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Comportamento
Viva a alta rotatividade
Com ou sem necessidade, trocar
de celular virou mania nacional

Laura Ming
Lailson Santos
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| Crichi, no oitavo celular: a culpa é da câmera
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Não dá para imaginar a vida sem ele. Mais do que um
instrumento de comunicação, ele virou quase um prolongamento
do corpo, junto ao qual, em geral, é carinhosamente acomodado.
Com tanta intimidade, era de esperar que os usuários criassem
afeição pelo celular que os acompanha em todos os
momentos. Nada menos verdadeiro: a cada novo modelo, multidões
correm para trocar seu aparelho ainda perfeitamente adequado. Pesquisas
recentes mostram que, no Brasil, o tempo médio de troca de
aparelho é de dois anos, sendo que nas classes A e B o intervalo
cai para um ano e meio. Os fabricantes calculam que, atualmente,
60% das vendas atendam ao chamado mercado de reposição
ou seja, pessoas que compram celular para substituir o que
já têm; em dois anos, a porcentagem desse tipo de infidelidade
em série deve subir para 90%. "Celular é item de moda.
Ele diz muito sobre a pessoa", avalia Regina Macedo, diretora de
marketing da BenQ Mobile, empresa de Taiwan que comprou a divisão
de celulares da alemã Siemens. "Brasileiro coloca o celular
em cima da mesa para mostrar", concorda Anderson Ramos, diretor
de marketing da Nokia.
No Orkut, site de relacionamento
que virou espelho de comportamento, existem cerca de dez comunidades
de pessoas que não resistem a um modelo novo só
a "Eu adoro trocar de celular" tem mais de 800 membros. O analista
de sistemas paulista Gilberto Crichi, 24 anos, está no oitavo
celular e confessa: ainda não tinha terminado de pagar um
quando comprou o novo. Culpa, segundo ele, da atração
fatal por uma câmera fotográfica mais potente. "Eu
tiro muita foto. Tenho mais de 300 guardadas no computador", calcula.
Já o estudante de marketing Daniel Gregorio, 23, trocou seu
celular de apenas cinco meses por um modelo (o décimo) mais
novo, de 3.200 reais, porque achou bonito mesmo: "Ele faz muito
sucesso. Todo mundo quer ver. Também toca MP3, mas não
gosto de ouvir música no celular".
Entre os atributos mais desejados
em um celular, o design fica em primeiro lugar (61%), seguido de
câmera fotográfica e tocador de música. Algumas
marcas fazem vendas pela internet, mas a grande maioria dos aparelhos
é adquirida nas lojas das operadoras de celular, que oferecem
descontos. "Essas vendas não dão lucro. Os aparelhos
são subsidiados e a operadora ganha mesmo é no fornecimento
do serviço", explica Marco Lopes, gerente de marketing da
Tim. Trocas são muito estimuladas: "Queremos que o consumidor
tenha o aparelho dos seus sonhos. Assim, continuará fiel
à operadora", diz Leda Caiano, diretora da Vivo. Nesse mercado
dos sonhos, mais de 100 modelos de celulares são lançados
a cada ano, a preços que variam de 99 a 3.300 reais. A maioria
não tem nada mais digno de nota do que um nome famoso (como
a parceria da BenQ com a italiana Escada) ou uma cor diferente.
Não importa: serão eternos, enquanto durarem.
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VAMOS ESTAR LANÇANDO...
Loucos por celular, separem
a verba.
As principais novidades
a caminho:
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NOKIA
N91
Com disco rígido
de 4 gigabytes, armazena até 3 000 músicas.
Tem controle remoto e câmera de 2 megapixels.
Preço: 3 000 reais |
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MOTOROLA
RAZR V3i
A nova versão do celular
ultrafino dispõe do software iTunes para
organizar músicas e câmera digital
que também grava vídeo.
Preço: não disponível
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SAMSUNG
D820
A câmera de
1,3 megapixel grava mais de uma hora de vídeo.
Tem tocador de MP3 com dois alto-falantes estéreo.
Preço: 1 700 reais
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BENQ
SL75
A grife italiana Escada
assina o design do celular dourado. Além
do nome, seu único diferencial é
a bolsinha especialmente desenhada.
Preço: 3 000 reais
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Fotos divulgação
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