|
Aviação Vai faltar lugarA procura
por viagens e pacotes nacionais
Quem está pensando em tirar férias no final do ano, levar os filhos para passear em Orlando ou descansar nas praias de Natal que se apresse. Vôos e vagas nos hotéis estão se esgotando rapidamente. Pelo que informam as planilhas dos agentes de viagem há um movimento fortíssimo de procura por pacotes turísticos, um dos mais intensos que eles já viram. Sem dúvida, o mais espantosamente forte em tempos de crise. É um fenômeno curioso. No Brasil, fala-se em recessão, juros proibitivos, crédito contraído. Nada disso atingiu os turistas. Eles já se armaram de passaporte e protetor solar e vão encher os aeroportos no final do ano. Tenha uma idéia de seu apetite. Há dois anos, quando não havia crise mundial nem ajuste fiscal, foram vendidos 950.000 pacotes turísticos, por 1,5 bilhão de dólares. Neste ano, em que as incertezas são tantas, prevê-se a venda de 1,3 milhão de pacotes, pelo valor de 2 bilhões de dólares. "Ninguém está gastando em imóveis ou automóveis. As pessoas estão querendo espairecer", explica Goiaci Alves Guimarães, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Abav. O turismo foi impulsionado pela guerra tarifária travada pelas companhias aéreas. Só neste ano o preço médio das passagens aéreas caiu 40%. Os hotéis estão seguindo o mesmo caminho. Muitos estão reduzindo o preço da diária em até 15%. Além disso, as agências de viagem estão oferecendo o parcelamento dos pacotes turísticos em até 21 vezes pelo cartão de crédito ou em até três vezes sem juros. Para os brasileiros, viajar ficou muito mais fácil. O Brasil também se tornou um ponto de parada mais interessante para os turistas estrangeiros. No ano passado, o país recebeu 2,9 milhões de viajantes estrangeiros. Neste ano, esperam-se 3,1 milhões. Isso significa que o dinheiro gasto por americanos, italianos, franceses e espanhóis no país também deverá aumentar. Calcula-se que eles deixarão cerca de 2,8 bilhões de dólares no Brasil. Para o turista brasileiro, existe uma oferta variadíssima de passeios. Quem quer viajar sem gastar muito dinheiro encontra ainda boas oportunidades. Pode-se passar sete dias em Porto Seguro, com passagem aérea e hospedagem incluídas, com direito a café da manhã, pagando cerca de 40 reais por mês, durante um ano, o equivalente a um ingresso para uma boa peça de teatro. Calcula-se que entre dezembro e fevereiro, os meses mais quentes do turismo nacional, mais de 700.000 pessoas viajarão pelo Brasil. Com tanta gente querendo arrumar as malas, quem ainda pretende passar o réveillon no Nordeste, Nova York ou até mesmo brindar a chegada do Ano-Novo fazendo um cruzeiro marítimo pela costa brasileira ou pelas ilhas do Caribe tem de se apressar ou ficar na fila. O brasileiro anda preocupado com o emprego e com a crise econômica, mas ainda não chegou a cortar as férias das crianças. "Lazer, para a classe média brasileira, não é supérfluo", diz Antonio Aulísio, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo. Cintia Valentini
|