Edição 1 633 -26/1/2000

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Madri
Ambiente pré-eleitoral, propício a ataques

Após catorze meses de cessar-fogo e outros dois de ameaças, o grupo separatista basco ETA voltou a mostrar as garras ao explodir dois carros-bomba em Madri na sexta-feira passada. O ataque, desferido numa região próxima do centro onde vivem muitos militares, matou um tenente-coronel do Exército espanhol. O ataque era esperado. Depois que o ETA anunciou o fim do cessar-fogo, em dezembro, por duas vezes a polícia surpreendeu militantes antes que acendessem o pavio. Primeiro, uma van lotada de explosivos foi interceptada em uma estrada que leva à capital. Poucos dias depois, outra bomba foi descoberta, e alguns membros do grupo foram presos na cidade basca de Bilbao. Com o aquecimento do ambiente político trazido pela proximidade das eleições gerais de 12 de março, a polícia espanhola terá de rebolar se quiser evitar novos ataques.

 

Washington – Até estátua sofre. O pelotão de bronze do memorial à Guerra da Coréia quase desapareceu com a nevasca da semana passada.

 

Ottawa
Você pode fumar, se quiser
ficar assim...

O Canadá quer que os maços de cigarros vendidos no país tenham impressos avisos com imagens de órgãos afetados pelo fumo. Pulmões enegrecidos pelo câncer, cérebros inundados por derrames e bocas com ulcerações e dentes cariados. Mais direto e agressivo, impossível.

 

Nova York
Nova York testa o jogo de cintura de Hillary Clinton

Ainda tentando dar vida a sua campanha ao Senado americano, a primeira-dama Hillary Clinton tem se desdobrado. Durante entrevista a uma rádio de Nova York na semana passada, ouviu de seu interlocutor perguntas a respeito de casos extraconjugais e uso de drogas. Mostrando uma boa dose de indignação nas respostas, negou tudo. Essa foi a segunda entrevista embaraçosa que ela teve de enfrentar em questão de poucos dias. Na terça-feira, questionada sobre o possível fim de seu casamento quando Bill Clinton deixar a Casa Branca, no fim do ano, declarou que pretende ficar com ele para o resto da vida. A continuar nesse ritmo, até as eleições ela já terá respondido a perguntas sobre todos os detalhes de sua vida pessoal. Se ela tiver o mesmo jogo de cintura demonstrado pelo marido, será um passeio.

 

Cabul
Afeganistão falando para o mundo

Os afegãos continuam o povo mais isolado do mundo, mas já podem fazer ligações internacionais. O contato entre o Afeganistão e treze outros países foi restabelecido na semana passada por uma companhia americana. Para driblar a lei, a empresa alegou que os investimentos são anteriores às sanções da ONU ao país.

 

Belgrado
A morte suspeita de um senhor da guerra

Suspeita-se que a morte do carrasco sérvio Zeljko Raznatovic tenha o dedo do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic. O caso cheira a queima de arquivo. O rosto infantil podia até enganar, mas seu dono era apontado como responsável pela morte de centenas de croatas e muçulmanos durante a guerra civil na Iugoslávia. Com um currículo para genocida nenhum botar defeito, Arkan, como era conhecido, vinha sendo aguardado para depor em breve no Tribunal Internacional de Haia. Não deu tempo, porque ele foi metralhado quando saía de um jantar no dia 15.

 

Lhasa
Na China, a religião é coisa do Estado

Depois de cutucar o Vaticano nomeando seus próprios bispos há duas semanas, o governo chinês resolveu dar na semana passada uma estocada no dalai-lama, autoridade religiosa budista e líder do Tibete no exílio. Sem a sua aprovação, o Bureau de Assuntos Religiosos do país nomeou um garoto de 2 anos como o sétimo Reting Lama, a reencarnação de Buda. A aposta do governo é conseguir uma legião de religiosos fiéis ao regime e evitar casos como o de Karmapa Lama, o jovem de 14 anos que fugiu a pé do Tibete para a Índia no início do mês.

 

Lombok
A aventura do turismo de guerra

Os choques religiosos na Indonésia começam a ameaçar o turismo. Na semana passada, um grupo de hóspedes foi retirado às pressas de um resort na Ilha de Lombok. Mas não é só lá que o turismo se está transformando em uma aventura perigosa.

Iêmen – De tão comuns, os seqüestros já são quase parte integrante dos pacotes. Mas em 1998 dois turistas foram mortos numa tentativa de libertá-los.  

Namíbia – Uma emboscada de rebeldes angolanos da Unita na fronteira matou três turistas franceses no começo de janeiro.  

Uganda – Em março, oito turistas que observavam gorilas num parque nacional foram mortos em um ataque de rebeldes hutus.