é um bom vice-presidente? Aquele que tem alguma coisa
na cabeça, mas só fala em público as platitudes
exigidas pelo cargo decorativo. Um sujeito, enfim, que possa servir
de interlocutor especial ao presidente. Marco Maciel, segundo de
FHC, era assim. O que é um vice-presidente indolor? Aquele
que não tem nada na cabeça, mas só recita as
platitudes exigidas pelo cargo decorativo. Itamar Franco, segundo
de Fernando Collor, tinha esse figurino. O que é um mau vice-presidente?
Aquele que não tem nada na cabeça, mas insiste em
proferir toda sorte de bobagens. É o caso de José
Alencar, segundo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele e seu
partido, o PL, continuam a fazer terrorismo com a equipe econômica
do governo. A última do Alencar e da agremiação
a que pertence foi divulgar um manifesto delirante.
O
documento, se é possível chamá-lo dessa forma,
começa dizendo que "a estabilidade social está comprometida
e, caso essa situação não seja revertida no
curto prazo, a própria estabilidade política corre
risco". O que gerou essa crise? "A política econômica
aprofundada no atual governo." Qual é a saída? "A
redução do superávit" das contas públicas,
"aumentando o dispêndio público sem aumentar a carga
tributária". Por que Alencar não vira logo mágico
e tira uns coelhinhos da cartola? Tirar bichinhos da cartola é
bem mais fácil, convenhamos, do que fazer o governo gastar
mais, sem aumentar os impostos e ainda reduzindo os juros. O vice
e seu pessoal são tão atualizados em matéria
econômica que pregam uma "política de pleno emprego,
nos moldes das praticadas durante o New Deal e no pós-guerra
pelos países industrializados avançados". Pois é,
cada um tem o Roosevelt que merece. Tudo demagogia, evidentemente.
Ninguém é a favor de juros altos nem de desemprego.
Mas política econômica tem de ser feita com realismo,
não com idealismo ou seu correlato brasileiro, o populismo.
Como
se não bastasse, na divulgação do manifesto
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, acusou o presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, de ser "o maior sabotador da economia".
Alencar, que orientou o texto e corrigiu seu rascunho, não
botou água na fervura. "Não assinei o manifesto, mas
assinaria. Não vou deixar o Valdemar na mão", disse
a VEJA. Que vice, hein, Lula? O autor do besteirol é o economista
e jornalista mineiro José Carlos de Assis, amigo de Alencar
há vinte anos. O vice-presidente transformou-o no ideólogo
do PL. A turma liberal banca a louca, mas não rasga dinheiro.
O que ela quer é aumentar seu preço na base de apoio
do governo. Para mostrar sua força, o PL até o momento
reluta em apoiar a reeleição da prefeita de São
Paulo, Marta Suplicy. Nessa estratégia, não está
descartado nem acenar com a candidatura de José Alencar a
presidente em 2006. Costa Neto disse a dois deputados ouvidos por
VEJA que Alencar será "candidato a presidente". O vice nega.
"Quero que Lula faça o melhor governo possível e seja
reeleito", afirma Alencar. Conversa estranha de gente esquisita.
Dida Sampaio/AE
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| José
Alencar: que tal virar mágico e tirar coelhos da cartola? |
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