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Sede do ABN, em São Paulo: depois do Real, investida no Nordeste |
| Foto: Regis Filho |
Os holandeses do ABN-Amro, oitavo maior banco do mundo, andam impossíveis no Brasil. Há quase cinco meses eles surpreenderam a banca local com a compra de 40% do Real, quarta maior instituição financeira privada do país, pela fortuna de 2 bilhões de reais. Apenas com essa operação, o ABN, há 81 anos no Brasil, conquistou mais de 2 milhões de novos clientes e triplicou de tamanho. Quando se imaginava que já estivesse satisfeito, o pessoal do ABN deu uma nova tacada. Na semana passada, eles compraram o Bandepe, um dos principais bancos do Nordeste, privatizado pelo governo de Pernambuco. Com mais esse negócio, o ABN vai conseguir crescer rapidamente numa região em que o Real tinha pouca presença. Pagou 182 milhões de reais e aumentou a clientela em mais 160.000 pessoas.
Outro superbanco estrangeiro, o espanhol Santander, também continua se mexendo. Em menos de um ano ele adquiriu o controle do Banco Geral do Comércio e o do Noroeste. Há duas semanas, anunciou um investimento de mais 250 milhões de reais na compra da participação de 30% que o grupo Camargo Corrêa ainda tinha no Banco Geral do Comércio. O BankBoston, americano, vai fechar o ano com uma rede de 63 agências no país. É o dobro do que tinha no final do ano passado. "O capital especulativo pode estar meio ressabiado, mas os grandes bancos estrangeiros continuam avançando e vão avançar ainda mais", diz Carlos Coradi, um consultor financeiro de São Paulo.
A briga com os bancões nacionais promete. Quatro anos atrás, havia apenas quatro instituições estrangeiras no ranking dos vinte maiores bancos privados do país. No ranking dos vinte de hoje, onze são estrangeiros. O mais interessante é que, no mundo todo, os grandes bancos estão juntando seus cacos, depois de perder fortunas com empréstimos malfeitos e na especulação financeira. No Brasil, ao contrário, a banca internacional está ficando cada vez mais forte. Só neste ano, os espanhóis do Bilbao Vizcaya levaram o Excel Econômico e os suíços do CS First Boston engoliram o Garantia, um dos maiores bancos de negócios do país.
A redescoberta da América está ocorrendo porque as grandes corporações financeiras, principalmente as da Europa, não encontram mais espaço para crescer em seus países de origem. No Brasil, calcula-se que pouco mais de 20 milhões de pessoas tenham conta em banco. É pouco para uma população economicamente ativa de 75 milhões, os bancos estrangeiros sabem disso e querem estar com tudo pronto quando a hora da expansão chegar.
Copyright © 1998, Abril
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