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Economia e Negócios
A carne é forte
Rubaiyat abre filial na Espanha e dá
força ao movimento de expansão para
o exterior das churrascarias brasileiras

Antonio Ribeiro, de Madri
Fotos Antonio Ribeiro
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| Belarmino Filho (acima) comanda o salto
internacional do Rubaiyat, que começa pela Espanha, terra
de Belarmino pai (em sua casa na Galícia) |
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Há 55 anos, o imigrante
espanhol Belarmino Fernandez Iglesias atravessou o Atlântico
no navio Cabo de Hornos para recomeçar a vida em São
Paulo. Lavou pratos, foi garçom e chegou a maître de
uma churrascaria. Seis anos depois ele já era dono de seu
próprio restaurante, o Rubaiyat. Na semana passada, a família
Iglesias voltou à Espanha. Desta vez para inaugurar sua primeira
unidade na Europa, o Baby Beef Rubaiyat, em Madri. O projeto do
Rubaiyat Madrid surgiu em 1998 e durante oito anos os Iglesias negociaram
a compra ou o aluguel de um ponto prestigioso na cidade, o restaurante
Cabo Mayor. Por duas vezes fecharam o negócio, mas, na hora
de assinar o contrato, os donos madrilenos voltavam atrás.
Finalmente, em março de 2005, os Iglesias conseguiram alugar
o restaurante. Ele ocupa o térreo de um edifício residencial
de sete andares, construído na década de 60, em uma
área perto do estádio do Real Madrid e da Plaza de
Castilla. O restaurante fica na Rua Juan Ramon Giménez, homenagem
ao poeta espanhol ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em
1956. O projeto custou 5 milhões de dólares e terá
capacidade para atender 12.000 clientes por mês.
O espaço foi todo remodelado
por sessenta operários, entre os quais quatro brasileiros
que vieram da Fazenda Rubaiyat para montar as treliças de
madeira do teto e as mesas, cujos tampos são lâminas
espessas de troncos de ipê.
Alcir N. da Silva
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| Porcão: desde 1992 em Miami, a rede
carioca inaugurou sua segunda churrascaria americana em janeiro,
em Nova York |
A expansão européia
do Rubaiyat tem um sabor de volta às origens e quem comanda
a difusão da rede é o primogênito, Belarmino
Fernandez Iglesias Filho, 45 anos. Em agosto do ano passado, Belarmino
mudou-se com a mulher, Ana Lúcia, e os dois filhos para Madri.
Ele se desdobra, passando doze dias por mês na Espanha e dezoito
no Brasil. Os Iglesias são proprietários de três
restaurantes em São Paulo e sócios da churrascaria
Cabaña Las Lilas, em Buenos Aires. Os planos internacionais
são ambiciosos. Até 2010 serão abertos três
novos Rubaiyat. O primeiro em Barcelona, o segundo em Lisboa e o
último em Londres. O objetivo é formar uma rede de
dez restaurantes com faturamento anual de 50 milhões de dólares.
"Fazemos artesanalmente um produto personalizado em grande escala.
Produção e serviço acontecem no ato do consumo.
Uma situação com elementos propícios ao desastre.
Dez restaurantes é o limite máximo para manter a qualidade
que nos distingue", diz Belarmino Filho.
Diferentemente das outras churrascarias
brasileiras que estão instaladas fora do país, o Rubaiyat
vai abastecer seus restaurantes com carne produzida no Brasil. A
filial terá um estoque de 5 toneladas de carne, a previsão
de consumo mensal. Na Fazenda Rubaiyat, em Dourados, Mato Grosso
do Sul, são criadas 6 500 cabeças de gado bovino da
raça brangus, um cruzamento do gado abeerden-angus, de origem
escocesa, com a rusticidade do boi indiano, o brahman. Mas a grande
arma do Rubaiyat para a conquista européia está na
sua simpática infantaria, responsável pelo serviço
à clientela. "Os clientes não podem deixar de ver
ao menos um Iglesias circulando, permanentemente, em cada um dos
restaurantes da família", diz Belarmino. É essa fórmula
que eles querem repetir internacionalmente.
Jorge Bispo
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Divulgação
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| Arri Coser: a Fogo de Chão
nos Estados Unidos responde por 75% do faturamento do grupo
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O grupo Rubaiyat não é
o precursor na idéia de abrir filiais fora do país.
O Porcão foi um dos primeiros a apostar que o tradicional
rodízio brasileiro daria certo em terras estrangeiras. Em
1992, a família Mocellin inaugurou um restaurante em Miami
que fez sucesso entre a colônia brasileira. Mas foi só
em janeiro deste ano que a segunda churrascaria internacional da
rede foi aberta, em Nova York. "Trabalhamos algum tempo com franquias
e não deu resultado", diz Amanda Mocellin, gerente de marketing
do Porcão, que tem oito unidades no Brasil. A Fogo de Chão
chegou depois aos Estados Unidos, em 1997, mas teve uma expansão
mais rápida. Há nove anos, os irmãos Arri e
Jair Coser, junto com os sócios Aleixo e Jorge Ongaratto,
inauguraram a primeira churrascaria em Dallas, no Texas. A cidade
é famosa pelas várias casas que servem carne, as steak
houses, e a Fogo de Chão caiu no gosto dos americanos, que
pagam 52 dólares pelo rodízio. Em seguida, o Texas
ganhou uma segunda casa, em Houston, onde o ex-presidente e pai
do atual presidente americano George Bush é um dos fregueses
mais famosos. Depois vieram unidades em Atlanta, Chicago, Califórnia
e Washington. Os restaurantes da Fogo de Chão em solo americano
garantem 75% do faturamento de 75 milhões de dólares
anuais do grupo, que tem outras quatro unidades no Brasil. Por ano,
a churrascaria atende 1,2 milhão de americanos, o dobro dos
clientes brasileiros. "O que garantiu nosso sucesso aqui nos Estados
Unidos foi a previsibilidade da economia americana", diz Arri Coser.
A legislação trabalhista
nos Estados Unidos é mais flexível do que a brasileira,
e os impostos que incidem sobre a folha de pagamento dos funcionários
são mais baixos. As empresas costumam pagar 30% em imposto
e tributos sobre a folha de salários de cada funcionário.
No Brasil, esse porcentual pode chegar a 102%. Outro fator que estimula
os negócios nos Estados Unidos é a facilidade para
obter financiamentos que podem ser usados na expansão das
redes. "Os juros são de 5% ou 6% ao ano, e o prazo para pagamento
é de mais de dez anos", diz Coser. Em Dallas, a Fogo de Chão
enfrenta concorrência de outro rodízio brasileiro,
a churrascaria Boi na Braza. Há seis anos nos Estados Unidos,
a churrascaria tem outra unidade em Atlanta as duas juntas
faturam 7 milhões de dólares e recebem 12.000 clientes
por ano. Se para Coser a aventura externa tem o gosto do desbravamento,
para Belarmino Iglesias ela se reveste de tons épicos. Além
de inaugurar um restaurante em Madri, o imigrante que saiu pobre
voltou rico a sua terra natal, Rosende, na Galícia. Teve
o prazer de comprar o Pazo de Rivas, o casarão dos antigos
todo-poderosos da região, para quem ele e seus pais cultivaram
a terra por um pagamento miserável. Reformou a casa e ali
instalou uma fundação educacional freqüentada
gratuitamente por cinqüenta alunos pobres da região
que querem fazer carreira no ramo de restaurantes. Diz Berlarmino:
"Os formandos saem de lá com emprego garantido".
Com reportagem de Chrystiane
Silva
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