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Macio e jeitoso
Técnicas modernas produzem um couro
com
caimento de tecido, em cores fortes e variadas
Silvia Rogar
Fotos André Rolim
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Xale molengo, a
jaquetinha inevitável e saia com apliques:
a tecnologia a serviço do conforto
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A Itália produziu as máquinas, a Alemanha
desenvolveu a química e a indústria da moda
pôs agulhas à obra. Pronto as roupas
de couro ganharam cara nunca vista, deixando definitivamente
para trás o visual reto e duro dos modelos clássicos.
Aquele casaco que levava anos para amaciar sumiu. Em cores
impensáveis, o couro nas roupas que estão
chegando às vitrines de inverno é molinho
e maleável, resultado de um tratamento com técnicas
mais avançadas e de uma troca de matéria-prima
que fez toda a diferença: o tradicional couro de
vaca foi substituído por napa (a parte mais nobre
do couro) de cabra e de ovelha. "Ficou tão suave
que imaginava estar trabalhando com uma seda", exagera Reinaldo
Lourenço, que para sua última coleção
plissou, franziu e fez até babados com couro.
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Top com desenho de losangos, calça
como manda a moda e camisa bem talhada: bem em qualquer
peça
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Não se trata de coisa de passarela, aquelas ousadias
que as mortais com mais de 45 quilos não têm
coragem de usar. As lojas dos shoppings e os mercados de
moda estão apinhados de casacos, saias, jaquetas
e calças. Tem até blusas de tricô, feitas
com tirinhas de couro trançadas. Ainda na linha das
novidades, a grife carioca Mariazinha apostou num efeito
envelhecido nos cotovelos e joelhos. A Zoomp inovou com
losangos franzidinhos nos tops, que lembram um sofá
de couro dos anos 50. "O toque e a espessura estão
cada vez mais agradáveis", diz Alexandre Herchcovitch,
criador das peças da grife. De fato, um curtume moderno,
cheio de máquinas avançadas, pouco lembra
os fétidos galpões de outrora. Cheiro ainda
há, que o enxofre continua indispensável para
a remoção dos pêlos. Mas os óleos
e as graxas usados para curtir o couro são sintéticos,
o que garante mais maciez e menos fedentina. As resinas
dão brilho muito mais natural, os corantes resistem
ao calor e ao suor e ambos agora são à base
de água, que substituiu o solvente, evitando alergias.
O processo inteiro é mecanizado e controlado por
computadores, o que garante uniformidade de curtimento e
de espessura às peças. Tudo isso, e mais o
empurrão da onipresente Gucci (originalmente uma
marca especializada em couro), que criou uma jaqueta curta
imitadíssima, colocou o material em todas as vitrines.
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Saia de prega e blusa de tricô
com fios de couro: adaptação do visual
Gucci
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Grifes como Forum e Beneduci exploram o dourado, uma das
sensações do inverno. A mineira Patachou criou
peças de couro pela primeira vez em dezoito anos.
O best-seller é uma jaquetinha toda pespontada, exatamente
igual às feitas com jeans. As cores? Verde, azul-mar,
roxa, vermelha. As saias ganharam bordados e, de tão
molengo, até xale se faz de couro. Se já foi
símbolo de rebeldia na figura de James Dean e companhia,
o couro hoje marca uma moda sensual, no Brasil e fora dele.
A maior procura, é claro, inflacionou o produto.
No último ano, a cotação internacional
do couro subiu cerca de 50%. Nas lojas, qualquer peça
custa pelo menos o dobro de sua similar em tecido. Mesmo
assim, o sucesso é tanto que os estilistas brasileiros
já programam os arrojos da coleção
de verão. Couro em janeiro? "Vestidos de alcinha,
tops, rendas de couro. Tudo isso é permitido", afirma
Amaury Veras, da grife especializada Frankie Amauri. Ele
sabe o que diz. Em 1980, foi o responsável pela coleção
de couro que a italiana Fiorucci lançou no Brasil.
Na época, Amaury adaptou aos ares tropicais o aprendizado
de sete anos num ateliê do balneário de Saint-Tropez,
na França. Há vinte anos, ele era o único.
Hoje, companhia não falta. "O couro é febre.
E de 40 graus", arremata.
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Vale tudo com o novo
linho
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Pele de cobra: a estampa
disfarça o amarrotado
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O linho, aquele pano leve e elegante que amassa até
de olhar, anda irreconhecível. A base ainda
é a mesma: uma trama macia e irregular feita
exclusivamente com fios importados, trazidos da França
e da Bélgica, únicos países onde
a planta do linho é cultivada em escala industrial.
Por fora, no entanto, vale tudo: dourado e prateado
como uma roupa de astronauta, emborrachado, misturado
ao levíssimo tencel nas camisas e shorts esportivos
e, como não podia deixar de ser neste inverno
dos bichos, com cara de couro e de pele de réptil.
Os efeitos são, todos, resultados de novas
técnicas de estamparia e tingimento. Com uma
pasta de silicone, obtém-se a aparência
de pele. Com resinas especiais, a aparência
de couro e de material metalizado. "Amassar, ainda
amassa, mas, com essas coberturas, não aparece
tanto", garante Virginia Kusiak, diretora da Braspérola,
maior fabricante nacional. Em maio, a empresa lançará
o easy care finishing, um linho com cara de
linho que, no entanto, tem a propriedade de desamarrotar
sozinho. É usar, pendurar e, no dia seguinte,
garante o fabricante, a peça de roupa está
de novo pronta para o uso.
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