LIVROS
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Paul McCartney -- Many Years
from Now, de Barry Miles (DBA; tradução
de Mário Vilela; 778 páginas; 45 reais)
Miles é amigo há mais de três décadas
do ex-beatle Paul McCartney, foi um dos diretores da gravadora
Apple, fundada pelo quarteto de Liverpool, e escreveu uma
festejada biografia do poeta beat Allen Ginsberg. Esta biografia
autorizada de McCartney é o melhor livro escrito
até hoje sobre os Beatles. Resulta de dezenas de
entrevistas feitas ao longo de cinco anos com o compositor.
Para os fãs do grupo, ele oferece um show de informações
inéditas. McCartney conta em detalhes como surgiram
dezenas de composições do conjunto feitas
por ele e seu parceiro John Lennon e explica o significado
real de várias letras. Revela que Got to Get You
into My Life, por exemplo, não era uma declaração
de amor a uma garota, mas uma homenagem à maconha.
O compositor também expõe muitas cenas de
bastidores dos Beatles, mostrando a série de desentendimentos
que resultaram no fim do grupo, em 1970. Há poucas
semanas, anunciou-se que McCartney, George Harrison e Ringo
Starr estão escrevendo um livro com a história
da banda. Many Years from Now pode servir como um
saboroso aperitivo.
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| Cozinha
indiana: mais do que curry |
Arqueologias Culinárias
da Índia, de Fernanda de Camargo-Moro (Record;
480 páginas; 35 reais) A autora é arqueóloga
e passou boa parte das últimas três décadas
viajando pela Índia e por países vizinhos
em missões patrocinadas pela Unesco. Entre uma escavação
e outra, dedicava-se a saborear e a estudar a culinária
das regiões por onde passava. Neste livro, ela reúne
uma centena de receitas típicas, das mais conhecidas
a outras descobertas em recantos obscuros do país.
O leitor habituado a identificar a cozinha indiana com frango
ao curry e mango chutney ficará admirado diante da
enorme variedade de outras preparações e ingredientes
que ela sugere. "Do sul ao norte, da planície à
montanha, a Índia tem mais de 1.000 cozinhas", escreve
Fernanda na introdução. Em meio às
receitas, a autora discorre sobre as características
da culinária indiana e comenta aspectos culturais
do país, exibindo uma impressionante familiaridade
com o assunto. Ensina também onde encontrar os ingredientes
mais exóticos em cidades como Rio de Janeiro e Nova
York. De quebra, para os turistas brasileiros, dá
dicas dos lugares em que se come bem nas principais cidades
da Índia e onde está a melhor comida indiana
nas grandes capitais do mundo.
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O Eleito, de Thomas
Mann (Mandarim; tradução de Lya Luft; 271
páginas; 29,50 reais) Pergunte a qualquer
crítico, em qualquer parte do mundo, qual a sua lista
de maiores escritores do século XX. Nove entre dez
incluirão o alemão Thomas Mann nas primeiras
posições. Autor de romances como Doutor
Fausto e A Montanha Mágica, ele é
um daqueles raros escritores que realmente merecem ser chamados
de gênios. O Eleito é uma de suas obras
menos conhecidas. É uma recriação da
lenda de São Gregório, a quem Mann se refere
como um "Édipo cristão". O primeiro registro
dessa lenda se encontra num manuscrito medieval francês.
Fala de um menino que, por ser fruto de um relacionamento
incestuoso, é abandonado logo depois de nascer. Na
juventude, informado sobre sua história, ele parte
numa jornada em busca de seus pais e também da remissão
dos pecados familiares. Mann permite que a história
seja interpretada tanto no sentido religioso como no laico.
Para além do conteúdo moral da fábula,
no entanto, o que importa é a maneira como ela é
narrada. Mann transporta o leitor para a Idade Média.
Emprega uma linguagem rica, elaborada e ainda assim perfeitamente
clara. O Eleito já havia sido traduzido no
Brasil, mas estava fora de catálogo fazia décadas.
DISCOS
Gung Ho,
Patti Smith (BMG) A cantora americana tem extensa
ficha de serviços prestados ao pop. Nos anos 70,
em discos como Horses, ela injetou boa poesia no
rock. Simples e carregada de crítica social, sua
música tornou-se referência para o movimento
punk. Mais de vinte anos depois, a cinqüentona continua
em forma. Gung Ho é cheio de baladas em voz
grave e rocks energéticos, como Glitter in Their
Eyes. Eis um caso raro de artista engajada Patti
é esquerdista roxa que hoje não soa
chato.
(The Best of)
New Order, New Order (London/WEA) Nos anos
80, muito antes de ritmos como o tecno e a house despontarem,
o New Order já fazia música eletrônica
ultradançante. Com a vantagem de que, em vez de ficar
só no bate-estaca que hoje impera nas pistas, o quarteto
inglês compunha canções deliciosas.
Lançada na Inglaterra há cinco anos, esta
coletânea traz os maiores sucessos do grupo, de Bizarre
Love Triangle a Blue Monday. Uma lição
de como arrasar nas FMs sem perder qualidade.
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Santana, Abraxas
e Santana 3, Santana (Columbia/Sony Music)
Quem comprar estes CDs pode dar-se ao luxo de esnobar
todos os outros lançamentos do guitarrista mexicano.
Inclusive o badalado Supernatural, que no ano passado
vendeu 11 milhões de cópias e rendeu a ele
oito prêmios Grammy. Esta tríade possui todas
as canções que transformaram o músico
em objeto de culto. Com sua inovadora mistura de rock com
ritmos latinos, Santana colocou a rapaziada dos anos 60
e 70 para dançar em hits como Guajira, Oye Como
Va e Soul Sacrifice. Deu tão certo que
ele vem diluindo essa receita nos últimos trinta
anos.
SHOW
Sygma
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| Afro
Cuban All Stars: dançante |
Afro Cuban All Stars (dias 27 e 28 no Via Funchal,
em São Paulo; dia 1º de maio no Teatro do Sesi,
em Porto Alegre) A música cubana tradicional
voltou à moda com o sucesso do Buena Vista Social
Club, show que reuniu a velha-guarda do gênero,
rodou por vários países e virou tema do cultuado
documentário homônimo do cineasta Wim Wenders.
O grupo Afro Cuban All Stars junta integrantes do Buena
Vista com músicos cubanos mais jovens. O som é
igualmente sensacional, apenas um pouco mais pesado, com
ênfase na percussão. No cardápio, mambos,
guajiras e boleros que colocam todo mundo para dançar.