A ginástica zen
Em filme de Madonna e nas academias
brasileiras, a ioga volta à moda
Alice Granato
Claudio Rossi
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| Aula em São Paulo: suor e
relax |
A velha ioga, quem diria, está voltando à
moda. As ginásticas de que o brasileiro mais gosta
atualmente são aquelas que imitam lutas marciais,
técnicas de circo ou movimentos de dança
mas já não há academia de primeira
linha que deixe de oferecer sessões de ioga, sobretudo
da versão energética chamada power ioga. Nos
Estados Unidos, onde nascem os modismos que depois causam
furor por aqui, tornou-se uma nova febre entre as celebridades.
O roqueiro Sting e a atriz Gwyneth Paltrow foram fotografados
em posição de lótus. A popstar Madonna
não apenas representa uma professora de ioga no filme
Sobrou pra Você, com estréia no Brasil
prevista para o próximo mês, como a pratica
na vida real. O que está atraindo toda essa gente
é a promessa de cuidar não só do corpo
mas também aliviar a cabeça. Isso explica
por que as salas de aula estão cheias de gente que
deixou a gravata pendurada no vestiário. "Eu comecei
de mansinho e hoje faço três vezes por semana",
diz Aldo Leone Filho, vice-presidente da agência de
viagens Agaxtur. "É a única hora do dia em
que consigo tirar o celular do bolso. A ioga está
me deixando muito mais tranqüilo."
Paramount Pictures
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| Madonna no filme
Sobrou pra Você: ioga na ficção
e na vida real, para o corpo e a cabeça
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A mudança de público é impressionante.
A ioga tinha perdido o pé quando os hippies e bichos-grilos
sumiram do mapa, no final da década de 70. A versão
tradicional, que chegou aos países ocidentais nos
últimos anos do século XIX e pretendia combinar
meditação profunda com técnicas de
controle de "forças vitais", estava mais para religião
que para malhação. Agora é diferente.
A power ioga tem movimentos vigorosos e atléticos.
A ênfase também mudou. O objetivo não
é mais alcançar a iluminação
mística, mas combater o stress do dia-a-dia. Mesmo
assim, a mística austera original sobreviveu aos
novos tempos. É preciso concentração
excepcional para conseguir o equilíbrio necessário
para certos malabarismos, como ficar de cabeça para
baixo ou colocar o pé atrás da nuca. Normalmente,
as sessões de ioga acontecem com luz e som bem suaves
ou em espaços ao ar livre. Muitas são acompanhadas
pela fumaça de incenso, deferência às
raízes milenares no hinduísmo. O ambiente
em que se pratica ioga é bem mais relaxante que o
da aeróbica.
"Muita gente me procura e conta que está com ansiedade
e dificuldade para dormir", conta a professora Catherine
Lobos. "Bastam algumas aulas para as pessoas começarem
a se sentir melhor." Ela ensina em três academias
em São Paulo e ainda atende clientes particulares
que a contratam como uma espécie de personal trainer
de ioga. A atriz Daniela Camargo, uma de suas alunas, está
encantada com o resultado das primeiras aulas. "Você
aprende a respirar em outro ritmo, trabalha o corpo e a
cabeça ao mesmo tempo", elogia. Há quem esteja
usando a ioga também como auxílio para doenças
nervosas. É o que faz a psicóloga paulistana
Suzana Castro. "Estou encaminhando alguns pacientes com
casos de depressão e ansiedade para conciliar a terapia
com a ioga", diz. "Com muitos deles consegui evitar o uso
de medicamentos e tive um resultado bastante bom."
O renascimento da ioga é percebido nas principais
cidades brasileiras, mas é bem mais intenso em Florianópolis.
Isso deve ser atribuído a Marco Schultz, que passou
oito anos aprimorando a técnica na Califórnia,
voltou há seis e agora tem mais de 200 alunos na
capital catarinense. Ele montou um estúdio em uma
academia de ginástica e se especializou no treinamento
de atletas, como o bicampeão mundial de surfe Teco
Padaratz. "Não existe mais aquela história
de que quem faz ioga é zen, esotérico", ensina
Schultz. "Ao contrário, as pessoas estão praticando
porque perceberam que é um tipo de ginástica
que todo mundo pode fazer."
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