Edição 1 633 -26/1/2000

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Com ele é assim
Sente-se pressionado pela família e pelos amigos a iniciar logo a vida sexual
A maioria transa pela primeira vez com a namorada e rejeita o sexo pago
O próprio quarto é o local predileto para a primeira relação
Apenas um em cada três usa camisinha na primeira vez
Morre de medo de falhar
Acha que quinze minutos bastam para uma boa transa
Tem certeza de que receberá a aprovação dos pais quando contar que transou
Se a namorada engravida, recebe a notícia com um misto de surpresa e felicidade
Fontes: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo,
Organização Mundial de Saúde, Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Projeto Sexualidade da Faculdade de Medicina da USP

 

Com ela é assim
Valoriza mais a afetividade, o carinho e a confiança
Não acredita que o relacionamento sexual vá levar ao casamento
A pílula é o anticoncepcional preferido, mas poucas tomam cuidado para prevenir a gravidez na estréia
Sente-se pouco à vontade nua e teme que seu corpo desagrade ao parceiro
Acha que uma transa, para ser boa, deve durar no mínimo meia hora
Apenas uma em cada cinco sente prazer na primeira vez
Teme que os pais descubram a relação e passem a vigiar todos os seus passos
Fica emocionalmente arrasada com a gravidez indesejada

* Fontes: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Organização Mundial de Saúde, Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Projeto Sexualidade da Faculdade de Medicina da USP

 

Como encarar a primeira vez dos filhos

Evite aconselhar o filho sobre o momento ideal de ter a primeira relação. Essa é uma decisão que cabe a ele.

Respeite a vontade do filho se ele não quiser falar sobre sexo. Pode ser apenas um sinal de que está ficando adulto e quer preservar sua intimidade.

Esteja disponível para conversar ou levar a filha ao ginecologista. Mas cuidado para não impor valores e preconceitos e, sobretudo, não tente ser "amigo". Pai é pai.

Não faça troça do namoro da moçada. Filhos detestam piadas sobre algo que para eles é sério.

Educação sexual não é colocar preservativo na gaveta do filho. A questão deve ser tratada com naturalidade desde a infância. A conversa séria, feita de supetão na adolescência, assusta.

Antes de conversar sobre sexo com o filho ou filha, avalie suas próprias dúvidas. Não hesite em procurar profissionais especializados caso não se julgue capaz de resolver os próprios problemas.

Só assuma posições modernas e liberais se realmente acreditar nelas.

Não tente viver a vida dos filhos. Entenda que eles caminham para a independência e que os pais devem ajudá-los. Isso inclui as escolhas sexuais.

Evite falar de experiências pessoais, de como foi sua iniciação sexual, suas frustrações e seus problemas. A forma como o sexo era visto no passado é radicalmente diferente de como é encarado hoje.

Não se apegue a mitos, como a concepção de que adolescentes são movidos a sexo e naturalmente promíscuos ou que os garotos são sempre mal-intencionados e as meninas, vulneráveis. As pesquisas mostram que não é bem assim.


Fontes: Eugenio Chipkevitch, Albertina Takiuti/ IPA, Carmita Abdo/ ProSex, Tania Zagury/ UFRJ

 

Como os jovens devem preparar-se

Só transe se você realmente estiver a fim. A primeira vez não tem volta, e nunca se esquece. Uma iniciação atrapalhada pode deixar frustrações, culpa e mesmo traumas. Não há nada de errado em ser virgem.
Se achar que chegou a hora, e não se sentir à vontade para conversar com os pais, procure ajuda profissional. Pode ser o médico da família, o ginecologista de uma amiga ou o orientador sexual da escola. Seus amigos sabem tanto quanto ou até menos que você.
A primeira vez também engravida e transmite doença. A única forma de evitar é com o uso de preservativo.
Jamais transe se estiver sob efeito de bebida. O álcool desinibe, mas também deixa mais vulnerável, menos crítico e com grande possibilidade de arrependimento.
Pense primeiro em si ao decidir sobre sexo. Pressão do namorado ou da turma pode levar à iniciação tensa e sem prazer.
Não fantasie sobre a primeira vez. Sexo também é aprendizado. A cena romântica do filme é de mentirinha.
Converse sobre a decisão com seu parceiro. Se o casal não é capaz de falar a respeito de sexo, é porque não está pronto para ter tanta intimidade.
Se você ou seu parceiro se sentir muito tenso ou ansioso, nada impede que deêm um tempo na transa ou até deixem para uma próxima vez.
É bom avaliar, com seu parceiro, se vocês são capazes de enfrentar as conseqüências emocionais, familiares e sociais da decisão comum.
Os dois parceiros precisam ter claro o tipo de compromisso que essa decisão implica, se se trata apenas de uma leve relação, um pacto de namoro ou uma promessa de prosseguimento.
Fontes: Eugenio Chipkevitch, Carmita Adbo/IPA ProSex, Rosely Sayão