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Copa
Eles fazem o gol
ficar menor
Agora até os goleiros brasileiros
fazem sucesso na Europa. Três
deles podem estar no Mundial
da Alemanha

André Fontenelle
Torsten Silz/AFP/divulgação
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| Dida, o titular da seleção:
seu sucesso no Milan, da Itália, abriu as portas para
outros goleiros brasileiros na Europa |
É possível que a
lista de convocados do Brasil para o Mundial de futebol crie uma
situação inédita: os três goleiros podem
pertencer a times estrangeiros. No momento, o trio favorito do técnico
Carlos Alberto Parreira é composto de dois "italianos"
Dida, do Milan, e Julio Cesar, do Internazionale e do "local"
Marcos, do Palmeiras. Mas, caso uma persistente lesão na
coxa impeça este último de ir à Alemanha, o
candidato natural à sua vaga é Gomes, do PSV Eindhoven,
da Holanda. Isso ocorre porque o futebol brasileiro nunca teve tantos
goleiros atuando em times de ponta da Europa. Além dos três
"selecionáveis", há outros tantos em times de elite
Marcelo Moretto, do Benfica, Helton, do Porto, ambos de Portugal,
e Doni, do Roma, da Itália. "Os brasileiros melhoraram muito
nessa posição nos últimos anos. Ex-goleiros
fizeram cursos no exterior e transmitem esse conhecimento aos mais
novos", explica Wendell Ramalho, preparador de goleiros da seleção.
Jogadores brasileiros sempre
se notabilizaram pelo talento com os pés, não com
as mãos. Para os goleiros, o sonho de jogar na Europa era
um tabu. Nos anos 30, o exótico Jaguaré, que rodopiava
a bola no dedo para provocar os atacantes adversários, defendeu
o Barcelona, da Espanha, e o Olympique de Marselha, da França.
Mas era a exceção que confirmava a regra. Nem o excelente
Taffarel, que conseguiu abrir uma brecha no mercado italiano nos
anos 90, conseguiu mais do que jogar em times medianos como o Parma
e o Reggiana.
A situação começou
a mudar com Dida. Depois de um início difícil, o goleiro
baiano firmou-se em um dos clubes mais tradicionais do planeta,
o Milan, e consagrou-se quando defendeu três pênaltis
na decisão da liga européia em 2003. O clube rival
de Milão, o Internazionale, contratou Julio Cesar, do Flamengo.
Outro grande time europeu, o PSV da Holanda, levou Gomes, do Cruzeiro
de Belo Horizonte. Esses três já traziam no currículo
a vantagem de ter defendido a seleção brasileira.
Mas agora até goleiros menos famosos começam a fazer
sucesso lá fora. Recentemente, o público brasileiro
descobriu que o guardião do Benfica que fez grandes
defesas contra o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho era
um sul-matogrossense de 27 anos com passagem pouco marcante pela
Portuguesa de Desportos, de São Paulo. O caminho de Marcelo
Moretto foi tortuoso. Chegou ao Benfica depois de penar na baliza
de times pequenos de Portugal. Seu sucesso abriu as portas para
outro brasileiro, Rubinho, ex-reserva no Corinthians, ser contratado
pelo Vitória de Setúbal.
Nenhum caso é mais curioso
que o de Doniéber Alexander Marangão, atual goleiro
titular do Roma, da Itália. Depois de uma passagem muito
criticada no Corinthians, Doni, como é conhecido, foi parar
no Juventude, de Caxias do Sul. Ali joga o veterano zagueiro Antônio
Carlos, que o indicou a conhecidos no Roma, time em que atuou no
passado. Doni obteve em tempo recorde o passaporte europeu, pagou
a passagem do próprio bolso e aceitou um salário baixo,
em nome do sonho de jogar na Itália. "Valeu bastante. Eu
queria sair do Brasil, que anda meio perigoso", diz Doni. Superado
o ceticismo inicial, conquistou a posição de titular
e neste mês renovou o contrato por mais três anos
ganhando, segundo a imprensa italiana, o equivalente a 150.000 reais.
Há diferenças técnicas
entre os goleiros daqui e os de lá. "O treino do Brasil dá
ênfase à rapidez de reflexos; o da Europa, ao posicionamento
e a detalhes como a forma de segurar a bola", compara Doni. Os goleiros
daqui parecem jogar melhor com os pés, virtude cada vez mais
exigida de quem atua na posição as regras atuais
proíbem segurar a bola em certas situações.
Julio Cesar é renomado por essa habilidade. "Até hoje
não encontrei um goleiro aqui na Itália com essa característica",
diz o camisa 1 do Internazionale. Os brasileiros também se
beneficiam de uma crise de talentos geral. Países tradicionais
no futebol, como a Inglaterra, têm tido dificuldade para revelar
craques nessa posição. Cria-se um círculo vicioso.
Recorre-se a estrangeiros contra a falta de bons goleiros. Estes,
ao ocupar vagas, tornam ainda mais restrito o mercado para os locais.
Dos vinte times do campeonato inglês, apenas cinco estão
jogando com goleiros da própria terra. Na última Copa
do Mundo, a Inglaterra precisou recorrer a um veterano de 38 anos,
David Seaman aquele que engoliu um célebre gol por
cobertura de Ronaldinho Gaúcho.
Colaborou
Letícia Sorg
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DE OLHO NELA
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| A bola da Copa: a versão dourada
será usada na final |
A maior novidade da
bola que será usada na Copa do Mundo da Alemanha,
em junho, não é nenhum material sintético
inovador, e sim sua aparência. A da decisão,
no dia 9 de julho, terá gomos brancos e dourados,
diferentes do modelo preto-e-branco que será
usado nas outras 63 partidas do torneio. Além
disso, a bola de cada jogo terá impressos o dia
da partida e o nome dos dois times que a chutaram. A
Adidas espera vender no mundo inteiro 10 milhões
de cópias da bola, batizada de "Teamgeist" (espírito
de equipe), ao preço anunciado de 150 euros (400
reais) cada uma. Tecnologicamente, a bola é semelhante
às que já são empregadas nas principais
competições profissionais. O material
sintético aumenta a durabilidade e a liberação
de energia na hora do chute, e o formato, cada vez mais
próximo da esfera perfeita, torna precisa a trajetória
no ar. Nada, porém, que deixe a vida dos goleiros
pior do que é hoje. Como tudo o que envolve a
Copa do Mundo, a utilidade da bola colorida é
promover o evento e estimular a venda de produtos associados.
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