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Saúde
Quanto mais lento, melhor
Crianças com QI maior apresentam
crescimento mais demorado
de uma parte do cérebro

Paula Neiva
Uma das questões sobre
a natureza humana que mais intrigam os cientistas é o que
faz uma pessoa ser mais inteligente do que outra. Já se sabe
que fatores genéticos e ambientais podem ser importantes,
mas ainda faltam respostas precisas no que se refere à estruturação
orgânica da inteligência. Um passo para a elucidação
desse enigma foi dado recentemente por pesquisadores do Instituto
de Saúde Mental dos Estados Unidos, num trabalho publicado
pela revista científica Nature. Eles constataram que
o cérebro das crianças mais inteligentes se desenvolve
de maneira diferente dos demais. Segundo o estudo, o crescimento
do córtex pré-frontal desses meninos e meninas é
mais lento alcança seu tamanho máximo aos 11
anos de idade, em média, enquanto no grupo com QI mediano
isso acontece aos 8 anos. O que à primeira vista parece desvantajoso
é, na verdade, uma estratégia eficaz para que os neurônios
disponham de mais tempo para tecer conexões entre si e torná-las
mais complexas (a quantidade de conexões entre os neurônios
é determinante para o processamento de informações
pelo cérebro). As conclusões dos pesquisadores americanos
chamaram a atenção da comunidade médica, porque
foram tiradas de um universo de participantes extraordinariamente
grande. Em geral, estudos que utilizam exames de neuroimagem são
mais restritos.
Os pesquisadores submeteram cerca
de 300 crianças e adolescentes saudáveis, entre 6
e 19 anos, a exames de ressonância magnética de crânio.
Os participantes também foram submetidos a testes que determinaram
seu coeficiente de inteligência (QI). Eles foram, então,
divididos em três grupos, de acordo com a idade e o QI de
cada um. Em seguida, os exames de ressonância foram comparados,
para detectar as características da anatomia cerebral de
cada grupo. A partir desses dados, os cientistas identificaram uma
estreita relação entre o QI e as mudanças de
tamanho e densidade pelas quais o córtex pré-frontal
passa ao longo dos anos.
O único ponto frágil
do estudo é basear-se exclusivamente no parâmetro de
QI. O teste que estabelece o coeficiente de inteligência,
centrado basicamente na lógica matemática, não
é capaz de avaliar todos os tipos de inteligência.
"Ficam de fora, por exemplo, as habilidades musicais, corporais
e de relacionamento", diz o neuropediatra Mauro Muszkat, professor
da Universidade Federal de São Paulo. "Por isso, o QI de
uma criança e possivelmente a maneira como seu córtex
se desenvolve não determinam se ela será bem-sucedida
ou não no futuro." De qualquer forma, as constatações
dos pesquisadores do Instituto de Saúde Mental dos Estados
Unidos significam um avanço, se não na identificação
de todas as inteligências, pelo menos de algumas delas.
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