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Brasil
Eles invadem e o governo apóia
Lula estimula "reivindicações" dois dias depois de o MST promover
ataques maciços em todo o país 
Juliana Linhares e Marcelo Carneiro
Dois dias depois de o
Movimento dos Sem-Terra (MST) voltar a colocar em prática seu ritual de
saques, vandalismo e invasões de propriedades privadas, o presidente Lula
veio a público protagonizar um de seus mais constrangedores momentos desde
que decidiu lançar-se à campanha pela reeleição. Em
um discurso-comício para uma platéia de índios e agricultores
na cidade de Tenente Portela (RS), na quarta-feira passada, ele criticou fazendeiros,
a quem chamou de "caloteiros", e estimulou as "reivindicações" por
parte dos movimentos sociais. "Aproveitem e reivindiquem no meu governo", conclamou.
A frase foi proferida um dia depois de o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues,
classificar de "vandalismo" a série de invasões do MST a unidades
de empresas florestais na Bahia e no Rio Grande do Sul. A verdade é que
os sem-terra estão cada vez mais distantes do que se pode chamar de movimento
social – e, ao apoiar o MST, em vez de chamá-lo à responsabilidade,
Lula mais uma vez chancelou o desrespeito ao estado de direito. O escândalo
não pára por aí: os facínoras chefiados por João
Pedro Stedile continuam a ser adubados com patrocínio estatal. Como mostra
o quadro abaixo, o aumento das invasões e dos roubos nos últimos
anos está intrinsecamente ligado ao crescimento vertiginoso dos repasses
governamentais ao MST. Tudo somado, isso significa, em bom português, que
a administração petista apóia e financia a bandidagem.
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Na segunda-feira passada, o MST lembrou
os dez anos do massacre de Eldorado dos Carajás exercitando o que sabe
fazer de pior. Em menos de 24 horas, militantes da organização saquearam
dois caminhões de carga em Pernambuco, bloquearam seis rodovias no Pará
e no Rio Grande do Sul e invadiram treze fazendas: dez no Pontal do Paranapanema,
em São Paulo, duas em Minas Gerais e uma na Bahia. Esta última teve
sua plantação de eucaliptos destruída depois que os invasores
arrancaram centenas de mudas para armar 300 barracas na propriedade. A sucessão
de atos de vandalismo foi a forma escolhida pelo MST para protestar contra a impunidade
dos policiais responsáveis pelo assassinato de dezenove sem-terra no Pará,
em abril de 1996. Ou seja: os sem-terra clamam por justiça cometendo crimes.
E só aceitam as regras do direito quando estão na condição
de vítimas. Já quando invadem, depredam e saqueiam, recusam-se a
submeter-se às leis. Na última segunda-feira, Jaime Amorim, um dos
líderes do MST, negou-se a chamar de saques os ataques perpetrados por
cerca de 1.000 sem-terra contra dois caminhões de carga em Pernambuco.
"Foi uma recuperação de alimentação", afirmou. "Um
ato normal dos trabalhadores que estão passando fome." O currículo
dos principais líderes do MST está repleto de "atos normais" (veja
quadro). Apenas quatro deles – José Rainha, João
Pedro Stedile, Clédson Mendes da Silva e o próprio Jaime Amorim
– acumulam pelo menos 39 processos criminais, que incluem furto e formação
de quadrilha. Três militantes do movimento já foram condenados por
homicídio e outros dezessete aguardam julgamento pelo mesmo crime.
Fotos Alexandre Severo/Dida Sampaio/AE
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| Para o MST, praticar crimes é a maneira de clamar
por justiça. Acima, vítimas de Carajás; abaixo, saque em
Pernambuco |  |
O MST nasceu em 1984 como um movimento
social destinado a lutar pela reforma agrária – uma causa da segunda metade
do século passado que já não faz mais sentido na realidade
brasileira. A bandeira anacrônica, no entanto, nunca passou de pretexto
para as verdadeiras motivações de seus líderes: a "revolução
socialista". Como socialismo e banditismo são duas faces da mesma moeda,
o primeiro justificando o segundo, deu no que deu. Duas malandragens permitem
que o MST se sinta à vontade para cometer seus delitos. A primeira: o movimento,
até hoje, recusa-se a adotar uma personalidade jurídica – o que
significa que, do ponto de vista legal, simplesmente inexiste. "Dessa maneira,
torna-se impossível acionar a organização judicialmente",
diz o promotor José Carlos Cosenzo, presidente da Associação
Nacional dos Membros do Ministério Público. A segunda malandragem
reside no fato de os crimes serem, invariavelmente, cometidos por grandes grupos.
"A Justiça brasileira tem poucos instrumentos para lidar com a quebra da
lei em ordem coletiva, como é o caso de uma invasão em que participam
150 famílias, por exemplo", explica o deputado Raul Jungmann, ex-ministro
do Desenvolvimento Agrário do governo FHC. O MST também se beneficia
de uma ingenuidade: o ideário politicamente correto que, espargido entre
a classe média por professores universitários esquerdistas, camufla
perante uma parte da opinião pública a sua verdadeira essência
– a de organização criminosa – com a aparência de um movimento
que defende a justiça social. Nos anos 90,
entidades religiosas da Europa – até então as principais fontes
de recursos do MST– começaram a direcionar suas doações para
projetos assistenciais do Leste Europeu. A partir daí, o movimento passou
a depender da ajuda involuntária do contribuinte brasileiro. Desde 1992,
o governo faz repasses ao movimento por meio de cooperativas associadas a ele
(já que, do ponto de vista da existência jurídica, o MST é
uma entidade fantasma). Em tese, o dinheiro serviria para ensinar técnicas
de agricultura aos sem-terra e alfabetizar seus filhos. Na prática, vem
sendo usado para a única atividade comprovadamente desenvolvida por seus
militantes: a invasão e a destruição da propriedade alheia.
Do ponto de vista da injeção de recursos,
o MST nunca foi tão bem tratado por um governo. Nos últimos três
anos da gestão Fernando Henrique Cardoso, o movimento recebeu, por meio
de suas principais cooperativas, 7,9 milhões de reais. Nos três primeiros
anos do governo Lula, esse valor triplicou. Foram mais de 25 milhões de
reais até agora, supostamente destinados ao pagamento de despesas como
"assessoria técnica e educacional". Um relatório do Tribunal de
Contas da União (TCU), divulgado no início deste ano, apontou uma
série de irregularidades nos repasses, entre elas a falta de comprovação
de execução dos serviços. Por causa disso, o tribunal pediu
a instauração de quinze processos visando ao ressarcimento de 15
milhões de reais aos cofres públicos. O governo Lula não
tem brindado o MST apenas com afagos e dinheiro, mas também com enorme
leniência. Em 2002, último ano do governo FHC, o movimento havia
promovido 103 invasões de propriedades. Só nos três primeiros
meses deste ano já foram 107. É o maior número registrado
no primeiro trimestre nos últimos seis anos. O pior é que, com a
proximidade das eleições, tudo indica que Lula está mais
do que disposto a continuar fazendo vista grossa ao vandalismo do MST.
Com reportagem de Camila Pereira e
Renato Piccinini
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