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Beleza
Quer levantar?
Tem de malhar
Estudo comprova que, para firmar
os glúteos, o melhor mesmo são os
exercícios que todo mundo conhece

Roberta Salomone
Brand X Pictures/Royalty-free
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Vítima inapelável do passar do tempo e da gravidade,
chega uma hora em que não tem jeito: o bumbum cai. Ciente
dessa inapelável circunstância, o mercado de produtos
e tratamentos que prometem modelar glúteos e adiar seu desabamento
movimenta enormes quantidades de dinheiro, entre cremes e aparelhos
mirabolantes. Em vão. Fora as técnicas cirúrgicas,
invasivas pela própria natureza, praticamente nada mais surte
efeito. Um recente estudo divulgado nos Estados Unidos comprova
que a maneira garantidamente eficaz de manter o derrière
em seu devido lugar por mais tempo é a boa e velha ginástica.
Sem aparelhos no máximo, pesos e tornozeleiras. Embora
pareça atividade fadada a ganhar o prêmio Ignobil,
o estudo é coisa séria. Seus autores são John
Porcari e Blake Ristvedt, ambos pesquisadores de exercícios
físicos da Universidade de Wisconsin. Em seu afã de
contribuir para o avanço da ciência e o progresso da
humanidade, eles constataram que o que mais funciona são
os quatro exercícios mais convencionais que existem: agachar
e levantar, subir e descer degrau e mover as pernas no ar em posição
de quatro apoios, tanto flexionadas quanto estendidas (veja
o quadro). "Os aparelhos ajudam, mas não são
fundamentais como esses exercícios. Se eles forem realizados
em seqüência e sob a supervisão de um profissional
capacitado, podem proporcionar resultados excelentes", afirma a
fisiatra Julia Maria D'Andrea Greve, coordenadora técnica
do Laboratório de Estudos do Movimento do Instituto de Ortopedia
e Traumatologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo.
Para teorizar a ação
e o efeito de determinados movimentos, Porcari e Ristvedt acompanharam
doze pessoas, com idade entre 18 e 25 anos, durante a realização
de oito exercícios diferentes. Todas tiveram eletrodos fixados
em três áreas dos glúteos (dá para imaginar
a cena?) para medir a atividade elétrica provocada pelo movimento.
Depois de três semanas de testes, a dupla constatou quais
eram os melhores exercícios para cada necessidade específica.
Primeira conclusão: os agachamentos, seqüência
que os professores de educação física costumam
colocar no topo da lista em matéria de eficiência,
de fato trabalham muito bem o chamado glúteo máximo
(a maior musculatura e a principal responsável pelo formato
das nádegas); não são, porém, melhores
que o step (subir e descer um degrau, ou um banquinho baixo) e as
extensões e flexões de perna em posição
de quatro apoios.
Além do efeito sobre o glúteo
máximo, os exercícios obtiveram bons resultados no
fortalecimento do glúteo médio, localizado logo abaixo
da cintura. Apesar de menor, esse músculo ajuda a definir
o contorno da lateral dos quadris, contribuindo para o bom efeito
geral. Todas as variações de agachamento também
provocaram grande atividade elétrica nos glúteos durante
os testes. "Esses movimentos atuam bem na região e nos membros
inferiores, mas os principiantes devem preferir as modalidades feitas
com o apoio de um bastão ou de uma cadeira, que exigem menos
condicionamento físico", avisa Reginaldo Ghilardi, coordenador
de musculação da academia Competition, em São
Paulo.
No caso de quem não tem
pleno domínio das técnicas, a orientação
de um professor é considerada imprescindível para
atingir os objetivos e também prevenir possíveis problemas.
Lesões provocadas pela carga excessiva de peso sobre os músculos
dos glúteos viraram coisa tão comum que ganharam nome
específico: é a "síndrome do bumbum sarado",
que vai desde simples contusões até desgastes importantes
nas articulações, joelhos, quadris e coluna. "Usar
caneleiras pesadíssimas ou fazer inúmeras repetições
não vai trazer resultados satisfatórios. Um trabalho
progressivo e sem excessos é a escolha mais inteligente para
quem quer um bumbum em forma", diz o professor de educação
física e fisioterapeuta especialista em treinamento desportivo
Marcus Vinícius Gomes. Ou seja, o segredo da receita está
no que parece uma lista de virtudes cristãs: paciência,
perseverança, constância e um pouquinho de esperança.
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