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Saúde
Para quem troca letras
Criada a primeira cartilha nacional
para alfabetizar disléxicos

Giuliana Bergamo
Dez por cento das crianças brasileiras sofrem
de dislexia, uma alteração neurológica que
causa dificuldades de aprendizagem, motricidade e uso da linguagem,
entre outras. Enquanto os estudantes sem problemas levam um ano,
em média, para aprender a ler e escrever, os disléxicos
demoram o dobro. A maioria depara com o despreparo dos professores
e enfrenta o preconceito dos colegas o que deixa seqüelas
psicológicas para o resto da vida. A fim de facilitar o aprendizado
desses estudantes especiais, foi criada a primeira cartilha nacional
especialmente desenvolvida para crianças disléxicas,
com lançamento previsto para o fim de junho. Batizada de
"Facilitando a Alfabetização" (a maldição
do gerúndio não tem mesmo fim), ela é baseada
em materiais criados pela Sociedade Internacional de Dislexia, com
sede nos Estados Unidos. "Trata-se de um instrumento sem precedentes
na educação de crianças com essa disfunção",
diz o psicopedagogo Mario Angelo Braggio, especialista em distúrbios
de aprendizagem.
A ciência ainda não desvendou completamente
os processos cerebrais que levam à dislexia. A teoria mais
aceita atualmente defende que se trata de um defeito na distribuição
dos neurônios, quando a criança ainda está no
útero materno. Por volta da 25ª semana de gestação,
ocorre um reposicionamento dos neurônios. No cérebro
dos disléxicos, por alguma razão, uma parte dos neurônios
toma o caminho errado. A dislexia pode se manifestar de várias
maneiras. Os problemas mais recorrentes são a dificuldade
em diferenciar letras visualmente semelhantes, como o "p" e o "b",
ou o "d" e o "q", e de relacionar o som de uma letra à grafia
correspondente. Alguns disléxicos também apresentam
dificuldade para memorização de certas informações.
Listar, por exemplo, os nomes de países que começam
com uma determinada letra pode representar um grande obstáculo.
A nova cartilha oferece exercícios criados
para minorar as dificuldades dos portadores da disfunção
(veja
o quadro). Conta, ainda, com alguns "truques"
entre eles, letras em alto-relevo, que visam a familiarizar os estudantes
com o formato delas. A explicação é que, com
o auxílio do tato, fica mais fácil memorizar a maneira
correta de escrevê-las. Uma vantagem da cartilha é
que ela pode ser utilizada por crianças não disléxicas.
Mas o título com gerúndio, convenhamos, é uma
desvantagem estilística que deveria ser eliminada.
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