Edição 1953 . 26 de abril de 2006

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Comportamento
Viva a alta rotatividade

Com ou sem necessidade, trocar
de celular virou mania nacional


Laura Ming


Lailson Santos
Crichi, no oitavo celular: a culpa é da câmera


Não dá para imaginar a vida sem ele. Mais do que um instrumento de comunicação, ele virou quase um prolongamento do corpo, junto ao qual, em geral, é carinhosamente acomodado. Com tanta intimidade, era de esperar que os usuários criassem afeição pelo celular que os acompanha em todos os momentos. Nada menos verdadeiro: a cada novo modelo, multidões correm para trocar seu aparelho ainda perfeitamente adequado. Pesquisas recentes mostram que, no Brasil, o tempo médio de troca de aparelho é de dois anos, sendo que nas classes A e B o intervalo cai para um ano e meio. Os fabricantes calculam que, atualmente, 60% das vendas atendam ao chamado mercado de reposição – ou seja, pessoas que compram celular para substituir o que já têm; em dois anos, a porcentagem desse tipo de infidelidade em série deve subir para 90%. "Celular é item de moda. Ele diz muito sobre a pessoa", avalia Regina Macedo, diretora de marketing da BenQ Mobile, empresa de Taiwan que comprou a divisão de celulares da alemã Siemens. "Brasileiro coloca o celular em cima da mesa para mostrar", concorda Anderson Ramos, diretor de marketing da Nokia.

No Orkut, site de relacionamento que virou espelho de comportamento, existem cerca de dez comunidades de pessoas que não resistem a um modelo novo – só a "Eu adoro trocar de celular" tem mais de 800 membros. O analista de sistemas paulista Gilberto Crichi, 24 anos, está no oitavo celular e confessa: ainda não tinha terminado de pagar um quando comprou o novo. Culpa, segundo ele, da atração fatal por uma câmera fotográfica mais potente. "Eu tiro muita foto. Tenho mais de 300 guardadas no computador", calcula. Já o estudante de marketing Daniel Gregorio, 23, trocou seu celular de apenas cinco meses por um modelo (o décimo) mais novo, de 3.200 reais, porque achou bonito mesmo: "Ele faz muito sucesso. Todo mundo quer ver. Também toca MP3, mas não gosto de ouvir música no celular".

Entre os atributos mais desejados em um celular, o design fica em primeiro lugar (61%), seguido de câmera fotográfica e tocador de música. Algumas marcas fazem vendas pela internet, mas a grande maioria dos aparelhos é adquirida nas lojas das operadoras de celular, que oferecem descontos. "Essas vendas não dão lucro. Os aparelhos são subsidiados e a operadora ganha mesmo é no fornecimento do serviço", explica Marco Lopes, gerente de marketing da Tim. Trocas são muito estimuladas: "Queremos que o consumidor tenha o aparelho dos seus sonhos. Assim, continuará fiel à operadora", diz Leda Caiano, diretora da Vivo. Nesse mercado dos sonhos, mais de 100 modelos de celulares são lançados a cada ano, a preços que variam de 99 a 3.300 reais. A maioria não tem nada mais digno de nota do que um nome famoso (como a parceria da BenQ com a italiana Escada) ou uma cor diferente. Não importa: serão eternos, enquanto durarem.

 

VAMOS ESTAR LANÇANDO...

Loucos por celular, separem a verba.
As principais
novidades a caminho:

NOKIA N91
Com disco rígido de 4 gigabytes, armazena até 3 000 músicas. Tem controle remoto e câmera de 2 megapixels.
Preço: 3 000 reais


MOTOROLA RAZR V3i
A nova versão do celular ultrafino dispõe do software iTunes para organizar músicas e câmera digital que também grava vídeo.
Preço: não disponível


SAMSUNG D820
A câmera de 1,3 megapixel grava mais de uma hora de vídeo. Tem tocador de MP3 com dois alto-falantes estéreo.
Preço: 1 700 reais


BENQ SL75
A grife italiana Escada assina o design do celular dourado. Além do nome, seu único diferencial é a bolsinha especialmente desenhada.
Preço: 3 000 reais



Fotos divulgação

 
 
 
 
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