Pobre Michael!

Crise faz cantor de Thriller buscar dinheiro em Wall Street

Pobre Michael Jackson... Ele está com problemas financeiros, coitado. Para viver em seu mundo encantado, que inclui um parque de diversões onde o cantor brinca com crianças carentes, Michael tem de arcar com 1 milhão de dólares em despesas fixas todo mês. Nessa conta absurda não entram gastos esporádicos, como o acordo que lhe tomou outros 20 milhões de dólares, relativo ao processo de abuso sexual movido pela família de um dos meninos acostumados a freqüentar seu rancho, conhecido como "Terra do Nunca". Gastar tanto não seria problema caso Michael ainda faturasse alto como nos bons tempos. Em 1989, por exemplo, 65 milhões de dólares entraram em sua conta bancária. No ano passado, a receita já havia caído para menos de um terço desse valor. Como ele torra uma dinheirama até para respirar, suas finanças começaram a entrar no vermelho. A saída, imaginam os conselheiros do cantor, está no mercado de ações. Depois das plásticas e do embranquecimento, Michael Jackson pode ser transformado em sociedade anônima.

O que isso significa? Que ele pretende vender à vista os direitos autorais que arrecadaria no futuro, provenientes dos discos e composições registradas em seu nome. Direitos autorais são a principal fonte de renda para Michael. Geram 15 milhões de dólares ao ano, graças a músicas como Thriller, Billie Jean e Bad. Para dar lucro aos eventuais acionistas, essas músicas precisariam render mais e mais a cada ano. Como? Sendo licenciadas para novos suportes tecnológicos. O DVD, disco digital apontado como substituto do CD, é um exemplo. Quando estiver funcionando para valer, será uma nova fonte de rendimento para quem detém os direitos sobre músicas de sucesso, como é o caso de alguns clássicos do repertório de Michael.

A perspectiva de ser salvo por Wall Street se apóia em operação semelhante, feita no início de 1997 pelo cantor inglês David Bowie. Em um só dia, ele embolsou 55 milhões de dólares. Isso foi antes de a crise asiática ter afugentado investidores das bolsas. O cenário atual pode atrapalhar as pretensões de Michael, que ambiciona levantar 100 milhões de dólares com a venda dos títulos. Essa não é a primeira vez que o cantor de Thriller fica perto da bancarrota. No início dos anos 90, ele acumulou uma dívida tida como colossal e teve de hipotecar alguns de seus sucessos como garantia. Autor do disco mais vendido em todos os tempos, Michael não parece ter o mesmo talento para lidar com as próprias finanças.




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line