Edição 1953 . 26 de abril de 2006

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Guia
Querem mudar o á-bê-cê

O péssimo desempenho do Brasil nas avaliações
nacionais e estrangeiras que medem a capacidade
de leitura e de escrita dos estudantes levou o Ministério
da Educação (MEC) a questionar oficialmente a eficiência
do modelo de alfabetização mais aplicado no país:
o construtivismo, teoria sobre o aprendizado criada
pelo suíço Jean Piaget na década de 20 e implantada
por escolas brasileiras nos anos 80.


Monica Weinberg

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Os modelos de alfabetização

O debate lançado pelo MEC poderá resultar numa mudança das diretrizes a partir das quais as escolas elaboram seus currículos. Há chances, portanto, de um regresso ao tradicional método fônico – aquele das velhas cartilhas que ensinam o bê-á-bá –, atualmente restrito a uma porção pequena das escolas. Tal movimento já ocorreu em diversos países, como os Estados Unidos e a França. Eles se basearam em pesquisas que comprovaram ser o método fônico o mais eficaz na alfabetização de crianças.

VEJA ouviu especialistas que têm como objeto de estudo os vários métodos de ensino. Eles concordam que o modelo fônico é, em geral, mais eficiente do que o construtivista. Os educadores observam que, no caso brasileiro, a aplicação do construtivismo é ainda mais difícil, uma vez que pressupõe que cada criança dite o ritmo do próprio aprendizado – isso num país onde 90% dos estudantes estão matriculados na rede pública, que tem as classes lotadas. Outro ponto levantado pelos especialistas é que a qualidade do corpo docente ainda é o que mais conta para o bom ensino.

 

Ela leu cedo

Roberto Setton


O caso da paulista Juliana Feldman, 6 anos, ilustra aquilo em que acreditam os especialistas: além de uma boa escola, a participação familiar na educação tem papel determinante para o aprendizado. Juliana começou a ler com 4 anos. Eis alguns exemplos de como a família pode ajudar na alfabetização, segundo os educadores ouvidos por VEJA.

Comprar livros
A mãe de Juliana montou uma biblioteca com cerca de 100 volumes infantis

Estimular o hábito da leitura
A menina não passa uma noite sem ouvir histórias lidas por alguém da família

Freqüentar atividades culturais
Ela sempre vai ao cinema e ao teatro

Criar um ambiente para os estudos
Juliana tem uma escrivaninha em que guarda o material escolar e estuda em silêncio

Participar da vida escolar
Assuntos da escola são tema na mesa de jantar na casa de Juliana

Cursar a pré-escola
Juliana foi matriculada na escola com 1 ano e 10 meses

 


Foto Roberto Setton

 
 
 
 
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