Edição 1953 . 26 de abril de 2006

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Tecnologia
Breve em sua casa

Cada vez maiores e mais baratas, as
TVs de plasma e de LCD estão prestes
a substituir o tubo de imagem


Rafael Corrêa

 
Yoshikazu Tsuono/AFP

Televisor gigante da Panasonic: o desafio dos pixels


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Um tamanho para cada ambiente
Quadro: A venda de TVs de plasma e LCD aumentou no Brasil e os preços despencaram

Os aparelhos de TV com tela de plasma ou de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês), que até pouco tempo atrás eram uma aposta dos fabricantes para o futuro, estão tomando o lugar dos antigos televisores e seus desajeitados tubos de imagem com inesperada velocidade. Nos últimos meses, o preço das novas TVs caiu vertiginosamente em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde viraram o principal objeto de cobiça entre os produtos eletrônicos. Em 2002, quando os primeiros modelos de plasma e cristal líquido chegaram às lojas brasileiras, foram vendidas apenas 1 960 unidades. No ano passado, esse número chegou a 70 560, um aumento de 450% em relação a 2004. Já é possível comprar uma TV de LCD de 20 polegadas no Brasil pelo equivalente a 1 000 dólares. Nos Estados Unidos, por esse preço já se pode levar para casa um aparelho de 30 polegadas, que dois anos atrás custava entre 3 500 e 4 000 dólares. Desde então, no mundo todo foram abertas mais de uma dúzia de fábricas para produzir componentes, o que puxou os preços para baixo. Também contribuiu para o barateamento a concorrência entre os fabricantes de LCD e plasma, que multiplicaram a oferta de modelos.

A evolução tecnológica é tão rápida que também o tamanho das TVs não pára de crescer. Na terça-feira passada, a Panasonic lançou o maior televisor já fabricado, com 103 polegadas, o que equivale a uma tela de 2,30 metros de largura por 1,30 metro de altura. As vendas devem começar antes do Natal. Isso é quase como ter um cinema em casa. O desafio de criar uma TV com essas proporções é que, quanto maior o tamanho da tela, mais difícil se torna controlar os milhares de pontos luminosos, ou pixels, que compõem a imagem. Tanto a TV de plasma quanto a de cristal líquido oferecem tecnologia de ponta, mas cada uma delas funciona de maneira diferente. Na TV de LCD, cada pixel que forma a imagem é composto de três partes de cores diferentes, vermelha, verde e azul. Uma luz branca é projetada a partir do fundo da tela. No meio do monitor há uma camada de cristal líquido que atua como um filtro, dosando a passagem de luz em cada parte do pixel e formando a imagem. A TV de plasma também funciona com pixels coloridos, mas eles geram sua própria luz porque são preenchidos com uma mistura de gases. A imagem se forma quando esses gases são estimulados por uma descarga de elétrons. No caso da super-TV de plasma com 103 polegadas, a façanha dos engenheiros da Panasonic foi aprimorar a precisão das descargas de elétrons para que não haja interferência entre pixels vizinhos, evitando distorções na definição e nas cores.

Os primeiros televisores de ambos os sistemas apresentavam alguns inconvenientes. Nos de LCD, as imagens em movimento costumavam deixar um rastro, ou "fantasma", na tela. Nos de plasma, imagens que permaneciam por muito tempo na tela, como o símbolo das emissoras, acabavam por marcá-la naquele local. Isso é coisa do passado. Para o telespectador, a imagem gerada pelos dois sistemas é equivalente. O que conta mesmo na hora da compra é a relação entre o tamanho da tela e o preço do televisor. Os de LCD são menores e mais baratos. Embora a tecnologia do plasma seja mais cara, ela oferece a possibilidade de produzir aparelhos maiores, acima de 40 polegadas. Até janeiro, o título de maior TV pertencia à Samsung e à LG, ambas com aparelhos de 102 polegadas. As novas tecnologias que estão a caminho incluem as telas que utilizam pequenos diodos orgânicos, compostos de moléculas de carbono que emitem luz ao receber uma carga elétrica. Esse sistema pode baratear ainda mais os aparelhos e também consome menos energia.

Tudo isso indica a aposentadoria definitiva, num futuro próximo, do tubo de imagem. Os aparelhos com tela de plasma ou cristal líquido em pouco tempo vão se tornar a primeira opção dos consumidores na hora de trocar de televisor. Para a diversão doméstica, essa é uma virada semelhante à que ocorreu na substituição do toca-discos pelo CD-player e do videocassete pelo DVD. Em cidades como Tóquio, Hong Kong e Cingapura, essa virada já aconteceu – no ano passado, a venda dos televisores fininhos superou a de aparelhos convencionais. Nos Estados Unidos e nos principais países da Europa, prevê-se que o mesmo aconteça com as vendas de Natal neste ano, ou no máximo no ano que vem.

A tendência é que os preços caiam ainda mais até 2007. Isso significa que o telespectador brasileiro já pode colocar em seus planos a compra de uma TV de nova geração. É uma decisão recomendável. Em vez de comprar um televisor de 29 polegadas e tela plana, mas com o velho e grandalhão tubo de imagem, modelo predileto dos brasileiros atualmente, talvez compense levar para casa uma TV um pouco menor e um tanto mais cara, mas com qualidade de imagem muito superior. Essa opção é ainda mais atraente ao se considerar que o padrão de transmissão digital para o Brasil acaba de ser definido pelo governo. Dentro de alguns meses, as emissoras brasileiras vão transmitir os primeiros programas em formato digital – quem tiver em casa uma TV de plasma ou LCD estará apto a desfrutar uma nova experiência em matéria de entretenimento.

As TVs de tela de plasma e de cristal líquido permitem que o telespectador tire maior proveito do seu aparelho de DVD. A maioria dos DVDs oferece uma resolução de 480 linhas na vertical. Quanto maior o número de linhas, maior a quantidade de pontos (pixels) utilizados para formar a imagem na tela, oferecendo mais detalhes. Ocorre que a maioria das TVs convencionais, com tubo de imagem, não consegue reproduzir uma resolução de 480 linhas – as TVs de plasma e de LCD são capazes de fazê-lo. Quando as novas gerações de DVDs, chamadas de Blu-Ray e HD-DVD, chegarem ao Brasil, o telespectador que quiser tirar o melhor proveito dos aparelhos precisará das versões mais potentes das TVs de plasma ou de LCD, com 1 080 linhas de resolução vertical. Outra vantagem dos novos televisores é que eles vêm no formato panorâmico, similar ao das telas de cinema. Esse formato, conhecido como widescreen, evita que a imagem precise ser reduzida para caber na tela, como acontece nos televisores com tela quadrada.

O telespectador ficará surpreso com seu novo televisor também ao assistir à programação costumeira das emissoras – novelas, jogos de futebol e atrações de auditório. Todos eles serão gravados no formato digital. Isso significa que o nível de detalhes será muito maior. No caso das partidas de futebol, como as câmeras digitais captam uma área maior, será possível enxergar uma maior extensão do campo nas tomadas a distância. Nas novelas, será impossível iludir o espectador com cenários de papel imitando paredes de tijolos ou disfarçar as ruguinhas das atrizes com maquiagem – truques como esses seriam cruelmente revelados pela transmissão digital. Além disso, esse tipo de transmissão oferecerá a possibilidade de interagir com as emissoras. Será possível, por exemplo, escolher o personagem que será eliminado no Big Brother Brasil ou comprar produtos que aparecem nos intervalos comerciais, tudo por meio do controle remoto. Esse futuro está cada vez mais próximo.

 

Conexão organizada

O conector HDMI agrupa os quatro cabos dos
home theaters atuais num único fio

 

Fotos Marcelo Kura/divulgação

Um aborrecimento causado pelo home theater é o emaranhado de fios conectados. Uma nova tecnologia, batizada de HDMI (sigla em inglês para High-Definition Multimedia Interface), é a solução. Esse tipo de conector substitui os cabos de áudio e vídeo convencionais, juntando-os em um só e acabando com a bagunça dos fios. Não se trata apenas de um cabo, mas de um novo padrão de transmissão de dados. Também não é possível comprá-lo como acessório. Ele vem de fábrica nos aparelhos. Quando foi lançado, na feira Consumer Electronics Show de 2003, em Las Vegas, o HDMI estava presente em somente alguns poucos home theaters mais caros e bem equipados. De lá para cá, marcas de grande consumo, como LG, Samsung e Toshiba, lançaram aparelhos com essa tecnologia. No Brasil, um tocador de DVD com o recurso custa cerca de 1 000 reais. Evidentemente, a TV precisa ter uma entrada HDMI.

O que encanta os fãs do cinema em casa na tecnologia HDMI é a qualidade de imagem e som que ela proporciona. Para enviar as imagens por cabos convencionais, o aparelho de DVD precisa converter o sinal para o formato analógico. Isso provoca perda de qualidade, agravada quando o aparelho de TV é de plasma ou LCD. Nesse caso, o televisor é obrigado a converter o sinal novamente para o sistema digital. Como já utiliza o padrão digital para fazer a conexão entre os aparelhos, o HDMI permite a transmissão direta do sinal do DVD para o televisor, sem perda de qualidade. O mesmo ocorre no caso do áudio. O HDMI permite o tráfego de até oito canais de som pelo mesmo cabo, garantindo a qualidade de som digital oferecida pelos DVDs. A tecnologia possibilita que os aparelhos conectados troquem informações entre si. Assim, é possível controlar o aparelho de DVD por meio da TV.

O novo conector também é compatível com o padrão de segurança HDCP (sigla em inglês para High-Bandwidth Digital Content Protection), que deverá proteger os DVDs de alta definição contra cópias piratas. Esse protocolo é considerado pelos estúdios de Hollywood uma ferramenta fundamental para ampliar o combate à pirataria, já que hoje os aparelhos digitais cada vez mais conversam entre si, facilitando as cópias.

 
 
 
 
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