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O
poder transformador
de 2002
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Capas
de VEJA: de olho nas mudanças |
Há
sinais claros de que o Brasil não será o mesmo depois de
ter passado por algumas experiências significativas ocorridas em
2002. Uma das mais marcantes transformações é de
ordem política. Os brasileiros haviam se acostumado a conviver
com processos eleitorais em que o governante cujo mandato estivesse chegando
ao fim ordenava a abertura dos cofres públicos para interferir
no resultado das urnas. Se fosse bem-sucedido, orgulhava-se de seu feito,
mesmo quebrando o Estado. E, quando a oposição vencia, seus
líderes não se comportavam de forma muito mais civilizada.
Anunciavam logo a decisão de rever os projetos e contratos do antecessor,
falando até em criação de CPI. Não foi esta
a marca da eleição de 2002.
De forma amadurecida, o presidente Fernando Henrique apoiou seu candidato
dentro de limites aceitáveis. E o presidente eleito Luiz Inácio
Lula da Silva se comprometeu a manter os principais projetos tucanos,
inclusive os da área social. Ou seja, Lula vai olhar para a frente,
não para trás. Semana após semana, VEJA monitorou
os lances dessa transformação. Se o Brasil não tivesse
mudado, talvez fosse outro o desfecho do caso Roseana Sarney, cuja candidatura
foi pulverizada quando a polícia achou mais de 1 milhão
de reais em notas de 50 no escritório de seu marido.
A outra transformação marcante do ano, talvez mais impressionante,
ocorreu no ideário petista. Na corrida de obstáculos em
que se transformou a campanha presidencial, o PT abandonou a intolerância
quase religiosa que marcava sua preferência pelas bandeiras de esquerda
e, em questão de poucos meses, aceitou as normas que regem o funcionamento
dos países modernos. O Brasil reagiu rápido. Entregou a
Lula o Palácio do Planalto, que lhe negara nas três tentativas
anteriores. VEJA acompanhou a intimidade dessa transformação
e a traduziu para seus leitores numa série de reportagens em torno
do tema. Durante vinte anos, o Brasil conheceu um PT. Acabou elegendo
outro. E, agora, prepara-se para ver este novo PT em ação
a partir do início de janeiro.
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