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DISCOS
Viola,
Fabio Tagliaferri (Ná Records)
Este músico paulista executa um instrumento
pouco convencional na MPB: a viola de arco, típica
das orquestras. Com ela, acompanhado de conjunto,
desfila um repertório inspirado que inclui
chorinhos, baiões e baladas. Ao contrário
do que fazem muitos instrumentistas ao gravar seus
discos-solo, Fabio não cai na tentação
do virtuosismo e das intermináveis jam sessions
jazzísticas. As faixas têm a medida certa.
O som da viola, semelhante ao do violino, porém
mais grave e aveludado, empresta originalidade aos
arranjos. O disco conta com a participação
de Paulinho da Viola, ao violão, em Inesquecível,
um choro de sua autoria, e da cantora portuguesa Eugénia
Melo e Castro, em Pela Manhã.
Radamés
Gnattali (Som Livre) O maestro gaúcho
Radamés Gnattali (1906-1988) costuma ser lembrado
por sua atuação na MPB. Ele fez um arranjo
antológico de Aquarela do Brasil e trabalhou
com Pixinguinha. Mas Radamés também
é dono de um respeitável currículo
na área erudita. Compôs sinfonias, cantatas
e sonatas, sempre exaltando temas brasileiros. Este
álbum, lançado originalmente em 1976,
mostra a qualidade de seu trabalho erudito. São
quatro faixas. A melhor delas é Bate Papo,
uma sonata inspirada no ritmo do choro. Maria de
Jesus dos Anjos é uma cantata grandiosa,
com coral e narração do ator Milton
Gonçalves, que exalta os deuses da umbanda.
Já a Sonatina Coreográfica, composta
especialmente para um balé, tem melodia dolente.
Bem que a gravadora poderia ter um pouco mais de cuidado
com seu produto: a capa original foi substituída
por uma ilustração horrorosa e, na lombada
do CD, o maestro foi rebatizado, acredite-se, de Gnattah.
The
Sounds of Science, Beastie Boys (Grand Royal/EMI)
Nos anos 80, quando a simples menção
do nome "rap" provocava urticária na maioria
dos roqueiros, os Beastie Boys inovaram. O trio de
Nova York fundiu as batidas primais do rap com solos
de guitarra e bateria típicos do rock. O grupo
começou assumindo uma postura insolente, escrevendo
letras machistas e excursionando ao lado da cantora
Madonna (eles já se arrependeram disso), para
depois se reinventar a cada lançamento. Os
três músicos namoraram o jazz, a música
latina e hoje estão apaixonados pela MPB de
Tom Jobim e Jorge Ben Jor influência
de seu produtor, que é brasileiro. Esta coletânea,
em dois CDs, mostra todas as fases do conjunto. É
certo que a fusão de diferentes gêneros
musicais é praticada por boa parte dos artistas
do pop atual. No entanto, The Sounds of Science
mostra que poucos se igualam aos Beastie Boys em criatividade.
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LIVRO
Pequenas
Infâmias, de Carmen Posadas (tradução
de Claudia Schilling; Objetiva; 291 páginas;
29 reais) Dizem que o melhor romance de mistério
é aquele que não se afasta muito das
fórmulas consagradas. Carmen Posadas parece
saber disso. Seu livro já começa com
morte. Durante um fim de semana, na casa de um rico
colecionador de arte, o cozinheiro é assassinado
numa câmara frigorífica. Há vários
suspeitos, todos personagens curiosos com alguma culpa
no cartório. A autora mantém o enigma
até as páginas finais. Mas ela ainda
acrescenta alguns ingredientes à receita do
gênero: pitadas de crítica social, humor
apurado e mudanças constantes de foco narrativo,
que dão um toque de modernidade ao texto. Nascida
no Uruguai em 1953 e radicada na Espanha desde a infância,
Carmen bateu recordes de venda com este romance e,
em 1998, ganhou o Prêmio Planeta, um dos mais
importantes da literatura espanhola.
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TELEVISÃO
Especial
Tina Turner (quinta-feira, às 22h,
no Fox) O show em que a grande dama da música
negra comemorou seus 60 anos, no final de 1998, foi
gravado pela BBC inglesa e transformado neste especial.
Convidados ilustres, como o cantor Bryan Adams, cantam
Parabéns a Você e fazem duetos
com a homenageada. Tina, como em todas as suas apresentações,
domina o palco como um furacão. Interpreta
seus maiores sucessos, como What's Love Got to
Do With It e River Deep, Mountain High. A
cantora, há pouco, anunciou sua aposentadoria.
Como mostra o programa, será uma perda para
o universo pop.
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FILME
Divulgação

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Whitaker,
em Ghost Dog:
assassino zen |
Ghost Dog (Ghost Dog The Way of
the Samurai, Estados Unidos, Alemanha, França,
1999, em cartaz no Rio de Janeiro) O diretor
Jim Jarmusch, de Estranhos no Paraíso
e Uma Noite sobre a Terra, volta ao seu tema
predileto: os excluídos da sociedade. Nesta
fita policial atípica, o protagonista é
um assassino profissional (Forest Whitaker), cujo
método de trabalho baseia-se num livro japonês
sobre a honra dos samurais. Ele é um matador
zen, que não faz estardalhaço e leva
seu isolamento ao extremo. Com seus clientes
a máfia italiana , ele se comunica por
meio de mensagens levadas por um pombo-correio. O
filme é um exercício sobre a incomunicabilidade
na vida moderna e sobre a estranha ética que
pode florescer no cotidiano de quem já perdeu
as esperanças.
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