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Imprensa
Encolher para crescer
Chega ao Brasil a tendência de
grandes jornais virarem tablóide
para atrair novos leitores

Ronaldo Soares
Gabriel Bouys/AFP
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| O Jornal do Brasil copia fórmula de
tablóides europeus: outros diários brasileiros já admitem adotar
a receita de sucesso estrangeira |
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Um dinossauro dos meios de comunicação
que parecia fadado à extinção tenta se reinventar
com uma fórmula que, se não chega a ser original,
tem o mérito de dar o primeiro passo de uma tendência
que deve ser seguida por outros grandes jornais brasileiros. Fundado
há 115 anos, o Jornal do Brasil, um dos mais influentes
do país entre os anos 50 e 90 e que vive nos últimos
anos em agonia comercial, adotou uma estratégia ousada. Promoveu
uma radical reforma gráfica, que trouxe como grande novidade
um novo formato: o berliner, meio-termo entre o tablóide
e o tamanho convencional, o standard. Seguiu, assim, uma receita
usada por tradicionais periódicos europeus. Só nos
últimos três anos, três dos cinco grandes diários
ingleses "encolheram" The Times, The Guardian e
The Independent. A trinca, que vinha com tiragens cadentes,
passou a vender mais. O sucesso pode ser creditado ao formato
prático de manusear e carregar e, principalmente, mais agradável
aos olhos das novas gerações. E com um preço
de capa menor, é claro. O fenômeno que agita o mercado
editorial europeu e que agora o JB tenta repetir aqui é
impulsionado pelo desafio imposto aos jornais para que eles não
fiquem relegados à pré-história dos veículos
de comunicação: como conquistar novos leitores num
mundo cada vez mais dominado por meios mais atraentes para os jovens,
como internet, celular e televisão?
Essa preocupação
levou a Associação Mundial de Jornais a encomendar
à consultoria de mídia Innovation uma cartilha, lançada
no mês passado, com cinqüenta estratégias para
seduzir mais leitores. O estudo traz um conselho curto e grosso
aos donos de jornal: façam como a Coca-Cola. O refrigerante,
ensina a cartilha, "é o mesmo para um menino de 8 anos e
para uma pessoa de 80. O que difere é a estratégia
de marketing para fomentar o consumo da bebida desde cedo e desenvolver
esse hábito quanto antes". Seguindo esse raciocínio,
o estudo aconselha, por exemplo, que, para conquistar os jovens
e fazer com que eles transformem a leitura de jornais em hábito,
não se deve encará-los como um segmento a ser explorado
na forma de suplementos editoriais. Isso criaria guetos na publicação
e acabaria marginalizando o público-alvo. O desafio é
explicar ao jovem como os fatos citados no noticiário principal
podem influenciar sua vida. "Temos de aprender com a (revista
semanal inglesa) The Economist. Pode-se ser sério, ter
êxito e atrair leitores jovens com um jornalismo desse tipo",
diz Carlos Soria, presidente da Innovation.
Ainda é cedo para saber
se o novo JB, que começou a circular na semana passada,
vai vingar. Mas a "tabloidização" do veículo
já produz no mercado a indicação de que experiências
semelhantes poderão ser adotadas em breve nos grandes jornais
brasileiros. "Esse fenômeno que ocorre na Europa vai chegar
ao Brasil. Acho que é uma tendência à qual,
mais cedo ou mais tarde, vamos ter de aderir", afirma Sandro Vaia,
diretor executivo de O Estado de S. Paulo.
Outra tendência do mercado
editorial brasileiro fomentada por experiências bem-sucedidas
lá fora é a dos jornais populares. Também no
formato tablóide, adotaram a fórmula de sucesso dos
jornais gratuitos que circulam na Europa e nos EUA, com sucesso
cada vez maior. Aproveitando o conteúdo gerado por outros
jornais do mesmo grupo empresarial e com foco nas classes C, D e
E, são vendidos por preços que variam de 25 a 50 centavos.
Os Diários Associados botaram nas bancas de Belo Horizonte
e Brasília o Aqui, ao preço de 25 centavos,
seguindo esse modelo. São jornais que valorizam o noticiário
local, com diagramação leve, muita cor e textos telegráficos,
que podem ser lidos no trajeto de casa para o trabalho. Em alguns
casos, a referência ao tempo de deslocamento ou ao meio de
transporte já vem no nome do jornal, como o espanhol 20
Minutos (líder em circulação naquele país),
o carioca Meia Hora e o internacional Metro, de um
grupo sueco, mas que circula em mais de oitenta cidades do mundo.
"Isso ajuda a incluir novos leitores no mercado, que amanhã
podem ler jornais com um noticiário mais abrangente e profundo",
analisa Agostinho Vieira, diretor da divisão de jornais de
O Globo, que lançou no mês passado o jornal
popular Expresso, no Rio de Janeiro.
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