Edição 1953 . 26 de abril de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Beleza
Quer levantar?
Tem de malhar

Estudo comprova que, para firmar
os glúteos, o melhor mesmo são os
exercícios que todo mundo conhece


Roberta Salomone

Brand X Pictures/Royalty-free
NESTA REPORTAGEM
Quadro: Assim, funciona


Vítima inapelável do passar do tempo e da gravidade, chega uma hora em que não tem jeito: o bumbum cai. Ciente dessa inapelável circunstância, o mercado de produtos e tratamentos que prometem modelar glúteos e adiar seu desabamento movimenta enormes quantidades de dinheiro, entre cremes e aparelhos mirabolantes. Em vão. Fora as técnicas cirúrgicas, invasivas pela própria natureza, praticamente nada mais surte efeito. Um recente estudo divulgado nos Estados Unidos comprova que a maneira garantidamente eficaz de manter o derrière em seu devido lugar por mais tempo é a boa e velha ginástica. Sem aparelhos – no máximo, pesos e tornozeleiras. Embora pareça atividade fadada a ganhar o prêmio Ignobil, o estudo é coisa séria. Seus autores são John Porcari e Blake Ristvedt, ambos pesquisadores de exercícios físicos da Universidade de Wisconsin. Em seu afã de contribuir para o avanço da ciência e o progresso da humanidade, eles constataram que o que mais funciona são os quatro exercícios mais convencionais que existem: agachar e levantar, subir e descer degrau e mover as pernas no ar em posição de quatro apoios, tanto flexionadas quanto estendidas (veja o quadro). "Os aparelhos ajudam, mas não são fundamentais como esses exercícios. Se eles forem realizados em seqüência e sob a supervisão de um profissional capacitado, podem proporcionar resultados excelentes", afirma a fisiatra Julia Maria D'Andrea Greve, coordenadora técnica do Laboratório de Estudos do Movimento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

Para teorizar a ação e o efeito de determinados movimentos, Porcari e Ristvedt acompanharam doze pessoas, com idade entre 18 e 25 anos, durante a realização de oito exercícios diferentes. Todas tiveram eletrodos fixados em três áreas dos glúteos (dá para imaginar a cena?) para medir a atividade elétrica provocada pelo movimento. Depois de três semanas de testes, a dupla constatou quais eram os melhores exercícios para cada necessidade específica. Primeira conclusão: os agachamentos, seqüência que os professores de educação física costumam colocar no topo da lista em matéria de eficiência, de fato trabalham muito bem o chamado glúteo máximo (a maior musculatura e a principal responsável pelo formato das nádegas); não são, porém, melhores que o step (subir e descer um degrau, ou um banquinho baixo) e as extensões e flexões de perna em posição de quatro apoios.

Além do efeito sobre o glúteo máximo, os exercícios obtiveram bons resultados no fortalecimento do glúteo médio, localizado logo abaixo da cintura. Apesar de menor, esse músculo ajuda a definir o contorno da lateral dos quadris, contribuindo para o bom efeito geral. Todas as variações de agachamento também provocaram grande atividade elétrica nos glúteos durante os testes. "Esses movimentos atuam bem na região e nos membros inferiores, mas os principiantes devem preferir as modalidades feitas com o apoio de um bastão ou de uma cadeira, que exigem menos condicionamento físico", avisa Reginaldo Ghilardi, coordenador de musculação da academia Competition, em São Paulo.

No caso de quem não tem pleno domínio das técnicas, a orientação de um professor é considerada imprescindível para atingir os objetivos e também prevenir possíveis problemas. Lesões provocadas pela carga excessiva de peso sobre os músculos dos glúteos viraram coisa tão comum que ganharam nome específico: é a "síndrome do bumbum sarado", que vai desde simples contusões até desgastes importantes nas articulações, joelhos, quadris e coluna. "Usar caneleiras pesadíssimas ou fazer inúmeras repetições não vai trazer resultados satisfatórios. Um trabalho progressivo e sem excessos é a escolha mais inteligente para quem quer um bumbum em forma", diz o professor de educação física e fisioterapeuta especialista em treinamento desportivo Marcus Vinícius Gomes. Ou seja, o segredo da receita está no que parece uma lista de virtudes cristãs: paciência, perseverança, constância – e um pouquinho de esperança.

 
 
 
 
topovoltar