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Cinema
O superaraponga
Em Hollywood, só se fala no homem
que grampeava graúdos
Um escândalo que deve ir a julgamento na próxima
semana em Los Angeles mostra que, em matéria de invasão
de privacidade, o caseiro Francenildo anda em companhia ilustre.
O assunto do momento no mundinho do cinema é um detetive
particular de nome Anthony Pellicano, com mais de duas décadas
de serviços prestados a poderosos de Hollywood e,
como se descobriu, igual tempo de achaques que fariam orgulho à
tropa de choque do PT. O trabalho de Pellicano era igual ao de muitos
outros arapongas: garimpar informações para auxiliar
advogados ou clientes "civis", numa lista que vai de Steven Spielberg
e Kevin Costner a Bill Clinton. Pellicano, porém, montou
uma vasta rede de escutas ilegais, que usava também para
comprometer pessoas famosas. Há alguns anos, por exemplo,
ele se aproximou do estreladíssimo advogado Bert Fields para
dizer que um ator pornô tinha "coisas" a revelar sobre Tom
Cruise. Outro advogado que se valeu dele foi Dennis Wasser, que
também já trabalhou para Cruise. Sabe-se que em pelo
menos duas ocasiões policiais entrevistaram o astro (aliás,
livre de qualquer acusação). Há indícios
de que muitos graúdos tenham se servido da falta de escrúpulos
de Pellicano, como o superagente Mike Ovitz e o cineasta John McTiernam,
de Duro de Matar, que admitiu tê-lo contratado para
grampear o produtor de um filme que dirigiu. É a democracia
aplicada à falta de escrúpulos: de humildes caseiros
ao maior astro do planeta, sobra para todo mundo.
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