Madri
Ambiente pré-eleitoral,
propício a ataques
Após catorze meses de cessar-fogo e outros dois de ameaças,
o grupo separatista basco ETA voltou a mostrar as garras
ao explodir dois carros-bomba em Madri na sexta-feira passada.
O ataque, desferido numa região próxima do centro onde vivem
muitos militares, matou um tenente-coronel do Exército espanhol.
O ataque era esperado. Depois que o ETA anunciou o fim do
cessar-fogo, em dezembro, por duas vezes a polícia surpreendeu
militantes antes que acendessem o pavio. Primeiro, uma van
lotada de explosivos foi interceptada em uma estrada que
leva à capital. Poucos dias depois, outra bomba foi descoberta,
e alguns membros do grupo foram presos na cidade basca de
Bilbao. Com o aquecimento do ambiente político trazido pela
proximidade das eleições gerais de 12 de março, a polícia
espanhola terá de rebolar se quiser evitar novos ataques.
Washington
Até estátua sofre. O pelotão de bronze do memorial à
Guerra da Coréia quase desapareceu com a nevasca da semana
passada.
Ottawa
Você pode fumar, se quiser
ficar assim...
O Canadá quer que os maços de cigarros vendidos no país
tenham impressos avisos com imagens de órgãos afetados pelo
fumo. Pulmões enegrecidos pelo câncer, cérebros inundados
por derrames e bocas com ulcerações e dentes cariados. Mais
direto e agressivo, impossível.
Nova York
Nova York testa o jogo de cintura
de Hillary Clinton
Ainda tentando dar vida a sua campanha ao Senado americano,
a primeira-dama Hillary Clinton tem se desdobrado. Durante
entrevista a uma rádio de Nova York na semana passada, ouviu
de seu interlocutor perguntas a respeito de casos extraconjugais
e uso de drogas. Mostrando uma boa dose de indignação nas
respostas, negou tudo. Essa foi a segunda entrevista embaraçosa
que ela teve de enfrentar em questão de poucos dias. Na
terça-feira, questionada sobre o possível fim de seu casamento
quando Bill Clinton deixar a Casa Branca, no fim do ano,
declarou que pretende ficar com ele para o resto da vida.
A continuar nesse ritmo, até as eleições ela já terá respondido
a perguntas sobre todos os detalhes de sua vida pessoal.
Se ela tiver o mesmo jogo de cintura demonstrado pelo marido,
será um passeio.
Cabul
Afeganistão falando para o mundo
Os afegãos continuam o povo mais isolado do mundo, mas
já podem fazer ligações internacionais. O contato entre
o Afeganistão e treze outros países foi restabelecido na
semana passada por uma companhia americana. Para driblar
a lei, a empresa alegou que os investimentos são anteriores
às sanções da ONU ao país.
Belgrado
A morte suspeita de um senhor da guerra
Suspeita-se que a morte do carrasco sérvio Zeljko Raznatovic
tenha o dedo do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic.
O caso cheira a queima de arquivo. O rosto infantil podia
até enganar, mas seu dono era apontado como responsável
pela morte de centenas de croatas e muçulmanos durante a
guerra civil na Iugoslávia. Com um currículo para genocida
nenhum botar defeito, Arkan, como era conhecido, vinha sendo
aguardado para depor em breve no Tribunal Internacional
de Haia. Não deu tempo, porque ele foi metralhado quando
saía de um jantar no dia 15.
Lhasa
Na China, a religião é coisa do Estado
Depois de cutucar o Vaticano nomeando seus próprios bispos
há duas semanas, o governo chinês resolveu dar na semana
passada uma estocada no dalai-lama, autoridade religiosa
budista e líder do Tibete no exílio. Sem a sua aprovação,
o Bureau de Assuntos Religiosos do país nomeou um garoto
de 2 anos como o sétimo Reting Lama, a reencarnação de Buda.
A aposta do governo é conseguir uma legião de religiosos
fiéis ao regime e evitar casos como o de Karmapa Lama, o
jovem de 14 anos que fugiu a pé do Tibete para a Índia no
início do mês.
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Lombok
A aventura do turismo
de guerra
Os choques religiosos na Indonésia começam a ameaçar
o turismo. Na semana passada, um grupo de hóspedes
foi retirado às pressas de um resort na Ilha de Lombok.
Mas não é só lá que o turismo se está transformando
em uma aventura perigosa.
Iêmen
De tão comuns, os seqüestros já são quase parte
integrante dos pacotes. Mas em 1998 dois turistas
foram mortos numa tentativa de libertá-los.
Namíbia
Uma emboscada de rebeldes angolanos da Unita
na fronteira matou três turistas franceses no começo
de janeiro.
Uganda
Em março, oito turistas que observavam gorilas
num parque nacional foram mortos em um ataque de rebeldes
hutus.
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