Edição 1855 . 26 de maio de 2004

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Reportagens de VEJA que apontaram irregularidades, corrupção, erros ou mentiras

Com freqüência os meios de comunicação utilizam em suas reportagens informações que lhes são passadas por fontes que preferem manter-se no anonimato. Em muitas ocasiões VEJA valeu-se desse recurso para sustentar os compromissos de manter seus leitores bem informados e de servir de instrumento de vigilância contra irregularidades, corrupção, erros ou mentiras. Nesta edição, a revista publica uma reportagem que nasceu e foi construída em boa parte com base em documentos cedidos por pessoas cuja identidade deve ser preservada. A reportagem, levantada em Brasília pelo repórter Alexandre Oltramari, revela os bastidores de funcionamento de uma organização não-governamental (ONG) criada e mantida por petistas de alto coturno. O trabalho do jornalista de VEJA mostra que a entidade desviou pelo menos 1 milhão de reais de dinheiro público, usou notas frias, empresas-fantasmas e outras aberrações financeiras típicas de negócios que não podem ser conduzidos à luz do dia.

A ONG dos petistas denomina-se Ágora e tem como principal dirigente Mauro Dutra, amigo, anfitrião e arrecadador de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Homem rico, Dutra tem fazendas e um avião bimotor pressurizado King Air, que Lula utilizou algumas vezes em campanhas eleitorais. Durante algum tempo a Ágora teve como sócio e conselheiro outro expoente do petismo, Swedenberger Barbosa, ex-secretário de governo do então governador Cristovam Buarque. Atualmente ele ocupa o posto de secretário executivo da Casa Civil, o que o torna o segundo homem mais importante daquele ministério, abaixo apenas de seu chefe, José Dirceu. VEJA traz também nesta edição um perfil de Seymour Hersh, de 67 anos, o repórter americano que 35 anos atrás noticiou pela primeira vez na imprensa o massacre de My Lai, a grande derrota moral dos Estados Unidos no Vietnã, cuja revelação apressaria o fim da intervenção militar na Indochina. Hersh voltou a ficar em evidência recentemente pelas reportagens inéditas sobre a tortura de presos iraquianos por tropas americanas. Entrevistado por Diogo Schelp, de VEJA, Hersh defendeu o uso de fontes anônimas: "Muitas vezes as pessoas relatam crimes ou revelam segredos do governo. Identificá-las não torna a notícia mais confiável".

 
 
 
 
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