Edição 1 646 -26/4/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Amantes do Porsche correm em Interlagos
Atletas de países pobres trocam de bandeira
Construções de imigrantes alemães serão tombadas
Egito censura livros mas ergue biblioteca gigante
Porto Seguro ganha infra-estrutura nos 500 anos
A ioga volta à moda no cinema e nas academias
Exposição mostra por que o homem usa tatuagem
Grandes árvores amazônicas morrem no descampado
Couro com caimento e cores de tecido
Sutiã que se enche de ar para compensar seios pequenos
Testosterona faz a cabeça dos quarentões
Como os executivos estrangeiros vivem no Brasil
A família Schürmann está de volta
A guru Betty Friedan apanhava do marido
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

A solidão mata

As grandes árvores da Amazônia não resistem
ao desmatamento próximo, revela estudo

Klester Cavalcanti

 

Inpa/Smithsonian

Robustas, altivas e imponentes, as árvores centenárias da Amazônia, aquelas de troncos tão grossos que dez pessoas não conseguem abraçar e de até 50 metros de altura, são na verdade as vítimas mais frágeis do maior vilão atual da floresta: o desmatamento. Durante vinte anos, um grupo de trinta pesquisadores observou as árvores localizadas em áreas que os cientistas chamam de fragmentos e outras em florestas contínuas. "São nacos de floresta nativa que ficaram ilhados por áreas desmatadas", explica o ecologista americano William Laurance, coordenador do estudo, feito em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Smithsonian Institution, dos Estados Unidos. A conclusão é que a invasão do pasto sobre a selva é implacável com as gigantes da floresta. Todas as árvores sofrem quando se vêem cercadas por um descampado. Um grande número de árvores à beira da floresta morreu, mas a mortandade foi proporcionalmente mais alta entre as de maior porte.

A taxa de mortalidade das árvores localizadas perto do campo é duas vezes maior do que a das que ficam no interior da floresta. Entre as grandes, três vezes mais. Dos 64.000 exemplares acompanhados pela pesquisa, mais de 10.000 vieram abaixo, dos quais 7.500 estavam em fragmentos. Para cada árvore centenária que morre no meio da floresta fechada, três desmoronam nas áreas atingidas pelos efeitos do desmatamento. A agonia das gigantes da floresta começa imediatamente após a derrubada. Os pesquisadores não sabem exatamente o motivo de as maiores serem as mais prejudicadas, mas têm algumas suspeitas. "Quando há um desmatamento em volta, a força dos ventos incide mais intensamente nas árvores mais altas, a temperatura aumenta e a umidade do ar e do solo se reduz sensivelmente", afirma a pesquisadora Patrícia Delamônica, do Inpa. Por causa da altura, largura e inflexibilidade de seus troncos, elas são especialmente suscetíveis ao vento. Em conseqüência das imensas copas, estão mais expostas aos raios solares e à evaporação, o que as torna muito sensíveis ao ressecamento do ambiente que ocorre quando há um desmatamento vizinho.

Fragilizadas por esses fatores, as grandes árvores morrem e acabam por alterar drasticamente o cenário da floresta. Ao tombar, uma árvore de grande porte pode arrastar na queda até outras dez menores. Os clarões aumentam o ressecamento do solo e, num efeito dominó, novas árvores vão morrendo e expandindo o estrago. Espécies de orquídeas e bromélias, que só nascem nas copas das árvores maiores, também desaparecem. Alguns insetos, aves, macacos e outros mamíferos abandonam o local desfigurado. Em menos de dez anos, a agressão causada pela agricultura, pela pecuária e pela exploração madeireira destrói uma paisagem que a natureza levou milhares de anos para montar. "Os estudos nos levam a crer que a perda da cobertura florestal, associada a sua fragmentação, representa a maior ameaça à biodiversidade mundial", afirma Laurance.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  A floresta sitiada
Da internet
  Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
  Smithsonian Institution