Varejo

Ataque às gôndolas

Rede portuguesa Sonae compra supermercados
no Paraná e aumenta a presença estrangeira no setor

Raul Juste

Supermercado
Mercadorama:
comprado por 250
milhões de reais
Foto: Ricardo Almeida  

Os supermercados brasileiros estão sendo alvo de um ataque internacional quase tão vigoroso quanto o que está mudando o sistema bancário nacional. A onda de compras de empresas do setor de alimentação vem esquentando e tende a ficar ainda mais revolta. A última tacada foi dada pelo grupo português Sonae. Na semana passada, os portugueses compraram a maior rede de supermercados do Paraná, a Mercadorama, dona de treze hipermercados que empregam 4.000 funcionários. Consultores paranaenses estimam que os portugueses desembolsaram 250 milhões de reais. Eles vão inaugurar, na próxima semana, mais dois hipermercados em Porto Alegre e um em São Paulo, um investimento de outros 45 milhões de reais. "Até o final do ano que vem pretendemos estar bastante fortes nas regiões Sul e Sudeste. Então poderemos pensar em nos estabelecer em outros grandes centros", diz José Baeta Tomás, diretor-presidente da Sonae no Brasil.

O grupo Sonae é um gigante. Tem presença na Inglaterra, na Espanha, em Portugal e no Brasil. Fabrica laminados de madeira, tem redes de lojas especializadas em produtos esportivos, informática, utilidades domésticas, material de construção. É dono de shopping centers e de restaurantes. Tem cinco redes de supermercados, com 118 lojas na Europa. Fatura mais de 2 bilhões de dólares por ano. No Brasil, os portugueses já compraram a Companhia Real de Distribuição, com 29 lojas nos Estados do Sul, e o grupo Cândia, que tem três hipermercados em São Paulo. Agora passam a disputar com a rede carioca Sendas a quarta posição no ranking dos maiores supermercados do país.

Os supermercados têm crescido demais no Brasil. Nos últimos tempos quase sem parar. Neste ano, as vendas já aumentaram cerca de 5% — e a expectativa da Associação Brasileira de Supermercados, a Abras, é de que o nível de crescimento se mantenha no ano que vem. As mais de 48.000 lojas espalhadas pelo país devem fechar 1998 com faturamento de mais de 50 bilhões de dólares. Os supermercados vendem tanto no Brasil porque trabalham de forma eficiente. Compram em grande quantidade e podem oferecer os produtos por preços mais baixos do que as mercearias e quitandas. As grandes redes estrangeiras estão interessadas em entrar nesse mercado. Neste ano, os holandeses da Royal Ahold, um grupo multinacional que também está comprando lojas nos Estados Unidos, associou-se aos pernambucanos do Bompreço. Hoje, entre os grandes grupos que atuam no país, estão outros estrangeiros: o francês Carrefour (que recentemente comprou o Eldorado, de São Paulo), o americano Wal-Mart e o português Jerônimo Martins (que entrou no Brasil assumindo o controle da rede Sé, de São Paulo). Todos estão expandindo suas lojas.

Os consultores especializados em comércio acreditam que ainda vão acontecer muitas mudanças nesse ramo. De acordo com um estudo feito pelo consultor paulista Marcos Gouvêa de Souza, as vinte maiores redes de supermercado que atuam no Brasil respondem por 41% das vendas do setor. Seguindo uma tendência internacional, para ser mais lucrativos os grupos terão de ser maiores. Na Inglaterra, apenas as cinco maiores redes são responsáveis por mais da metade das vendas.




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