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Brasil
Quanta coincidência!
Castello Branco, sócio de
uma
agência, está em todo lugar onde
antes estava Marcos Valério...

Julia Duailibi
Montagem sobre fotos de Joedson Alves/AE,
Beto Barata/AE
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| Castello Branco, da Giacometti: ele diz que
viu Marcos Valério só uma vez. No escritório
que os dois mantinham em Brasília... |
O ex-sindicalista Paulo Okamotto, o
amigão do presidente Lula, lançou há três
semanas uma campanha publicitária dirigida aos pequenos e
microempresários do país. A campanha é do Sebrae,
uma entidade vinculada ao governo federal que é presidida
por Okamotto desde janeiro de 2005. Neste ano, além da campanha
que já está no ar, o Sebrae fará uma outra,
a ser lançada agora em maio. Deverá gastar em torno
de 30 milhões de reais em publicidade. Cerca de metade do
dinheiro vai para o bolso de um publicitário que começa
a chamar atenção em Brasília: Hiran Amazonas
Castello Branco, sócio da Giacometti. Castello Branco cuida
dos contatos de sua empresa com empresas públicas e, para
cumprir sua missão, vive pelos corredores da burocracia federal
em Brasília e conhece dirigentes de estatais. Sua agência
já teve muitos negócios com a SMPB e outras empresas
da constelação de Marcos Valério, o publicitário
do mensalão. Marcos Valério e Castello Branco já
foram sócios informais. Suas agências já funcionaram
no mesmo endereço em Brasília, partilharam as mesmas
equipes de profissionais da publicidade e até já participaram
das mesmas licitações como se fossem cruéis
concorrentes.
Ed Ferreira/AE
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| João Paulo: ele é de Osasco
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Devido a essa simbiose de negócios, Castello Branco assume
o papel de sucessor informal de Marcos Valério, que foi abatido
pelo escândalo do mensalão. Ele refuta as insinuações
e manda dizer que só viu Marcos Valério uma vez na
vida numa visita que Valério fez ao escritório
que a Giacometti compartilhava com a SMPB em Brasília. Por
mal se conhecerem, só mesmo a coincidência explica
o fato de que a Giacometti de Castello Branco vive trilhando o caminho
aberto pela SMPB de Marcos Valério. Agora mesmo, ela disputa
uma licitação para fazer as campanhas publicitárias
da prefeitura de Osasco, uma conta de uns 5 milhões de reais.
O prefeito de Osasco é o petista Emidio de Souza, ligadíssimo
ao deputado João Paulo Cunha, aquele que mandou sua mulher
sacar 50.000 reais do valerioduto e contratou a SMPB para
prestar serviços à Câmara dos Deputados no tempo
em que presidiu a Casa. Aliás, numa outra coincidência,
a Giacometti também participou da concorrência para
pegar a conta da própria Câmara dos Deputados. Hoje,
sabe-se que essa concorrência foi irregular, dirigida para
dar vitória à SMPB. A Giacometti perdeu numa concorrência
portanto desleal. Mas nem reclamou.
Joedson Alves/AE
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| Okamotto, que preside o Sebrae: neste ano,
gastos de 30 milhões de reais com publicidade |
Neste ano, o Sebrae de Paulo Okamotto
renovou seu contrato com a Giacometti sem fazer uma nova licitação.
Isso é permitido, até um prazo máximo de cinco
anos, embora não seja o procedimento normal. O Sebrae não
achou que deveria fazer nova concorrência, ainda que a Giacometti,
durante as investigações da CPI dos Correios, tenha
sido flagrada depositando dinheiro diretamente no valerioduto. Aconteceu
o seguinte: a Giacometti era a titular da conta publicitária
dos Correios, pela qual ganhou 9,7 milhões de reais. Desse
total, a Giacometti depositou 6,7 milhões nas contas da SMPB.
Foram 51 pagamentos para a agência de Marcos Valério
ao longo de 2001 e 2004. Uma parte desse montante, 900.000 reais,
foi enviada diretamente para a conta da SMPB no Banco Rural, em
cujas agências era distribuído o mensalão aos
assessores de parlamentares ou aos próprios parlamentares.
Uma incrível coincidência: quando terminou o contrato
da Giacometti com os Correios, abriu-se uma nova licitação.
A Giacometti concorreu mas, dessa vez, foi derrotada. Por quem?
Por ela mesma, a SMPB.
Em outra concorrência, dessa
vez para prestar serviço ao governo do Distrito Federal,
as juras de amor trocadas pela Giacometti e pela SMPB eram tantas
que os fiscais da licitação denunciaram que as duas
agências estavam apenas simulando concorrência. Num
relatório, apontaram que ambas atuavam em "conluio". Um dos
indícios desse casamento clandestino era o fato de que quatro
técnicos da Giacometti trabalharam na proposta da SMPB. É
mais ou menos como se os técnicos da Ford fossem ajudar os
técnicos da Volkswagen a desenvolver um novo carro
e isso num certame em que as duas montadoras estivessem disputando
a mesma verba. A fraternidade entre a Giacometti e a SMPB, no entanto,
tem sido infinda. As duas agências são tão amigas
que até o acordo operacional, pelo qual partilhavam até
o mesmo escritório, foi feito sem um contrato formal. Saiu
tudo no fio do bigode.
Com o estouro do escândalo
do mensalão, a SMPB de Marcos Valério praticamente
parou de operar. No ano passado, a SMPB estava tentando ganhar a
conta da prefeitura de Osasco, quando o escândalo veio a público.
A prefeitura cancelou a licitação e descobriu-se que
o processo estava dirigido para a agência de Marcos Valério.
Tão dirigido que até a tabela para reajuste, prevista
no edital, não levava em conta os preços de Osasco
ou de São Paulo, mas os de Minas Gerais onde fica
a sede da SMPB. Com a reabertura da licitação, a agência
mineira, já enxovalhada pelo escândalo, não
voltou a se inscrever. Agora, quem está tentando ocupar o
imenso vazio deixado pela SMPB em Osasco é a Giacometti de
Hiran Amazonas Castello Branco. É mera coincidência,
é claro. Ah, uma outra coincidência: o funcionário
da Giacometti que cuida da conta do Sebrae de Paulo Okamotto, aquela
que renderá uns 15 milhões de reais neste ano, chama-se
Rodrigo Capdeville. Antes de entrar para os quadros da Giacometti,
Capdeville trabalhou por dez anos na SMPB.
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