A poupança que vem de fora
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A reportagem de VEJA sobre
o capital estrangeiro
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A principal notícia produzida pela economia brasileira
na semana passada chama mais a atenção pelo
que tem de repetitivo do que por se tratar de uma novidade.
Na quarta-feira, o banco espanhol Santander comprou 97%
do Grupo Meridional, que inclui o Banco Bozano, Simonsen.
Foi o oitavo banco brasileiro de grande porte a ver seu
controle migrar para as mãos de grupos internacionais
nos últimos três anos. A transação
alimentou uma discussão cuja temperatura tem crescido
nas últimas semanas. Será que o capital estrangeiro
está indo longe demais na compra de empresas nacionais?
Será que isso se mostrará prejudicial ao país?
Cada vez se ouve com maior estridência de políticos
e empresários que chegou a hora de o Brasil impor
limites à atuação do capital estrangeiro.
Percebe-se nas manifestações, por sua freqüência
e articulação, o surgimento de um sentimento
que se pode rotular de neonacionalista.
A questão exige uma reflexão mais detida
e menos acalorada. De acordo com números do Banco
Central, de 1995 a 1999 o ingresso de capital estrangeiro
no Brasil foi de 95 bilhões de dólares. No
mesmo período saíram, principalmente na forma
de remessa de lucros, cerca de 8 bilhões. O saldo
positivo de dólares internados no país investidos
em atividades produtivas e não na especulação
financeira foi, naquele período, de 87 bilhões
de dólares. Antes de buscar no capital estrangeiro
um bode expiatório, é bom lembrar que esse
dinheiro foi uma das raras fontes de recursos para promover
o crescimento da economia brasileira. A poupança
nacional, item em que historicamente o Brasil é de
uma vulnerabilidade sem par, tem sido quase integralmente
utilizada para rolar a dívida interna. Sem a aposta
dos investidores estrangeiros no Brasil a economia poderia
ter paralisado. Ao governo cabe garantir que o país
não se feche à riqueza que vem de fora e assegurar
tratamento justo e idêntico a quem deseja investir
na produção, seja qual for a cor de seu dinheiro.