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Brasil
Ele está de volta...
...e não mudou nada: Itamar
semeia a
cizânia pensando apenas em si mesmo

Otávio Cabral
Beto Barata/AE
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| Garotinho (à esq.) e Itamar
(à dir.): a confraria de caciques do PMDB não
conseguiu nem marcar a data da convenção |
O ex-presidente Itamar Franco, que
governou o país de outubro de 1992 a dezembro de 1994, voltou
ao centro do noticiário político nacional. Há
duas semanas, numa entrevista em Juiz de Fora, Itamar surpreendeu
seu próprio partido, o PMDB, ao anunciar que pretende ser
candidato a presidente da República. O anúncio foi
feito no momento em que o ex-governador Anthony Garotinho, que vem
negociando febrilmente para ser o candidato do PMDB ao Palácio
do Planalto, estava em Juiz de Fora para arrebanhar o apoio de Itamar
e não apenas falhou em obter apoio como ainda ganhou
um rival inesperado. Na semana passada, o ex-presidente, agora já
empenhado em sua nova missão, esteve em Brasília reunido
com líderes do PMDB. Nas reuniões, que duraram dois
dias, o partido deveria decidir se terá ou não candidato
próprio à Presidência e marcar a data de sua
próxima convenção. Como o PMDB deixou de ser
um partido e virou uma associação de caciques com
interesses divergentes, não se conseguiu decidir nem uma
coisa nem outra. Mas Itamar, diz ele, segue firme em sua cruzada
para convencer o partido a lançá-lo candidato.
Na verdade, o ressurgimento de Itamar
é uma manobra típica do manjadíssimo personagem
de Juiz de Fora, um político habituado a semear a cizânia
para obter dividendos pessoais. É, de novo, o que está
acontecendo. A intenção do ex-presidente é
candidatar-se ao Senado, mas havia dois obstáculos. O PMDB
mineiro preteriu seu nome em favor do ex-prefeito de Uberlândia
Zaire Rezende e, para piorar as coisas, a imprensa local não
vinha lhe dando atenção. Nesse cenário adverso,
Itamar resolveu disparar o factóide da Presidência.
Deu certo. Conseguiu espaço no noticiário dos meios
de comunicação de Minas Gerais e o PMDB local já
admite a possibilidade de lançá-lo ao Senado. "Minha
carreira sempre foi marcada pelo imprevisto; quando menos esperava,
tudo dava certo. Se conseguir ser candidato a presidente ou a vice,
vou em frente. Se não, pelo menos voltei a ser notícia
em Minas e garanti minha candidatura ao Senado", comemorou o ex-presidente
com um interlocutor.
A história de ser presidente
surgiu quando Itamar Franco foi convidado a ocupar o lugar de candidato
a vice na chapa reeleitoral do presidente Lula. O portador do convite
foi o ex-ministro José Dirceu, encarregado da missão
exatamente na semana em que o Ministério Público o
denunciou na investigação do mensalão como
o "chefe da quadrilha". A idéia de Dirceu, debatida com o
próprio presidente Lula, tinha um duplo objetivo. O mais
conhecido é causar confusão dentro do PMDB e impedir
que o partido tenha candidato próprio. Nesse quadro, o PMDB
apoiaria, ainda que dividido, a reeleição de Lula.
O outro objetivo, mantido em segredo, é usar Itamar como
antídoto contra um processo de impeachment num eventual segundo
mandato de Lula. Como Itamar provoca arrepios no mundo político
e econômico, a idéia é que perderia força
a mobilização para tirar Lula. É engenhoso,
mas não deixa de ser insólito: antes, os candidatos
procuravam vices capazes de substituí-los e não
o contrário.
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