Edição 1953 . 26 de abril de 2006

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Nem com rum

A bizarra história de piratas
de Marlon Brando

 

Murray Garret/Getty Images
Marlon Brando: literatura muito barata

O romance Fan-Tan (tradução de Santiago Nazarian; Nova Fronteira; 256 páginas; 29,90 reais), lançado agora no Brasil, só está nas livrarias por causa de um nome: Marlon Brando. Ninguém pensaria em publicá-lo se não fosse assinado por um dos maiores ícones cinematográficos de todos os tempos (que o obscuro cineasta Donald Cammell seja co-autor é irrelevante). Escrito nos anos 80 e só publicado em 2005 – um ano depois da morte do ator –, Fan-Tan é uma história de piratas, cheia de lances de aventura em praias exóticas. Ficção assumidamente barata, mas que ninguém quer comprar. Afinal, quem ainda lê romances de pirata? Consta que a história foi pensada como argumento para um filme, que no entanto nunca foi realizado. Ficou como uma dessas bizarrias que só interessam aos fãs mais descabelados – mais ou menos como acontece com os livros de outro ator-autor, Ethan Hawke, ou com romances como A Balconista, de Steve Martin. Se o leitor curioso desejar uma amostra do estilo de Brando e Cammell, pode ir direto à página 226, quando o herói do livro acorda sentindo um odor "doce como rosas e podre como a morte" – e então descobre que sua amante defecou em seu peito. Não, não é O Último Tango em Paris.

 
 
 
 
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