Edição 1855 . 26 de maio de 2004

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Presidência
A última do Alencar

O vice-presidente e o PL insistem
no terrorismo populista contra
a política econômica

O que é um bom vice-presidente? Aquele que tem alguma coisa na cabeça, mas só fala em público as platitudes exigidas pelo cargo decorativo. Um sujeito, enfim, que possa servir de interlocutor especial ao presidente. Marco Maciel, segundo de FHC, era assim. O que é um vice-presidente indolor? Aquele que não tem nada na cabeça, mas só recita as platitudes exigidas pelo cargo decorativo. Itamar Franco, segundo de Fernando Collor, tinha esse figurino. O que é um mau vice-presidente? Aquele que não tem nada na cabeça, mas insiste em proferir toda sorte de bobagens. É o caso de José Alencar, segundo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele e seu partido, o PL, continuam a fazer terrorismo com a equipe econômica do governo. A última do Alencar e da agremiação a que pertence foi divulgar um manifesto delirante.

O documento, se é possível chamá-lo dessa forma, começa dizendo que "a estabilidade social está comprometida e, caso essa situação não seja revertida no curto prazo, a própria estabilidade política corre risco". O que gerou essa crise? "A política econômica aprofundada no atual governo." Qual é a saída? "A redução do superávit" das contas públicas, "aumentando o dispêndio público sem aumentar a carga tributária". Por que Alencar não vira logo mágico e tira uns coelhinhos da cartola? Tirar bichinhos da cartola é bem mais fácil, convenhamos, do que fazer o governo gastar mais, sem aumentar os impostos e ainda reduzindo os juros. O vice e seu pessoal são tão atualizados em matéria econômica que pregam uma "política de pleno emprego, nos moldes das praticadas durante o New Deal e no pós-guerra pelos países industrializados avançados". Pois é, cada um tem o Roosevelt que merece. Tudo demagogia, evidentemente. Ninguém é a favor de juros altos nem de desemprego. Mas política econômica tem de ser feita com realismo, não com idealismo – ou seu correlato brasileiro, o populismo.

Como se não bastasse, na divulgação do manifesto Valdemar Costa Neto, presidente do PL, acusou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de ser "o maior sabotador da economia". Alencar, que orientou o texto e corrigiu seu rascunho, não botou água na fervura. "Não assinei o manifesto, mas assinaria. Não vou deixar o Valdemar na mão", disse a VEJA. Que vice, hein, Lula? O autor do besteirol é o economista e jornalista mineiro José Carlos de Assis, amigo de Alencar há vinte anos. O vice-presidente transformou-o no ideólogo do PL. A turma liberal banca a louca, mas não rasga dinheiro. O que ela quer é aumentar seu preço na base de apoio do governo. Para mostrar sua força, o PL até o momento reluta em apoiar a reeleição da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Nessa estratégia, não está descartado nem acenar com a candidatura de José Alencar a presidente em 2006. Costa Neto disse a dois deputados ouvidos por VEJA que Alencar será "candidato a presidente". O vice nega. "Quero que Lula faça o melhor governo possível e seja reeleito", afirma Alencar. Conversa estranha de gente esquisita.

 
Dida Sampaio/AE
José Alencar: que tal virar mágico e tirar coelhos da cartola?

 

 
 
 
 
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