Edição 1953 . 26 de abril de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cinema
O superaraponga

Em Hollywood, só se fala no homem
que grampeava graúdos

Um escândalo que deve ir a julgamento na próxima semana em Los Angeles mostra que, em matéria de invasão de privacidade, o caseiro Francenildo anda em companhia ilustre. O assunto do momento no mundinho do cinema é um detetive particular de nome Anthony Pellicano, com mais de duas décadas de serviços prestados a poderosos de Hollywood – e, como se descobriu, igual tempo de achaques que fariam orgulho à tropa de choque do PT. O trabalho de Pellicano era igual ao de muitos outros arapongas: garimpar informações para auxiliar advogados ou clientes "civis", numa lista que vai de Steven Spielberg e Kevin Costner a Bill Clinton. Pellicano, porém, montou uma vasta rede de escutas ilegais, que usava também para comprometer pessoas famosas. Há alguns anos, por exemplo, ele se aproximou do estreladíssimo advogado Bert Fields para dizer que um ator pornô tinha "coisas" a revelar sobre Tom Cruise. Outro advogado que se valeu dele foi Dennis Wasser, que também já trabalhou para Cruise. Sabe-se que em pelo menos duas ocasiões policiais entrevistaram o astro (aliás, livre de qualquer acusação). Há indícios de que muitos graúdos tenham se servido da falta de escrúpulos de Pellicano, como o superagente Mike Ovitz e o cineasta John McTiernam, de Duro de Matar, que admitiu tê-lo contratado para grampear o produtor de um filme que dirigiu. É a democracia aplicada à falta de escrúpulos: de humildes caseiros ao maior astro do planeta, sobra para todo mundo.

 
 
 
 
topovoltar