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Tecnologia
Breve em sua casa
Cada vez maiores e mais baratas,
as
TVs de plasma e de LCD estão prestes
a substituir o tubo de imagem

Rafael Corrêa
Yoshikazu Tsuono/AFP

Televisor gigante da Panasonic: o desafio
dos pixels |
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Os aparelhos de TV com tela de plasma
ou de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês), que
até pouco tempo atrás eram uma aposta dos fabricantes
para o futuro, estão tomando o lugar dos antigos televisores
e seus desajeitados tubos de imagem com inesperada velocidade. Nos
últimos meses, o preço das novas TVs caiu vertiginosamente
em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde viraram o principal objeto
de cobiça entre os produtos eletrônicos. Em 2002, quando
os primeiros modelos de plasma e cristal líquido chegaram
às lojas brasileiras, foram vendidas apenas 1 960 unidades.
No ano passado, esse número chegou a 70 560, um aumento de
450% em relação a 2004. Já é possível
comprar uma TV de LCD de 20 polegadas no Brasil pelo equivalente
a 1 000 dólares. Nos Estados Unidos, por esse preço
já se pode levar para casa um aparelho de 30 polegadas, que
dois anos atrás custava entre 3 500 e 4 000 dólares.
Desde então, no mundo todo foram abertas mais de uma dúzia
de fábricas para produzir componentes, o que puxou os preços
para baixo. Também contribuiu para o barateamento a concorrência
entre os fabricantes de LCD e plasma, que multiplicaram a oferta
de modelos.
A evolução tecnológica
é tão rápida que também o tamanho das
TVs não pára de crescer. Na terça-feira passada,
a Panasonic lançou o maior televisor já fabricado,
com 103 polegadas, o que equivale a uma tela de 2,30 metros de largura
por 1,30 metro de altura. As vendas devem começar antes do
Natal. Isso é quase como ter um cinema em casa. O desafio
de criar uma TV com essas proporções é que,
quanto maior o tamanho da tela, mais difícil se torna controlar
os milhares de pontos luminosos, ou pixels, que compõem a
imagem. Tanto a TV de plasma quanto a de cristal líquido
oferecem tecnologia de ponta, mas cada uma delas funciona de maneira
diferente. Na TV de LCD, cada pixel que forma a imagem é
composto de três partes de cores diferentes, vermelha, verde
e azul. Uma luz branca é projetada a partir do fundo da tela.
No meio do monitor há uma camada de cristal líquido
que atua como um filtro, dosando a passagem de luz em cada parte
do pixel e formando a imagem. A TV de plasma também funciona
com pixels coloridos, mas eles geram sua própria luz porque
são preenchidos com uma mistura de gases. A imagem se forma
quando esses gases são estimulados por uma descarga de elétrons.
No caso da super-TV de plasma com 103 polegadas, a façanha
dos engenheiros da Panasonic foi aprimorar a precisão das
descargas de elétrons para que não haja interferência
entre pixels vizinhos, evitando distorções na definição
e nas cores.
Os primeiros televisores de ambos os
sistemas apresentavam alguns inconvenientes. Nos de LCD, as imagens
em movimento costumavam deixar um rastro, ou "fantasma", na tela.
Nos de plasma, imagens que permaneciam por muito tempo na tela,
como o símbolo das emissoras, acabavam por marcá-la
naquele local. Isso é coisa do passado. Para o telespectador,
a imagem gerada pelos dois sistemas é equivalente. O que
conta mesmo na hora da compra é a relação entre
o tamanho da tela e o preço do televisor. Os de LCD são
menores e mais baratos. Embora a tecnologia do plasma seja mais
cara, ela oferece a possibilidade de produzir aparelhos maiores,
acima de 40 polegadas. Até janeiro, o título de maior
TV pertencia à Samsung e à LG, ambas com aparelhos
de 102 polegadas. As novas tecnologias que estão a caminho
incluem as telas que utilizam pequenos diodos orgânicos, compostos
de moléculas de carbono que emitem luz ao receber uma carga
elétrica. Esse sistema pode baratear ainda mais os aparelhos
e também consome menos energia.
Tudo isso indica a aposentadoria definitiva,
num futuro próximo, do tubo de imagem. Os aparelhos com tela
de plasma ou cristal líquido em pouco tempo vão se
tornar a primeira opção dos consumidores na hora de
trocar de televisor. Para a diversão doméstica, essa
é uma virada semelhante à que ocorreu na substituição
do toca-discos pelo CD-player e do videocassete pelo DVD. Em cidades
como Tóquio, Hong Kong e Cingapura, essa virada já
aconteceu no ano passado, a venda dos televisores fininhos
superou a de aparelhos convencionais. Nos Estados Unidos e nos principais
países da Europa, prevê-se que o mesmo aconteça
com as vendas de Natal neste ano, ou no máximo no ano que
vem.
A tendência é que os preços
caiam ainda mais até 2007. Isso significa que o telespectador
brasileiro já pode colocar em seus planos a compra de uma
TV de nova geração. É uma decisão recomendável.
Em vez de comprar um televisor de 29 polegadas e tela plana, mas
com o velho e grandalhão tubo de imagem, modelo predileto
dos brasileiros atualmente, talvez compense levar para casa uma
TV um pouco menor e um tanto mais cara, mas com qualidade de imagem
muito superior. Essa opção é ainda mais atraente
ao se considerar que o padrão de transmissão digital
para o Brasil acaba de ser definido pelo governo. Dentro de alguns
meses, as emissoras brasileiras vão transmitir os primeiros
programas em formato digital quem tiver em casa uma TV de
plasma ou LCD estará apto a desfrutar uma nova experiência
em matéria de entretenimento.
As TVs de tela de plasma e de cristal
líquido permitem que o telespectador tire maior proveito
do seu aparelho de DVD. A maioria dos DVDs oferece uma resolução
de 480 linhas na vertical. Quanto maior o número de linhas,
maior a quantidade de pontos (pixels) utilizados para formar a imagem
na tela, oferecendo mais detalhes. Ocorre que a maioria das TVs
convencionais, com tubo de imagem, não consegue reproduzir
uma resolução de 480 linhas as TVs de plasma
e de LCD são capazes de fazê-lo. Quando as novas gerações
de DVDs, chamadas de Blu-Ray e HD-DVD, chegarem ao Brasil, o telespectador
que quiser tirar o melhor proveito dos aparelhos precisará
das versões mais potentes das TVs de plasma ou de LCD, com
1 080 linhas de resolução vertical. Outra vantagem
dos novos televisores é que eles vêm no formato panorâmico,
similar ao das telas de cinema. Esse formato, conhecido como widescreen,
evita que a imagem precise ser reduzida para caber na tela, como
acontece nos televisores com tela quadrada.
O telespectador ficará
surpreso com seu novo televisor também ao assistir à
programação costumeira das emissoras novelas,
jogos de futebol e atrações de auditório. Todos
eles serão gravados no formato digital. Isso significa que
o nível de detalhes será muito maior. No caso das
partidas de futebol, como as câmeras digitais captam uma área
maior, será possível enxergar uma maior extensão
do campo nas tomadas a distância. Nas novelas, será
impossível iludir o espectador com cenários de papel
imitando paredes de tijolos ou disfarçar as ruguinhas das
atrizes com maquiagem truques como esses seriam cruelmente
revelados pela transmissão digital. Além disso, esse
tipo de transmissão oferecerá a possibilidade de interagir
com as emissoras. Será possível, por exemplo, escolher
o personagem que será eliminado no Big Brother Brasil
ou comprar produtos que aparecem nos intervalos comerciais,
tudo por meio do controle remoto. Esse futuro está cada vez
mais próximo.
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Conexão organizada
O conector HDMI agrupa
os quatro cabos dos
home theaters atuais num único fio
Fotos Marcelo Kura/divulgação
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Um aborrecimento causado
pelo home theater é o emaranhado de fios conectados.
Uma nova tecnologia, batizada de HDMI (sigla em inglês
para High-Definition Multimedia Interface), é
a solução. Esse tipo de conector substitui
os cabos de áudio e vídeo convencionais,
juntando-os em um só e acabando com a bagunça
dos fios. Não se trata apenas de um cabo, mas
de um novo padrão de transmissão de dados.
Também não é possível comprá-lo
como acessório. Ele vem de fábrica nos
aparelhos. Quando foi lançado, na feira Consumer
Electronics Show de 2003, em Las Vegas, o HDMI estava
presente em somente alguns poucos home theaters mais
caros e bem equipados. De lá para cá,
marcas de grande consumo, como LG, Samsung e Toshiba,
lançaram aparelhos com essa tecnologia. No Brasil,
um tocador de DVD com o recurso custa cerca de 1 000
reais. Evidentemente, a TV precisa ter uma entrada HDMI.
O que encanta os fãs
do cinema em casa na tecnologia HDMI é a qualidade
de imagem e som que ela proporciona. Para enviar as
imagens por cabos convencionais, o aparelho de DVD precisa
converter o sinal para o formato analógico. Isso
provoca perda de qualidade, agravada quando o aparelho
de TV é de plasma ou LCD. Nesse caso, o televisor
é obrigado a converter o sinal novamente para
o sistema digital. Como já utiliza o padrão
digital para fazer a conexão entre os aparelhos,
o HDMI permite a transmissão direta do sinal
do DVD para o televisor, sem perda de qualidade. O mesmo
ocorre no caso do áudio. O HDMI permite o tráfego
de até oito canais de som pelo mesmo cabo, garantindo
a qualidade de som digital oferecida pelos DVDs. A tecnologia
possibilita que os aparelhos conectados troquem informações
entre si. Assim, é possível controlar
o aparelho de DVD por meio da TV.
O novo conector também
é compatível com o padrão de segurança
HDCP (sigla em inglês para High-Bandwidth Digital
Content Protection), que deverá proteger os DVDs
de alta definição contra cópias
piratas. Esse protocolo é considerado pelos estúdios
de Hollywood uma ferramenta fundamental para ampliar
o combate à pirataria, já que hoje os
aparelhos digitais cada vez mais conversam entre si,
facilitando as cópias.
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