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Carta
ao leitor
O
compromisso com o leitor
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| Reportagens
de VEJA que apontaram irregularidades, corrupção, erros ou mentiras
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Com
freqüência os meios de comunicação utilizam
em suas reportagens informações que lhes são
passadas por fontes que preferem manter-se no anonimato. Em muitas
ocasiões VEJA valeu-se desse recurso para sustentar os compromissos
de manter seus leitores bem informados e de servir de instrumento
de vigilância contra irregularidades, corrupção,
erros ou mentiras. Nesta edição, a revista publica
uma reportagem que nasceu e foi construída em boa parte com
base em documentos cedidos por pessoas cuja identidade deve ser
preservada. A reportagem, levantada em Brasília pelo repórter
Alexandre Oltramari, revela os bastidores de funcionamento de uma
organização não-governamental (ONG) criada
e mantida por petistas de alto coturno. O trabalho do jornalista
de VEJA mostra que a entidade desviou pelo menos 1 milhão
de reais de dinheiro público, usou notas frias, empresas-fantasmas
e outras aberrações financeiras típicas de
negócios que não podem ser conduzidos à luz
do dia.
A
ONG dos petistas denomina-se Ágora e tem como principal dirigente
Mauro Dutra, amigo, anfitrião e arrecadador de campanha do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Homem rico, Dutra tem
fazendas e um avião bimotor pressurizado King Air, que Lula
utilizou algumas vezes em campanhas eleitorais. Durante algum tempo
a Ágora teve como sócio e conselheiro outro expoente
do petismo, Swedenberger Barbosa, ex-secretário de governo
do então governador Cristovam Buarque. Atualmente ele ocupa
o posto de secretário executivo da Casa Civil, o que o torna
o segundo homem mais importante daquele ministério, abaixo
apenas de seu chefe, José Dirceu. VEJA traz também
nesta edição um perfil de Seymour Hersh, de 67 anos,
o repórter americano que 35 anos atrás noticiou pela
primeira vez na imprensa o massacre de My Lai, a grande derrota
moral dos Estados Unidos no Vietnã, cuja revelação
apressaria o fim da intervenção militar na Indochina.
Hersh voltou a ficar em evidência recentemente pelas reportagens
inéditas sobre a tortura de presos iraquianos por tropas
americanas. Entrevistado por Diogo Schelp, de VEJA, Hersh defendeu
o uso de fontes anônimas: "Muitas vezes as pessoas relatam
crimes ou revelam segredos do governo. Identificá-las não
torna a notícia mais confiável".
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