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Central:
1,5 milhão em divulgação |
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Divulgação/Walter Carvalho |
O filme Central do Brasil, de Walter Salles, acaba de estrear nos Estados Unidos com a maior campanha já feita para levar uma produção brasileira à festa do Oscar. Estima-se que a Sony Pictures Classics, sua distribuidora no mercado americano, esteja investindo 1,5 milhão de dólares em promoção. É meio milhão a mais do que a Miramax, rival da Sony, gastou com O que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto, e metade do orçamento do próprio Central do Brasil. A distribuidora deu início ao lobby em setembro, com a publicação de uma carta aberta na revista Hollywood Reporter, a mais lida entre os votantes do Oscar, dizendo com todas as letras que a fita, que nos Estados Unidos recebeu o nome de Central Station, ambicionava a estatueta na categoria de melhor filme e não apenas na de melhor produção estrangeira. No início deste mês, Walter Salles começou uma turnê por nove cidades americanas acompanhado pela atriz Fernanda Montenegro e pelo garoto Vinícius de Oliveira. Junto com o produtor Arthur Cohn, um suíço com bom trânsito em Hollywood, o trio participou de pré-estréias para convidados, festas e entrevistas. Perto do lançamento oficial, marcado para sexta-feira passada, a campanha foi reforçada com anúncios na imprensa e comerciais de TV.
A Sony tenta repetir o que a Miramax conseguiu fazer com O Carteiro e o Poeta em 1996. Mesmo falado em italiano, o drama dirigido por Michael Radford foi indicado em quatro das categorias principais do Oscar, incluindo as de melhor filme e melhor ator. Toda a publicidade de Central do Brasil destaca a participação de Fernanda Montenegro que a Sony gostaria que concorresse ao prêmio de melhor atriz, já conquistado no Festival de Berlim e o "conteúdo emocional" da obra. Esse último argumento foi usado para alavancar a carreira de O Carteiro e o Poeta. "A presença de Fernanda nas pré-estréias foi importante para despertar o interesse do público e da mídia", avalia Walter Salles.
Barulho A exemplo do que a Miramax fez com O que É Isso, Companheiro?, os planos da Sony incluem um reforço gradativo na distribuição do filme nos Estados Unidos até o anúncio da lista de indicados ao Oscar, no dia 9 de fevereiro. A intenção é que as duas cópias em exibição cheguem a 85 no Natal. Para que isso se concretize, é preciso que a fita realmente empolgue o público. Todo esse barulho em torno de um título brasileiro era impensável quando O Quatrilho disputou o troféu de melhor filme estrangeiro, em 1996. Na época, a fita de Fábio Barreto nem chegou a estrear comercialmente nos Estados Unidos. Desta vez, o cinema nacional tem mais chances de encarar uma briga em que, como todo mundo sabe, o lobby conta tanto quanto a qualidade dos concorrentes.
Luiz Sampaio
Copyright © 1998, Abril
S.A. |